Felipe Mojave critica polêmica na WSOP
A sexta-feira (27) começou em clima de celebração para o poker brasileiro, com a vitória de Kelvin Kerber e Peter Patrício no evento US$ 1.000 Tag Team da WSOP 2025. Porém, o principal assunto entre os fãs internacionais do esporte mental gira em torno de uma suspeita de chip dumping no heads-up do Millionaire Maker.
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e dividiu opiniões na comunidade. Muitos defendem que Jesse Yaginuma e James Carroll, protagonistas do heads-up, não deveriam ser punidos, já que a suposta manobra não teria afetado outros jogadores eliminados anteriormente. Por outro lado, há quem veja o episódio como uma violação grave da ética do poker.
Felipe Mojave se posiciona nas redes
Um dos nomes mais respeitados do poker brasileiro, o profissional Felipe Mojave, atualmente embaixador da GGPoker, se manifestou por meio de seu Instagram, demonstrando forte indignação com a situação. Segundo ele, normalizar práticas como o chip dumping coloca em risco a imagem e a credibilidade do jogo.
“Ninguém perguntou mas tá aí. Acho que sou só eu que estou enojado com esse debate sobre o bônus de mais de 1 milhão no HU da WSOP. OPCIONAL? NÃO. Simplesmente não. O poker nunca será reconhecido como um esporte/jogo de alto nível nem vai ganhar mais popularidade se isso for considerado ‘OK’. Se você faz chip dump ou collude, em qualquer cenário, seus valores são negociáveis. AS REGRAS EXISTEM POR UM MOTIVO. Não estou nem aí para o acordo. Mas me importo com o jogo — e isso é péssimo para o jogo. Respeito todas as opiniões, especialmente de muitos amigos que pensam o contrário. Paz. Fico pensando como os jogadores recreativos enxergam isso…”
O desabafo repercutiu intensamente entre jogadores profissionais e amadores. Mojave reforçou que sua preocupação não é com os termos financeiros do acordo entre os envolvidos, mas com a integridade do jogo.
Experiência semelhante no passado
No mesmo post, Mojave relembrou um momento de sua carreira em que foi confrontado com uma proposta parecida. Segundo ele, durante seu período como Red Pro do Full Tilt Poker, havia bônus contratuais para vitórias em eventos. Em sua estreia, conquistou um anel da WSOP — o primeiro concedido fora dos EUA ou da Europa — e recusou um acordo oferecido por seu adversário na mesa final.
“Eu fui Red Pro do Full Tilt Poker, e na época, por contrato, eles pagavam bônus por vitórias em eventos. No primeiro torneio que joguei, ganhei um anel da WSOP (o primeiro já concedido fora dos EUA ou da Europa). Meu oponente me ofereceu um acordo. Recusei. Teria sido altamente benéfico financeiramente para mim naquele momento. Sem mesa da TV, nada com o que me preocupar. Só benefícios extras.”
Segundo o brasileiro, a recusa foi motivada pelo respeito ao jogo e ao que o poker representa como esporte de competição. A decisão de manter-se fiel à integridade da partida reforça sua visão crítica sobre o episódio atual.
Debate ético continua em alta
A discussão sobre chip dumping e colusão em etapas finais de torneios continua polarizando a comunidade. Parte dos jogadores acredita que, em se tratando de heads-up, acordos são parte da estratégia, e que desde que não haja prejuízo a terceiros, a prática deveria ser tolerada. Outros, como Mojave, enxergam qualquer tipo de conluio como uma ameaça à legitimidade do esporte.
Apesar da WSOP ainda não ter se pronunciado oficialmente sobre o caso envolvendo Yaginuma e Carroll, a repercussão na mídia especializada e nas redes deve pressionar por um posicionamento da organização nos próximos dias.
O episódio também levanta questões sobre a necessidade de revisão das regras para evitar brechas em situações de grande visibilidade, especialmente quando envolvem prêmios milionários e contratos de patrocínio que possam interferir na competitividade.
E você, o que pensa sobre o caso?
O debate está aberto. Para muitos jogadores recreativos, que investem tempo e dinheiro em torneios ao redor do mundo, práticas que colocam em dúvida a lisura do jogo podem ser desestimulantes. Mojave encerrou sua fala com um questionamento direto: “Fico pensando como os jogadores recreativos enxergam isso…”
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