É falso que jovens do Rio Grande do Sul tenham fraudado apostas no Jogo do Tigrinho

Boatos nas redes sociais relatam que golpe milionário envolveria adulteração no pagamento por Pix; polícia gaúcha nega haver denúncias e investigações sobre caso.

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O que estão compartilhando: que um grupo de jovens do Rio Grande do Sul teria descoberto uma falha na plataforma de apostas online Jogo do Tigrinho, que permitiria burlar o sistema de pagamento por QR code no Pix. A Polícia Civil estaria investigando o caso, mas até o momento não teria chegado a nenhum suspeito, esclarece reportagem do Estadão Verifica.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O boato circula nas redes sociais desde o começo de abril de 2025, com a afirmação de que teria ocorrido na cidade de Vicente Dutra, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Porém, o golpe não é de conhecimento da Polícia Civil do Estado, tampouco está sob investigação, disse ao Estadão Verifica a delegada Aline Dequi Palma, diretora da 14ª Delegacia de Polícia Regional do Interior.

Jogo do Tigrinho

O engajamento neste caso vem do fato de o golpe ser direcionado ao Jogo do Tigrinho, aplicativo popular e alvo de controvérsias – é acusado de estimular perdas financeiras em pessoas seduzidas pela esperança de ganhar dinheiro fácil e rápido. O jogo é um caça-níquel virtual em que os apostadores têm como objetivo alinhar três figuras iguais em três fileiras para receber o prêmio.

A fraude cometida pelos jovens gaúchos envolveria investir um valor alto de aposta e em seguida alterá-lo para poucos centavos na consumação do pagamento pelo aplicativo do banco, adulterando o QR code informado pelo jogo.

A plataforma seria “enganada” ao considerar a quantia informada pelo usuário como a correta, potencializando o lucro do eventual acertador das combinações. Detalhes de como seria possível fazer a alteração no QR code via aplicativo do banco não são informados nas versões que o caso foi ganhando na internet.

O valor total do golpe citado nos vídeos varia de R$ 8 milhões a R$ 15 milhões. Uma movimentação incomum de altas somas em dinheiro como essa teria sido observada em bancos, comércio e concessionárias de veículos de cidades da região.

“Nada disso é do nosso conhecimento. Não existem queixas ou registros formais relacionados a esse caso ou golpes parecidos. Existem apenas comentários nas redes sociais”, afirmou ao Verifica a delegada Aline Dequi Palma.

A 14ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, com sede em Palmeira das Missões, abrange a cobertura de 29 municípios, Vicente Dutra entre eles. Por ser uma zona separada de Santa Catarina pelo rio Uruguai, por ali são frequentes operações policiais contra tráfico de drogas e contrabando.

Os jornalistas locais não encontraram nenhuma evidência de que o “golpe do Tigrinho” realmente tenha ocorrido, de acordo com Lucas Faustino, coordenador geral de jornalismo do Complexo Luz e Alegria de Comunicação, rádio e portal de notícias da cidade vizinha de Frederico Westphalen.

“As pessoas nos perguntam sobre esse golpe do Tigrinho, mas vejo isso como típico exemplo do ‘telefone sem fio’. A cada versão a história vai mudando e nenhuma prova é mostrada”, complementou. “Nossas fontes na região e na polícia não relataram nada disso”.

Jogo do Tigrinho foi beneficiado pela legalização das bets

Com o nome original de Fortune Tiger, o Jogo do Tigrinho foi criado em 2016 pela empresa de softwares PG Soft, sediada em Malta, arquipélago localizado no mar Mediterrâneo. Ficou popular no Brasil operando de forma ilegal e sendo promovido por influenciadores digitais.

Curiosamente, o caça-níquel em máquina segue proibido no Brasil. Mas um dispositivo na lei das bets permitiu sua versão virtual, como o Jogo do Tigrinho e similares. O Verifica solicitou um pedido de informações à PG Soft sobre a possibilidade de fraude na plataforma, via contatos informados em seu site oficial, mas não obteve retorno até a conclusão deste texto.

Fonte: BNLData – bnldata.com.br

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Afrânio Ítalo
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Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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