Operadores miram Brasil apesar de desafios fiscais
A América Latina segue consolidada como uma das regiões mais promissoras do setor de apostas e cassinos online. Com a regulamentação oficializada no Brasil há pouco mais de sete meses, grandes empresas internacionais ampliaram seus investimentos no país. Ainda assim, questões tributárias no Peru e na Colômbia continuam a gerar dúvidas estratégicas para os operadores que desejam expandir suas operações na região.
Flutter fortalece posição no Brasil
A Flutter Entertainment fez movimentos importantes em 2024, ao adquirir 56% da NSX, controladora da marca Betnacional. A companhia também lançou a unidade Flutter Brasil, que abrange a Betfair Brasil.
A estratégia tem mostrado resultados expressivos: a receita da empresa no país saltou 144% no segundo trimestre, alcançando US$ 44 milhões. Esse crescimento compensou a queda registrada pela Betfair Brasil, afetada por resultados esportivos desfavoráveis e pelas exigências do novo processo de recadastramento via política KYC (Conheça Seu Cliente).
O CEO do grupo, Peter Jackson, destacou que o Brasil é hoje o mercado de maior expansão para a Flutter. Questionado sobre futuras movimentações na América Latina, ele reforçou que a empresa avalia oportunidades em diversos países, mas que a prioridade é consolidar a presença no Brasil com melhorias em produto e marketing.
Entain cresce no mercado brasileiro
A Entain também reportou números positivos. No primeiro semestre, a empresa registrou alta de 21% em seu NGR no Brasil, um resultado em linha com as expectativas após a transição para o mercado regulado. O desempenho foi impulsionado pelo sucesso do Campeonato Mundial de Clubes, que registrou recordes de atividade e volume de apostas.
Apesar do crescimento, a CEO Stella David apontou desafios: a necessidade de recadastramento dos clientes da Sportingbet e a elevação de impostos no Brasil impactaram o EBITDA em £28 milhões. Ela ainda alertou sobre os riscos do mercado paralelo e ressaltou que a empresa precisa ser ágil diante de potenciais aumentos no GGR e novas restrições publicitárias.
BetMGM mira 10% de participação
A BetMGM, fruto da parceria entre MGM Resorts International e o Grupo Globo, busca alcançar 10% do mercado brasileiro. O CEO Bill Hornbuckle afirmou que o lançamento da marca no país está em linha com as expectativas e que a estratégia combina forte investimento em produto e, posteriormente, em marketing.
Gary Fritz, presidente da divisão digital da MGM, destacou que a empresa iniciou ações de marketing agressivas no segundo trimestre, com indicadores positivos e perspectivas sólidas para longo prazo no Brasil.
Betsson registra recorde de receita
O segundo trimestre da Betsson foi histórico na América Latina. A empresa registrou receita de €84,7 milhões, crescimento de 35,4% em relação ao ano anterior. O Brasil, o Peru e a Argentina se consolidaram como mercados-chave para a operadora, que observou forte aumento em depósitos e atividade dos clientes.
A receita de apostas esportivas subiu de €22,3 milhões para €33,2 milhões no período, enquanto a vertical de cassino teve uma leve queda. O CEO Pontus Lindwall ressaltou que, apesar dos bons resultados, a região enfrenta pressões regulatórias e aumento de impostos.
Codere Online cautelosa com o Brasil
No México, a Codere Online obteve crescimento sólido no segundo trimestre, com receita de €29 milhões e EBITDA ajustado positivo. Porém, no Brasil a companhia segue hesitante, alegando que a entrada exigiria um alto volume de capital. Já na Colômbia, a empresa reduziu suas operações ao mínimo em função da carga fiscal temporária de 19%.
RSI aposta no México, mas sente impactos na Colômbia
A Rush Street Interactive (RSI) destacou o México como principal motor de crescimento, com aumento de 125% na receita anual e 42% mais usuários ativos mensais. O CEO Richard Schwartz afirmou que o mercado mexicano deve se tornar um dos maiores da empresa.
Na Colômbia, entretanto, a tributação pesou: apesar do aumento de 70% no GGR, a receita líquida ficou estável, já que a estratégia de bônus para compensar o IVA prejudicou a rentabilidade. A expectativa é que o cenário melhore apenas após 2025, quando o imposto expira.
Outros operadores: retração e ajustes
O Super Group, dono da marca Betway, reportou queda na receita da América Latina, que passou de US$ 9 milhões para US$ 5 milhões no segundo trimestre, após a saída do Brasil. Já a Kambi, fornecedora de tecnologia, relatou crescimento de 3,4% no volume de apostas nas Américas, com destaque para a Copa do Mundo de Clubes, que representou 80% das apostas em sua rede global.
Perspectivas para o mercado latino
O panorama mostra que, embora o Brasil seja o grande atrativo do momento, operadores enfrentam um ambiente volátil, com desafios tributários e regulatórios em diferentes países. Ainda assim, a aposta das gigantes do setor no potencial de longo prazo da região permanece firme, com estratégias que combinam investimentos em tecnologia, marketing e fusões futuras.
Fonte: iGB – igamingbusiness.com

