Abmes critica apostas, mas lidera marca do setor

Levantamento da Abmes aponta que 34% dos jovens adiaram a graduação por apostas, mas presidente da entidade é sócio da BateuBet. Setor critica viés da cobertura do UOL.

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Presidente da Abmes critica apostas, mas é sócio de operadora do setor

Uma pauta recente divulgada pelo UOL Notícias gerou repercussão ao relacionar o crescimento das apostas online com a decisão de jovens brasileiros de adiar a entrada no ensino superior. O curioso, no entanto, é que o próprio presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), responsável pelo levantamento, é sócio de uma operadora de apostas.

José Janguie Bezerra Diniz, que lidera a Abmes, também é sócio da EA Entretenimento e Esportes Ltda, empresa que detém a marca BateuBet, plataforma de apostas esportivas e jogos online. Essa coincidência tem gerado questionamentos sobre a imparcialidade do discurso da entidade diante do setor de apostas.

Dados do estudo destacam impacto nas decisões educacionais

O levantamento divulgado pela Abmes, em parceria com a Educa Insights, apontou que 34% dos jovens brasileiros entre 18 e 35 anos afirmaram ter adiado o ingresso em cursos de graduação em 2025 devido a gastos com apostas online.

Os números sobem em algumas regiões do país: no Nordeste, o índice chegou a 44%, enquanto no Sudeste foi de 41%. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 24 de março com 11.762 entrevistas.

Frequência das apostas entre os jovens

Segundo os dados, a maioria dos entrevistados aposta entre uma e três vezes por semana:

  • Sudeste: 41% dos jovens
  • Nordeste: 40%
  • Centro-Oeste: 32%

Dados positivos ignorados pelo UOL

Apesar do tom crítico da reportagem, alguns resultados positivos da mesma pesquisa não foram destacados pelo UOL. Um exemplo é a queda no número de pessoas que deixaram de investir em educação complementar, como cursos livres e idiomas, por comprometerem a renda com apostas.

Em setembro de 2024, esse índice era de 23,9%. Já em abril de 2025, após quatro meses da entrada em vigor da regulamentação do setor, o número caiu para 20,9%, demonstrando uma melhora após a formalização do mercado.

Críticas ao viés da cobertura jornalística

Especialistas e representantes do setor de apostas destacaram o viés evidente na cobertura da matéria, que não ouviu representantes da indústria nem trouxe um panorama equilibrado dos impactos da regulamentação.

Desde a regulamentação do setor de iGaming e apostas esportivas no Brasil, iniciada em 2023 e consolidada em 2024, dados oficiais mostram avanços como o aumento da arrecadação fiscal, geração de empregos e fortalecimento de patrocínios esportivos.

A ausência de uma abordagem mais ampla na matéria do UOL reforça uma tendência de demonização do setor, ignorando seus avanços e impactos positivos recentes.

Conflito de interesses? O caso BateuBet

O que chama atenção no contexto da pesquisa é o fato de o presidente da Abmes, responsável por divulgar os dados que criticam os efeitos das apostas, ser diretamente ligado ao setor.

José Janguie Diniz é sócio da EA Entretenimento e Esportes Ltda, dona da marca BateuBet. A plataforma atua no mercado de apostas esportivas e jogos online, um setor que, segundo o próprio levantamento da Abmes, estaria impactando negativamente as decisões educacionais dos jovens brasileiros.

A coincidência levanta debates sobre transparência, ética e possíveis conflitos de interesse na formulação e divulgação de pesquisas que influenciam a opinião pública e o debate legislativo sobre o setor.

Regulamentação trouxe avanços importantes

Desde a regulamentação das apostas no país, a arrecadação da Receita Federal com tributos do setor cresceu exponencialmente, ultrapassando R$ 3 bilhões entre janeiro e maio de 2025. Além disso, houve uma ampliação de vagas de emprego remoto em áreas como tecnologia, atendimento, marketing e compliance.

O setor segue se organizando com diretrizes técnicas, exigências fiscais e padrões internacionais, fortalecendo seu papel na economia nacional.

Conclusão

A divulgação da pesquisa pela Abmes reacende o debate sobre os impactos sociais das apostas, mas também revela uma necessidade urgente de maior equilíbrio na cobertura da mídia e mais transparência nas instituições envolvidas.

É fundamental considerar todos os dados e ouvir todas as partes interessadas para que o debate sobre o setor de apostas no Brasil seja baseado em fatos e não em narrativas unilaterais.

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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