Futebol brasileiro precisa de fair play financeiro e transparência para garantir equilíbrio
O futebol brasileiro vive um momento de contrastes: de um lado, contratos milionários como o patrocínio de R$ 268 milhões anuais da Betano com o Flamengo; de outro, dívidas bilionárias que ameaçam a sobrevivência de clubes tradicionais. O cenário coloca no centro do debate a necessidade urgente de fair play financeiro e maior transparência na gestão.
O desafio do equilíbrio financeiro
Entre 2019 e 2022, Flamengo e Palmeiras dominaram a Copa Libertadores, enquanto Fluminense (2023) e Botafogo (2024) foram exceções. A disparidade financeira ficou ainda mais evidente com o anúncio do contrato histórico do Flamengo, equivalente a 40% do que recebe o Manchester City, da Inglaterra.
Embora cause euforia entre os torcedores, o acordo levanta preocupações sobre o equilíbrio competitivo e reforça a necessidade de regras claras. O fair play financeiro, implementado na Europa desde 2009 pela UEFA, é exemplo de como limitar gastos acima da arrecadação garante sustentabilidade. Clubes como Milan e Bordeaux já sofreram punições severas por descumprimento.
O Brasil ainda engatinha
No Brasil, a CBF começou recentemente a discutir um modelo próprio de fair play financeiro, com participação de 34 clubes da Série A e B. A Lei Geral do Esporte já previa essa obrigação, mas até hoje ficou no papel.
“Os clubes mais endividados vão levar um tempo para se organizar”, afirmou o economista Cesar Grafietti, lembrando que dívidas de gigantes como o Corinthians, que ultrapassam R$ 1,9 bilhão, já resultaram em punições como o transfer ban imposto pela FIFA.
SAFs: solução ou ilusão?
A criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), regulamentadas em 2021, foi vista como saída para salvar clubes endividados. Contudo, casos recentes mostram fragilidades: o Vasco enfrenta problemas de gestão com a 777 Partners, e o Botafogo, parte do grupo Eagle Holdings de John Textor, teve reflexos negativos de crises no Lyon, também sob sua administração.
O caminho da transparência
Louva-se a boa gestão de clubes como Flamengo e Palmeiras, que alcançaram faturamentos anuais acima de R$ 1,3 bilhão. Mas para o conjunto da obra, o futebol precisa de mais transparência e responsabilidade. Sem equilíbrio, a competitividade está em risco.
O modelo da NBA, que alia negócios bilionários a regras rígidas de sustentabilidade e equilíbrio entre equipes, é um exemplo inspirador. O futebol brasileiro pode não copiá-lo integralmente, mas precisa urgentemente adotar mecanismos que garantam isonomia mínima.
Resumo da ópera: futebol é negócio, sim, mas não pode ser apenas caixa cheio. Transparência, regras claras e zelo pelo coletivo são fundamentais para que o espetáculo não perca a competitividade.
Fonte: BNLData – bnldata.com.br

