Comunicação interna como ativo estratégico na RedCore
Em um cenário corporativo cada vez mais global e dinâmico, a comunicação interna deixou de ser apenas um canal de informação para se tornar um ativo estratégico. É o que defende Yelizaveta Suleimanova, Head de Cultura Corporativa da RedCore, em entrevista ao portal iGaming Future.
Segundo ela, o papel das comunicações internas vai muito além da divulgação de notícias. Trata-se de formar atitudes, fortalecer valores, engajar especialistas e criar um ambiente de confiança capaz de sustentar alto desempenho sem comprometer o bem-estar.
De função operacional a ativo estratégico
Para Yelizaveta, a comunicação interna evoluiu de um papel meramente informativo para um mecanismo de gestão da compreensão e da confiança. Em empresas com atuação internacional e equipes distribuídas em diferentes países, manter todos alinhados exige regras claras, sincronização constante e um campo informacional unificado.
“Não se trata apenas de saber o que está acontecendo, mas de entender por que está acontecendo, o que isso significa individualmente e como cada pessoa pode influenciar o processo”, explica.
Na RedCore, essa abordagem está diretamente conectada à cultura corporativa e aos valores do grupo empresarial, funcionando como elemento central para retenção e desenvolvimento de talentos.
Comunicação em tempos de transformação
Durante a transformação estrutural do grupo empresarial em 2025, a função de comunicação interna assumiu papel ainda mais relevante. A equipe foi responsável por manter fluxo constante de informações, garantir transparência e tornar as mudanças compreensíveis para todos os especialistas.
No período, foram lançadas cerca de 4.000 publicações e 20 novos formatos de conteúdo. Além disso, a empresa implementou treinamentos voltados ao novo modelo de trabalho e reforçou princípios estratégicos que norteiam seu desenvolvimento.
A estratégia buscou reduzir incertezas e ansiedade, traduzindo decisões e prioridades em linguagem clara e acessível.
Equilíbrio entre alto desempenho e bem-estar
Para a executiva, o bem-estar não é uma iniciativa isolada, mas resultado de um ambiente previsível, com prioridades claras e espaço para diálogo. A comunicação interna contribui para esse equilíbrio ao oferecer clareza, reconhecimento e canais de escuta ativa.
Entre as iniciativas adotadas estão webinars sobre resistência ao estresse, foco em resultados e comunicação não violenta, além de maratonas esportivas e sessões com psicólogos. Em uma dessas ações, aproximadamente 10% das equipes participaram de uma competição esportiva interna com duração de 13 dias.
O reconhecimento também desempenha papel importante: conquistas e contribuições são destacadas por meio de sistemas de pontos internos e celebrações públicas.
Erros comuns e princípios estruturais
Um dos erros mais frequentes, segundo Yelizaveta, é tratar a comunicação interna como função secundária dentro de outro departamento. Para a RedCore, ela opera com lógica de negócios própria, medindo alcance, conversão em ações e níveis de satisfação.
A estratégia é omnicanal, utilizando plataforma corporativa, mensageiros, blogs e bots para segmentar conteúdos e reduzir ruído informacional. O CEO também mantém um blog ativo, compartilhando estratégias e decisões-chave com os colaboradores.
Os resumos informativos incluem entrevistas, relatos de conferências, histórias pessoais e até conteúdos leves, como memes, para manter engajamento constante.
Comunidade, gamificação e inovação
A empresa aposta em formatos digitais interativos para fortalecer o senso de comunidade. Um dos destaques é o RedCore Day, realizado mensalmente, com missões gamificadas e recompensas internas.
Outro exemplo é a RedCore Town, cidade interativa virtual criada para integrar equipes globalmente. Em uma ação de fim de ano, especialistas completaram mais de 10 mil missões, promovendo integração cultural entre diferentes países.
O futuro da comunicação interna
Olhando para os próximos anos, Yelizaveta acredita que a inteligência artificial e a automação terão papel crescente na área, eliminando tarefas operacionais e ampliando o espaço para criatividade e diálogo estratégico.
A empresa já utiliza bots para tarefas rotineiras e investe no desenvolvimento de embaixadores internos e líderes informais, considerados peças-chave para manter engajamento em períodos de mudança.
Para a executiva, empresas que negligenciam a comunicação interna perdem uma ferramenta crucial para crescimento sustentável, cultura sólida e alinhamento estratégico. Em um mercado cada vez mais competitivo, informar já não basta — é preciso conectar, engajar e dar significado.
Fonte: iGaming Future
Autor: Curtis Roach

