Crescimento nos EUA e multas em Las Vegas: um panorama do mercado de jogos
O outono pode marcar o período de queda das folhas nos Estados Unidos, mas o setor de jogos vive o movimento oposto. Impulsionado pelo retorno intenso das atividades esportivas e pela consolidação do iGaming, o mercado americano alcança seu 19º trimestre consecutivo de alta. A nova edição da Carta da América chega repleta de avanços, recordes e, claro, controvérsias que movimentam o cenário regulatório.
Multas milionárias atingem gigantes de Las Vegas
Um dos temas mais comentados no setor nas últimas semanas foi a multa imposta à Caesars Entertainment. A Nevada Gaming Commission aplicou uma sanção de US$ 7,8 milhões após identificar falhas graves em procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro (AML). O caso está ligado ao apostador ilegal Mathew Bowyer, atualmente descredenciado, que teria movimentado e perdido milhões de dólares no Caesars entre 2017 e 2024.
Em 2017, Bowyer sozinho teria perdido mais de US$ 3 milhões dentro das propriedades da operadora. A comissão formalizou cinco acusações que, segundo o presidente Mike Dreitzer, representam três vezes o valor estimado que o Caesars lucrou com Bowyer ao longo dos sete anos em investigação.
O CEO da empresa, Tom Reeg, foi enfático ao reconhecer a gravidade do episódio, afirmando que o caso deixou “uma mancha no estado” e que a operadora “deveria ter identificado Bowyer” antes que a situação se agravasse.
Outras operadoras citadas no escândalo Bowyer
O Caesars não foi o único grande nome afetado pelo caso. O Resorts World desembolsou US$ 10,5 milhões após investigações semelhantes, enquanto a MGM Resorts International também recebeu uma multa de US$ 8,5 milhões em abril. As autoridades reforçaram que as avaliações de AML continuam rigorosas, principalmente após o aumento do volume financeiro movimentado pelas apostas esportivas e pelo iGaming.
Desempenho recorde: AGA confirma 19º trimestre de crescimento
Apesar das tensões regulatórias, o setor comemora números inéditos. A American Gaming Association (AGA) divulgou que a receita dos cassinos comerciais, apostas esportivas e iGaming alcançou US$ 18,96 bilhões no trimestre encerrado em 30 de setembro, uma alta de 7,2% em comparação com o ano anterior.
Este é o maior desempenho do setor em um terceiro trimestre desde o início das medições e consolida quase 90% dos estados com resultados positivos. Com esportes como NFL, College Football, NHL e NBA em plena atividade, as projeções para os meses seguintes continuam otimistas.
Panorama estadual: recordes no iGaming e nas apostas esportivas
Nova Jersey
O estado registrou receita total de US$ 611,1 milhões em outubro, crescimento de 22,3%. O iGaming obteve US$ 260,3 milhões, estabelecendo um novo recorde local, enquanto as apostas esportivas online renderam US$ 110,7 milhões. A FanDuel liderou novamente o mercado tanto no digital quanto nas apostas esportivas.
Pensilvânia
Outro gigante do iGaming, a Pensilvânia registrou US$ 250 milhões na modalidade, superando sua própria marca anterior. A receita total mensal chegou a US$ 597 milhões, com alta anual superior a 20%.
Nova Iorque
A maior vitrine das apostas esportivas no país, Nova Iorque atingiu US$ 238,7 milhões em GGR apenas em outubro. A FanDuel tornou-se a primeira operadora a ultrapassar US$ 1 bilhão em apostas no estado.
Michigan
O iGaming de Michigan acumulou US$ 278,5 milhões, crescendo 31,8% em relação ao ano anterior. As apostas esportivas renderam outros US$ 73,8 milhões, totalizando mais de US$ 15 milhões pagos em impostos.
Massachusetts
As apostas esportivas do estado alcançaram impressionantes US$ 892,2 milhões, com receita tributável de US$ 73,5 milhões. Com esse desempenho, Massachusetts agora figura como o quarto maior mercado mensal de apostas dos EUA.
Fanatics abandona regulação tradicional e mira mercados de previsão
O cenário de inovação também ganha destaque com a estratégia ousada da Fanatics. A empresa seguiu os passos de FanDuel e DraftKings e decidiu afastar-se das estruturas regulatórias tradicionais para operar em mercados de previsão – um campo ainda nebuloso do ponto de vista jurídico.
Segundo o CEO Michael Rubin, a nova plataforma, criada em parceria com a Crypto.com e validada pela CFTC, será lançada em poucas semanas. Ela atuará em até 26 estados onde a Fanatics não possui licenças de apostas esportivas, com foco em grandes mercados não regulamentados, como Texas e Califórnia.
Entretanto, reguladores têm alertado que o envolvimento em mercados de previsão pode ameaçar licenças de jogos. Esse embate promete se intensificar no curto prazo.
Maryland reforça pressão contra mercados de previsão
Seguindo o posicionamento de estados como Nevada, Ohio e Michigan, Maryland tornou-se o sétimo regulador estadual a emitir aviso formal às operadoras licenciadas. A mensagem é clara: participar de mercados de previsão é equivalente a operar apostas esportivas ilegais.
A medida reflete a crescente preocupação dos reguladores com produtos que se posicionam como previsões estatísticas, mas funcionam, na prática, como apostas encobertas.
Disputas pelas licenças de cassino em Nova Iorque
O estado de Nova Iorque está prestes a concluir o processo de concessão de três licenças para novos cassinos em seu território. Com a aproximação do prazo final, três propostas seguem com força total:
- Expansão do Resorts World New York City no Queens;
- Metropolitan Park, projeto liderado por Steve Cohen e Hard Rock, ao lado do Citi Field;
- Resort de US$ 4 bilhões da Bally’s, planejado para o antigo Trump Golf Links no Bronx.
A proposta da Bally’s chama atenção por uma particularidade: caso garantam a licença, a Organização Trump teria direito a um pagamento de aproximadamente US$ 115 milhões, previamente estabelecido em contrato.
A decisão, aguardada para os próximos meses, promete redefinir o mercado de jogos do estado e movimentar bilhões de dólares em receitas futuras.
O setor segue em expansão acelerada, marcado por recordes históricos, pressões regulatórias cada vez maiores e investimentos de grande porte. O próximo trimestre deve consolidar ainda mais o papel dos EUA como referência global em iGaming e apostas esportivas.
Fonte: iGaming Future – igamingfuture.com

