Bets dominam camisas no Mundial de Clubes
O Mundial de Clubes da FIFA 2025 começou com destaque não apenas para as estrelas do futebol, mas também para a presença maciça das casas de apostas nos uniformes das equipes. Das 32 agremiações participantes, 17 possuem algum tipo de parceria com plataformas de betting, refletindo a consolidação global deste mercado no cenário esportivo.
América do Sul lidera em parcerias máster
Os clubes sul-americanos se destacam com acordos robustos. Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, do Brasil, além de Boca Juniors e River Plate, da Argentina, possuem patrocínio máster com casas de apostas, com a logomarca ocupando o principal espaço da camisa. A forte presença dessas empresas no futebol da região evidencia o aquecimento do mercado no continente.
No Brasil, todas as equipes da elite do futebol já contam com alguma parceria do tipo. Esse movimento vem acompanhado da regulamentação em andamento e de uma indústria que não para de crescer em audiência e faturamento.
Presença das bets no Mundial
Além dos sul-americanos, outras 11 equipes do torneio contam com patrocínio de casas de apostas. Inter de Milão, vice-campeã da Champions League, e o Porto, de Portugal, são os únicos não sul-americanos com patrocínio máster visível no uniforme.
Outros clubes, como Benfica (Portugal) e Pachuca (México), apresentam a marca em outros locais do uniforme, enquanto sete equipes optaram por manter a parceria com casas de apostas de forma discreta, sem exibição visual nos jogos: PSG, Real Madrid, Bayern de Munique, Manchester City, Chelsea, Juventus e Auckland City.
Exceção da FIFA no regulamento
De acordo com as regras da FIFA, as equipes só podem exibir o patrocinador principal no uniforme durante suas competições, evitando conflitos com os patrocinadores oficiais da entidade. No entanto, foi concedida uma exceção neste Mundial, permitindo que as equipes adicionem uma segunda marca na manga da camisa, desde que devidamente comunicada à organização.
Portugal lidera fora da América do Sul
Entre as ligas europeias, a Primeira Liga portuguesa é a que mais se assemelha ao cenário brasileiro. Dos 18 clubes da elite, 12 possuem patrocínios com casas de apostas, sendo que 11 estão no espaço máster dos uniformes. Estão entre eles: Sporting, Benfica, Porto, Braga, Famalicão, Vitória, Rio Ave, Arouca, Estoril Praia, Gil Vicente, Moreirense, Santa Clara e Farense.
Para Alex Rose, CEO da InplaySoft, empresa britânica especializada em plataformas de apostas, o vínculo com o futebol é uma escolha estratégica: “Clubes com grandes bases de fãs são oportunidades valiosas para marcas que buscam visibilidade e fidelização.”
Legislações diferentes impactam exposição
Na Espanha, apesar de clubes como Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao terem relações com operadoras de apostas, a legislação local proíbe a exposição de marcas do setor nos uniformes desde 2020. Tampouco é permitido que sites de apostas adquiram os naming rights dos estádios.
Já na Inglaterra, o mercado é o mais aquecido do mundo, mas passará por mudanças: a Premier League vetará patrocínios de betting na parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/27. Ainda assim, a exposição nas mangas, placas publicitárias e backdrops continuará permitida.
Na Itália, 10 dos 20 clubes da Série A possuem algum tipo de acordo com casas de apostas. Desses, apenas a Inter de Milão exibe a marca como patrocinador máster. Outros times como Milan, Juventus, Lazio e Fiorentina mantêm a parceria, mas com visibilidade reduzida.
Brasil conecta apostas à Europa
Um destaque recente foi a Reals, empresa brasileira do setor de apostas esportivas, que em abril tornou-se Parceira Regional Oficial de Apostas do Milan na América Latina. Esse é o primeiro patrocínio desse tipo realizado por uma empresa brasileira a um gigante europeu, fortalecendo o elo entre os mercados sul-americano e europeu.
Para Rafael Borges, CEO da Reals, o desafio agora é inovar nas ativações: “O espaço nas camisas está saturado e os valores inflacionados. Por isso, precisamos buscar novos formatos de exposição e retorno, e o ambiente digital tem sido uma alternativa inteligente e eficaz.”
Nos Estados Unidos, regulação estadual define o cenário
Nos Estados Unidos, a legalização das apostas esportivas ocorre em âmbito estadual, o que gera contrastes entre regiões. Por exemplo, Utah proíbe totalmente os jogos de azar, enquanto Nevada permite praticamente todas as modalidades, com exceção das loterias.
Ao todo, 38 dos 50 estados norte-americanos já regulamentaram o setor. Há ainda centenas de territórios tribais com autonomia para decidir sobre o funcionamento de atividades de apostas.
No entanto, há um crescente movimento por restrições. Nova York, por exemplo, já proibiu anúncios de apostas próximas a universidades. Em 2023, legisladores democratas apresentaram projetos de lei para vetar propaganda durante eventos esportivos ao vivo e também campanhas com atletas universitários.
Estima-se que cerca de 7 milhões de pessoas nos EUA enfrentem problemas psicológicos ou financeiros relacionados ao vício em apostas, o que tem gerado discussões sobre responsabilidade social e limites publicitários no setor.
Betano, patrocinadora oficial do Mundial
Entre os patrocinadores oficiais da FIFA para o Mundial de Clubes, a única casa de apostas presente é a Betano, de origem grega, com forte atuação no Brasil. A marca já patrocina diversos clubes nacionais e agora reforça sua exposição global por meio da competição organizada pela entidade máxima do futebol.
Com base em regulamentações distintas, níveis variados de exposição e estratégias diversificadas, as casas de apostas seguem ampliando sua presença global — e o Mundial de Clubes é mais uma vitrine para o setor que não para de crescer.

