Kambi mira Ásia e prevê retomada do crescimento das receitas
A Kambi está confiante em um novo ciclo de crescimento e já traça estratégias para ampliar sua presença global. O CEO da empresa, Werner Becher, afirmou que, apesar dos desafios recentes em alguns mercados, o fornecedor de tecnologia para apostas esportivas vê grandes oportunidades de médio e longo prazo, especialmente na Ásia.
Durante o terceiro trimestre, diversos operadores enfrentaram resultados abaixo das expectativas no primeiro ano de legalização das apostas esportivas no Brasil. A Kambi esteve entre as empresas impactadas, e Becher reconheceu que o desempenho no país sul-americano ficou aquém do projetado inicialmente.
Desafios iniciais no mercado brasileiro
Em entrevista concedida à iGB durante a ICE, Werner Becher destacou que o crescimento mais lento no Brasil não foi um caso isolado. Segundo ele, o mercado apresentou características inesperadas, exigindo rápida adaptação por parte dos operadores e fornecedores.
Um dos principais entraves apontados por executivos do setor foi o processo demorado de autenticação de jogos, que reduziu a oferta disponível aos jogadores nos primeiros meses de operação legalizada. Esse cenário impactou diretamente o desempenho do iGaming no país.
Além disso, Becher revelou que três fatores principais influenciaram negativamente o progresso dos parceiros da Kambi no Brasil. O primeiro deles foi o perfil dos apostadores locais.
“Uma lição interessante para nós é que o número de apostadores casuais é muito menor no Brasil do que no restante da América do Sul, enquanto o número de apostadores muito agressivos é maior”, explicou o CEO.
De acordo com Becher, esse comportamento pressiona diretamente as margens das operadoras, tornando a gestão de risco e a criação de perfis de jogadores ainda mais relevantes do que em mercados maduros da Europa.
Expectativas infladas e canalização abaixo do esperado
Outro ponto destacado pelo executivo foi o excesso de otimismo em relação ao tamanho potencial do mercado brasileiro. Segundo ele, as estimativas iniciais estavam superdimensionadas, o que gerou expectativas difíceis de serem alcançadas no curto prazo.
A canalização, ou seja, a migração dos jogadores do mercado ilegal para plataformas regulamentadas, também ocorreu em ritmo mais lento do que o previsto. Esse fator limitou o crescimento das operações legais e reduziu o impacto positivo imediato da regulamentação.
América do Sul segue como motor de crescimento
Apesar do início mais cauteloso no Brasil, a América do Sul continua sendo uma região estratégica para a Kambi. Atualmente, o continente representa cerca de 20% dos negócios da empresa.
Werner Becher reforçou que o crescimento regional é impulsionado por mercados já consolidados, como Colômbia, Peru e Argentina, além do próprio Brasil, que segue em fase de amadurecimento.
“O mercado com maior crescimento para nós hoje é a América do Sul, com nossos clientes na Colômbia, Peru, Argentina e Brasil”, afirmou.
Ásia surge como a próxima grande aposta
Olhando para o futuro, a Kambi enxerga a Ásia como a próxima grande fronteira do setor de apostas esportivas. Embora Becher admita que o impacto não será imediato, ele acredita que a região tem potencial para se tornar um dos principais polos do mercado global.
Segundo o CEO, países do Sudeste Asiático e do Leste Asiático estão no radar da empresa, com destaque para Tailândia, Vietnã e Japão. A Índia também é vista como um mercado promissor, apesar de recentes retrocessos.
“Estou muito otimista em relação à Ásia como a próxima grande novidade do nosso setor. Talvez não nos próximos três anos, mas certamente no médio e longo prazo”, disse Becher.
Ele reforçou que a Kambi mantém foco exclusivo em mercados regulamentados, evitando qualquer exposição a operações ilegais. A estratégia atual envolve a construção de relacionamentos e o desenvolvimento de oportunidades para uma entrada segura quando houver regulamentação clara.
América do Norte ainda no radar
Além da Ásia e da América do Sul, a América do Norte continua sendo uma região relevante para a Kambi. Hoje, o continente responde por quase 40% das receitas da empresa.
Becher acredita que novas oportunidades podem surgir com a eventual abertura de estados como Califórnia e Texas para as apostas esportivas legais, o que poderia impulsionar significativamente o mercado norte-americano.
Queda recente e expectativa de recuperação
A Kambi enfrentou diversos trimestres consecutivos de retração na receita, influenciada principalmente pela saída de clientes importantes que optaram por desenvolver soluções internas de sportsbook.
No terceiro trimestre, a empresa registrou receita de € 37,4 milhões, o equivalente a US$ 43 milhões, representando uma queda de 13,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Apesar do cenário desafiador no curto prazo, Werner Becher demonstrou confiança na retomada do crescimento.
“Continuaremos a enfrentar dificuldades no curto prazo, mas estamos muito otimistas. Acreditamos que estamos bem posicionados para voltar a crescer de forma consistente nos próximos dois anos”, afirmou.
Segundo o executivo, investimentos em tecnologia, novos contratos e a expansão em mercados regulamentados devem sustentar a recuperação da receita bruta da empresa.
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O conteúdo original da entrevista está disponível no portal da iGB, referência internacional em notícias do setor.
Fonte: iGB – Brasil – igamingbusiness.com
Autor: Nicole Macedo

