Segundo a apuração do Fantástico, cerca de dois meses antes do jogo Flamengo x Santos, Wander Nunes Pinto Júnior, irmão do jogador, perguntou a Bruno Henrique se ele estava com dois cartões amarelos, pedindo para avisar quando pegasse o terceiro. “Contra o Santos”, respondeu Bruno Henrique.
O irmão agradeceu e afirmou que iria guardar o dinheiro do investimento. Além disso, no dia 29 de outubro – três dias antes do jogo, o atacante perguntou a Wander Júnior se ele lembrava da conversa que tiveram anteriormente, mas o irmão de Bruno Henrique parecia não estar entendendo o questionamento.
Bruno Henrique ligou para o irmão, e a polícia disse acreditar que a ligação estaria relacionada à possibilidade de forçar o cartão amarelo, informou o G1. De acordo com as mensagens trocadas entre Bruno Henrique, Wander Júnior e familiares, as quais o Fantástico teve acesso, o irmão do atacante do Flamengo relatou à mãe estar com dificuldade de apostar após ter sido bloqueado por outra operadora – que não foi divulgada.
Mãe e filho trocaram informações confidenciais de terceiros, como CPFs, e-mails e datas de nascimento. Wander Júnior repassou, ainda, diferentes boletos de casas de apostas on-line, solicitando o pagamento dos mesmos. Isso aconteceu após a mãe de Bruno Henrique e Wander Júnior questionar se não poderia abrir uma conta nova para apostar.
Polícia Federal investiga se o irmão de Bruno Henrique operava contas abertas em nome da esposa, Ludymilla Lima.
Foram encontradas mensagens trocadas entre o casal sobre um possível pagamento referente à uma aposta realizada por Wander Júnior na conta dela. “No dia que você me deu a ideia do cartão, eu apostei R$ 3 mil para ganhar R$ 12 mil. So que até hoje ele não pagou, está sob análise. O dinheiro está todo preso lá”, disse Wander Júnior a Bruno Henrique um mês depois do jogo acontecer.
Wander Júnior relatou dificuldades financeiras, pedindo ajuda ao irmão por meio de um empréstimo. A investigação descobriu, ainda, que antes da partida foram feitas 14 apostas de 13 contas em sites diferentes, sendo seis delas criadas na véspera da competição. Além disso, a maior parte das apostas no cartão amarelo para Bruno Henrique era proveniente de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais e cidade natal do jogador, reforçando as suspeitas da polícia.
Reportagem do Fantástico sobre a investigação de Bruno Henrique no YouTube.Próximos passos:
O Ministério Público precisará decidir se irá oferecer a denúncia à Justiça, transformando os indiciados em réus. No setor esportivo, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva deverá analisar a documentação. Bruno Henrique poderá continuar jogando se não houver um pedido de suspensão preventiva. A Procuradora, ao aceitar a denúncia, poderá determinar a suspensão ou a eliminação de Bruno Henrique do futebol no final do processo.
Defesa de Bruno Henrique
A defesa alega que Bruno Henrique é conhecido por ser simples e comprometido com o esporte, tornando-o muito respeitado. Em nota, assinada por Ricardo Pieri, advogado, o atleta nunca esteve envolvido com fraudes no mercado de apostas. O Flamengo também se pronunciou sobre a situação. Ao afirmar que aguarda as investigações, o clube se comprometeu com a ética no esporte enquanto defendia a inocência de Bruno Henrique.

