Presidente da Abmes critica apostas, mas é sócio de operadora do setor
Uma pauta recente divulgada pelo UOL Notícias gerou repercussão ao relacionar o crescimento das apostas online com a decisão de jovens brasileiros de adiar a entrada no ensino superior. O curioso, no entanto, é que o próprio presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), responsável pelo levantamento, é sócio de uma operadora de apostas.
José Janguie Bezerra Diniz, que lidera a Abmes, também é sócio da EA Entretenimento e Esportes Ltda, empresa que detém a marca BateuBet, plataforma de apostas esportivas e jogos online. Essa coincidência tem gerado questionamentos sobre a imparcialidade do discurso da entidade diante do setor de apostas.
Dados do estudo destacam impacto nas decisões educacionais
O levantamento divulgado pela Abmes, em parceria com a Educa Insights, apontou que 34% dos jovens brasileiros entre 18 e 35 anos afirmaram ter adiado o ingresso em cursos de graduação em 2025 devido a gastos com apostas online.
Os números sobem em algumas regiões do país: no Nordeste, o índice chegou a 44%, enquanto no Sudeste foi de 41%. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 24 de março com 11.762 entrevistas.
Frequência das apostas entre os jovens
Segundo os dados, a maioria dos entrevistados aposta entre uma e três vezes por semana:
- Sudeste: 41% dos jovens
- Nordeste: 40%
- Centro-Oeste: 32%
Dados positivos ignorados pelo UOL
Apesar do tom crítico da reportagem, alguns resultados positivos da mesma pesquisa não foram destacados pelo UOL. Um exemplo é a queda no número de pessoas que deixaram de investir em educação complementar, como cursos livres e idiomas, por comprometerem a renda com apostas.
Em setembro de 2024, esse índice era de 23,9%. Já em abril de 2025, após quatro meses da entrada em vigor da regulamentação do setor, o número caiu para 20,9%, demonstrando uma melhora após a formalização do mercado.
Críticas ao viés da cobertura jornalística
Especialistas e representantes do setor de apostas destacaram o viés evidente na cobertura da matéria, que não ouviu representantes da indústria nem trouxe um panorama equilibrado dos impactos da regulamentação.
Desde a regulamentação do setor de iGaming e apostas esportivas no Brasil, iniciada em 2023 e consolidada em 2024, dados oficiais mostram avanços como o aumento da arrecadação fiscal, geração de empregos e fortalecimento de patrocínios esportivos.
A ausência de uma abordagem mais ampla na matéria do UOL reforça uma tendência de demonização do setor, ignorando seus avanços e impactos positivos recentes.
Conflito de interesses? O caso BateuBet
O que chama atenção no contexto da pesquisa é o fato de o presidente da Abmes, responsável por divulgar os dados que criticam os efeitos das apostas, ser diretamente ligado ao setor.
José Janguie Diniz é sócio da EA Entretenimento e Esportes Ltda, dona da marca BateuBet. A plataforma atua no mercado de apostas esportivas e jogos online, um setor que, segundo o próprio levantamento da Abmes, estaria impactando negativamente as decisões educacionais dos jovens brasileiros.
A coincidência levanta debates sobre transparência, ética e possíveis conflitos de interesse na formulação e divulgação de pesquisas que influenciam a opinião pública e o debate legislativo sobre o setor.
Regulamentação trouxe avanços importantes
Desde a regulamentação das apostas no país, a arrecadação da Receita Federal com tributos do setor cresceu exponencialmente, ultrapassando R$ 3 bilhões entre janeiro e maio de 2025. Além disso, houve uma ampliação de vagas de emprego remoto em áreas como tecnologia, atendimento, marketing e compliance.
O setor segue se organizando com diretrizes técnicas, exigências fiscais e padrões internacionais, fortalecendo seu papel na economia nacional.
Conclusão
A divulgação da pesquisa pela Abmes reacende o debate sobre os impactos sociais das apostas, mas também revela uma necessidade urgente de maior equilíbrio na cobertura da mídia e mais transparência nas instituições envolvidas.
É fundamental considerar todos os dados e ouvir todas as partes interessadas para que o debate sobre o setor de apostas no Brasil seja baseado em fatos e não em narrativas unilaterais.

