Dados oficiais desmentem críticas de Haddad

Críticas do ministro Fernando Haddad ao setor de apostas geram reações e são confrontadas com dados oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas, que mostram R$ 4,5 bilhões arrecadados e perda média de R$ 94 por apostador.

-
às

- Continua Depois do Anúncio -

Críticas de Haddad ao setor de apostas são rebatidas com dados da própria Fazenda

As recentes declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o setor de apostas esportivas e jogos online foram recebidas com surpresa por representantes do mercado regulado, que contestam as informações divulgadas durante entrevista ao canal ICL Notícias, conduzida por Eduardo Moreira.

Durante o programa, o ministro chamou o mercado de apostas de “roubada” e sugeriu que proibiria sua operação no Brasil, caso dependesse apenas de sua vontade. A fala gerou ampla repercussão, especialmente por vir do titular da pasta que abriga a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão responsável pela regulação do setor.

Setor já contribuiu com mais de R$ 4,5 bilhões

Segundo dados oficiais da SPA, o setor arrecadou nos primeiros seis meses de operação regulada:

  • R$ 2,4 bilhões em outorgas fixas
  • R$ 1,9 bilhão em tributos
  • R$ 21,4 milhões com taxas de fiscalização

O Gross Gaming Revenue (GGR)</strong) do setor gira em torno de R$ 3,2 bilhões por mês, com aproximadamente 34 milhões de apostadores ativos — segundo dados da Genial/Quaest. Isso representa uma perda média de apenas R$ 94,11 por apostador, valor inferior ao custo de um ingresso de futebol ou de um jantar fora.

Números desmentem “epidemia das bets”

A narrativa apresentada durante a entrevista, que falava em 10 milhões de viciados em apostas e R$ 30 bilhões gastos por mês, foi classificada como exagerada e descolada da realidade do setor regulado. Especialistas apontam que os valores brutos citados desconsideram a devolução de prêmios, que gira em torno de R$ 25 bilhões mensais.

“A conta é simples: se o GGR é de R$ 3,2 bilhões e o restante retorna aos jogadores, não há como sustentar o discurso de uma epidemia financeira. O que existe é má-fé ou desinformação”, pontua um executivo do setor.

Ministério admite dificuldades com dados no SIGAP

Em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação, o próprio Ministério da Fazenda reconheceu dificuldades técnicas para consolidar e validar os dados de arrecadação das bets por meio do sistema SIGAP (Sistema de Gestão de Apostas). Apesar disso, promete divulgar um relatório trimestral ainda em julho.

A falta de familiaridade do ministro com os dados do setor que ele mesmo regula gerou críticas diretas. “Se Haddad consultasse a Secretaria que fica no mesmo prédio da Fazenda, teria uma visão mais realista do impacto econômico positivo das apostas legalizadas”, ironizou um operador.

Lavagem de dinheiro? Setor contesta

Outro ponto controverso da fala do ministro foi a associação entre apostas online e lavagem de dinheiro. Para especialistas do setor, a afirmação ignora as exigências regulatórias impostas pelo próprio governo:

  • Cadastro obrigatório com CPF
  • Processo de verificação “KYC” (Conheça Seu Cliente)
  • Monitoramento seguindo padrões do GAFI, COAF e Receita Federal

Com alíquotas superiores a 38%, as apostas legais deixam de ser atrativas para fins ilícitos, de acordo com analistas de compliance. “Existem outras atividades com menos vigilância e mais margem para a lavagem de dinheiro. Associar bets a isso sem provas é irresponsável”, reforça um advogado do setor.

Zona cinzenta trouxe prejuízos — não o mercado regulado

O setor operou por anos em uma “zona cinzenta” até a regulamentação recente, o que causou perda de arrecadação e facilitou a atuação de plataformas clandestinas. Hoje, com regras claras e fiscalização, o mercado legalizado busca reverter os danos do passado e oferecer um ambiente seguro para o entretenimento dos brasileiros.

“A fiscalização ainda precisa melhorar, especialmente contra sites ilegais que não recolhem impostos e expõem os usuários. Mas culpar o setor regulado por problemas da clandestinidade é um equívoco”, destaca um representante institucional.

Hora de avançar com a regulamentação

Especialistas apontam que o debate sobre apostas deve se concentrar na implementação completa da regulamentação, incluindo regras para publicidade, limites de responsabilidade e atuação contra operadores ilegais. O setor legal já gera empregos, arrecadação e inovação — e deve ser tratado como parte da economia formal.

“Não se trata apenas de arrecadação. Estamos falando de política pública, de proteção ao consumidor e de um mercado com enorme potencial de crescimento, desde que seja bem conduzido pelo Estado”, afirma um executivo.

Onde fica a SPA?

Para quem não conhece, a Secretaria de Prêmios e Apostas funciona no 2º andar do Ministério da Fazenda e é comandada por Regis Dudena. É o órgão responsável por autorizações, fiscalização e pela formulação das diretrizes do setor de jogos e apostas no Brasil.

MAIS NOTÍCIAS DESTE AUTOR

Criptomoedas no iGaming

Veja como as criptomoedas estão revolucionando o iGaming com transações rápidas, seguras e anônimas. Descubra benefícios, desafios e tendências do mercado de jogos online.

Malta reforça liderança digital no AIBC Eurasia 2026

Maria Camilleri Calleja destaca papel de Malta na diplomacia tecnológica durante o AIBC Eurasia 2026, em Dubai. Discurso reforça cooperação internacional, Inteligência Artificial e economia digital como pilares estratégicos para o futuro do iGaming.

MAIS NOTÍCIAS

Prohards passa por PoC para operar loteria estadual do MS

A Prohards enfrenta prova de conceito para operar o software da loteria Lotesul no Mato Grosso do Sul, após desclassificação da líder Lottopro. Contrato prevê repasse de R$ 18,5 milhões e duração de 20 anos.
Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

CATEGORIAS POPULARES