Governo arrecada R$ 3 bilhões com apostas em 2025
O Governo Federal já obteve R$ 3,03 bilhões em receitas oriundas de apostas esportivas e jogos online entre janeiro e maio de 2025, conforme dados apresentados pela Receita Federal nesta quinta-feira (26). Apenas no mês de maio, o valor arrecadado com as chamadas “bets” alcançou R$ 814 milhões — um salto impressionante de 23.096,8% em comparação com o mesmo mês de 2024.
Nos cinco primeiros meses deste ano, a arrecadação apresentou uma escalada de 40.000% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os valores recolhidos somavam apenas R$ 7 milhões. Essa performance significativa reflete diretamente a nova estrutura de tributação implementada para o setor.
Setor de apostas ultrapassa segmentos tradicionais
De acordo com o levantamento da Receita Federal, o segmento de apostas já supera setores tradicionais da economia brasileira. No mês de maio, as receitas vindas das bets superaram as obtidas em áreas como:
| Setor | Arrecadação em Maio/25 |
|---|---|
| Educação | R$ 516 milhões |
| Fabricação de máquinas e equipamentos | R$ 408 milhões |
| Comércio varejista | R$ 507 milhões |
Esse cenário evidencia o impacto da regulamentação e tributação sobre a Receita Bruta dos Jogos (GGR), modelo utilizado para calcular os tributos das empresas do setor.
Nova sistemática de tributação impulsiona receitas
Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, destacou que os repasses aumentaram significativamente a partir de fevereiro, mês seguinte ao início da regulamentação do setor, em 1º de janeiro. “A partir de fevereiro, já tivemos a arrecadação da nova sistemática de tributação das empresas que reúnem as apostas de cotas fixas”, afirmou.
Medida provisória e aumento da taxação
No início de junho, após diversas especulações, o governo federal oficializou o aumento da taxação sobre as apostas esportivas. O anúncio foi feito após uma reunião entre os presidentes da Câmara e do Senado com representantes do Executivo. A medida também encerrou a isenção de Imposto de Renda para títulos de crédito como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs).
Em 12 de junho, uma medida provisória foi editada com o intuito de reforçar as receitas públicas. Essa iniciativa se soma ao decreto que elevou o IOF, e deve gerar um impacto positivo de R$ 284,9 milhões ainda em 2025, com projeção de arrecadação de até R$ 1,7 bilhão anuais a partir de 2026.
Nova alíquota sobre o GGR
O principal ponto da MP está na alteração da alíquota sobre a Receita Bruta dos Jogos. Confira a mudança:
| Situação | Alíquota |
|---|---|
| Antes da MP | 12% |
| Após a MP | 18% |
Declarações de Fernando Haddad
Em entrevista à GloboNews, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a decisão do governo em aumentar a carga tributária sobre as apostas. Segundo ele, essas empresas operavam há anos no país sem qualquer retorno fiscal relevante. “Você acha normal uma bet que não traz nada de bom no Brasil e fica anos sem pagar imposto nenhum como se fosse uma Santa Casa da Misericórdia?”, questionou o ministro de forma crítica.
As declarações reforçam o posicionamento do governo de controlar e rentabilizar um mercado em franca expansão, promovendo maior responsabilidade fiscal e social por parte das operadoras de jogos e apostas.
Perspectivas para o setor
Com a regulamentação em vigor e as medidas tributárias ajustadas, o setor de apostas esportivas e jogos online tende a se consolidar como uma das principais fontes de receita do governo federal. Espera-se que a arrecadação continue em crescimento, impulsionada por uma base tributária mais robusta e pela adesão crescente do público brasileiro às plataformas de apostas legalizadas.
Além disso, a transparência e o controle fiscal reforçam a credibilidade do setor e aumentam a atratividade para investidores e operadores globais interessados em atuar no mercado nacional.
Enquanto isso, o governo seguirá acompanhando o desempenho do segmento, avaliando a eficácia das medidas adotadas e promovendo os ajustes necessários para garantir equilíbrio entre desenvolvimento econômico e responsabilidade tributária.

