Setor de apostas se mobiliza para criar federação unificada diante de aumento de impostos
Frente ao aumento da carga tributária e à dificuldade de diálogo com o governo federal, empresas do setor de apostas online — incluindo operadores, prestadores de serviço e consultorias — decidiram unir forças e criar uma federação nacional para representar coletivamente seus interesses. O movimento busca inspiração na Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), conhecida por atuar de forma coesa junto ao poder público.
A proposta da nova entidade, ainda sem nome oficial, já é apelidada nos bastidores como “Febrabet”. A ideia é consolidar uma frente única para representar o setor de apostas esportivas e jogos online, que ainda enfrenta instabilidade institucional e regulatória mesmo após a regulamentação sancionada pelo governo.
Motivação: taxação e falta de representatividade
O principal estopim para a união do setor foi a recente Medida Provisória enviada ao Congresso pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que propõe o aumento da alíquota de impostos sobre as bets de 12% para 18%. A medida foi apresentada como alternativa ao decreto que elevou o IOF e provocou fortes reações entre os operadores.
Até então, o setor era representado por várias associações isoladas, o que dificultava a negociação e o encaminhamento de pleitos no ambiente político de Brasília. Com a criação da federação, a expectativa é aumentar o “poder de fogo” e negociar pautas em bloco.
Modelo inspirado na Febraban
Os idealizadores da “Febrabet” tomam como referência a atuação da Febraban, que mesmo reunindo bancos com interesses distintos, consegue articular pleitos comuns com influência significativa sobre decisões do governo. Um exemplo recente foi a reunião entre a Febraban e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que sinalizou abertura para rever o decreto do IOF após pressão institucional.
Segundo fontes do setor, a falta de uma voz unificada tem prejudicado o desenvolvimento sustentável do mercado de apostas no Brasil, que busca estabilidade após sua regulamentação. A nova federação visa preencher essa lacuna estratégica.
Empresários e lideranças envolvidas
Diversos nomes influentes do setor já foram mencionados como participantes ou apoiadores da iniciativa de formação da nova entidade. Entre eles estão:
- Amilton Noble – Hebara Distribuidora de Produtos Lotéricos
- Ana Bárbara Teixeira – Abrajogo
- Ana Clara Barros – Aidiglot
- Bárbara Teles – Stake
- Hugo Baungartner – Esportes da Sorte
- Leonardo Baptista – Pay4Fun
- Magnho José – BNLData
- Natália Nogues – Control F5
Essas lideranças representam uma diversidade de áreas dentro do ecossistema de iGaming — desde meios de pagamento e afiliados até operadoras e consultorias — o que reforça o caráter agregador da futura federação.
Primeira união formal contra aumento de impostos
De acordo com representantes do setor, esta é a primeira vez que as associações se unem formalmente em torno de um manifesto contrário ao aumento de impostos. A criação da federação é vista como um passo decisivo para consolidar um canal de diálogo direto com o governo federal, que atualmente tem priorizado medidas de arrecadação em detrimento do desenvolvimento do setor.
O mercado de apostas esportivas no Brasil tem crescido exponencialmente, e as projeções indicam uma arrecadação bilionária nos próximos anos. A preocupação das empresas é garantir que esse crescimento seja acompanhado por uma regulação justa e equilibrada, sem sobrecarga tributária que inviabilize o modelo de negócios.
Desafios da regulamentação e da unificação
Mesmo após a sanção da lei que regulamenta as apostas, o ambiente ainda é considerado frágil. Existem dúvidas sobre a fiscalização, as obrigações de licenciamento, e agora, a incerteza tributária. A nova federação poderá funcionar como um agente organizador, propondo soluções e defendendo políticas públicas sustentáveis.
Entre os desafios estão:
- Definição de um nome e estrutura oficial da federação
- Unificação de pautas entre empresas com modelos distintos
- Negociação direta com o Congresso e ministérios
- Engajamento com a sociedade e órgãos de fiscalização
Impacto para o mercado de apostas
A criação da “Febrabet” pode ser um marco para o amadurecimento institucional do setor de apostas no Brasil. A longo prazo, a federação pode estabelecer boas práticas, criar uma base técnica sólida e atuar como interlocutora legítima em discussões com o governo e a sociedade civil.
Além disso, a unificação pode fortalecer a imagem do setor, contribuindo para uma percepção mais profissional e ética das bets, e favorecendo o investimento de empresas estrangeiras no mercado nacional.
Conclusão
Diante do cenário tributário desfavorável e da falta de uma estrutura de representação forte, o setor de apostas dá um passo importante com a proposta de criação de uma federação unificada. Inspirado na força institucional da Febraban, o novo grupo busca consolidar uma voz única em defesa de um ambiente regulatório mais estável, justo e promissor para o iGaming no Brasil.
Fonte: BNLData – bnldata.com.br

