Mulheres no iGaming e o alerta sobre vício em apostas

Cresce a presença de mulheres no iGaming, mas também aumentam os casos de vício em apostas. Especialistas alertam para danos específicos enfrentados por jogadoras e destacam iniciativas como EPIC Restart Foundation e GamCare no Reino Unido.

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Mulheres no iGaming e o alerta sobre vício em apostas

O crescimento da presença feminina no iGaming tem chamado a atenção do mercado global. No entanto, especialistas alertam que, junto com o aumento da participação das mulheres nas apostas online, também cresce a incidência de vício em jogos de azar, exigindo abordagens mais específicas e sensíveis ao gênero.

A repórter Trilby Browne destacou recentemente o avanço desse fenômeno e os desafios enfrentados por mulheres que desenvolvem problemas relacionados ao jogo. Organizações como a EPIC Restart Foundation e a GamCare têm ampliado iniciativas voltadas ao atendimento feminino no Reino Unido.

Uma realidade que cresce em silêncio

Stacey Goodwin, hoje oficial de programas da EPIC Restart Foundation, viveu durante oito anos uma luta contra o vício em apostas. Segundo ela, a percepção de que o transtorno do jogo afeta majoritariamente homens de meia-idade ainda impede muitas mulheres de reconhecerem o problema e buscarem apoio.

Stacey foi a primeira mulher a concluir o programa da instituição, criado em 2021, e posteriormente contribuiu para a estruturação de um modelo de suporte exclusivo para mulheres. Sua experiência evidencia uma lacuna histórica no atendimento especializado.

De acordo com especialistas, mulheres frequentemente apresentam motivações diferentes dos homens para apostar. Muitas relatam utilizar o jogo como forma de escapismo diante de solidão, sobrecarga com responsabilidades familiares, dificuldades financeiras ou questões de saúde mental pré-existentes.

O efeito telescópico e a progressão acelerada

Um dos aspectos mais preocupantes identificados por profissionais da área é o chamado efeito “telescópico”. Esse termo descreve a progressão mais rápida das mulheres do uso recreativo para o jogo problemático.

Fatores sociais, emocionais e contextuais contribuem para essa evolução acelerada. Além disso, o estigma associado ao vício em apostas para mulheres costuma ser mais intenso, gerando sentimentos de culpa e vergonha que dificultam a procura por ajuda.

Laura Burke, gerente do programa feminino da GamCare, observa que muitas mulheres acreditam ter decepcionado familiares e amigos. Esse peso emocional frequentemente as leva a tentar lidar com a situação sozinhas, prolongando o sofrimento.

O papel do iGaming nesse cenário

O ambiente digital transformou profundamente a dinâmica do setor de iGaming. Para muitas mulheres, as plataformas online oferecem anonimato e acessibilidade imediata, além de maior flexibilidade para conciliar apostas com rotinas domésticas e responsabilidades de cuidado.

Essas características tornam o jogo online mais socialmente aceitável e aparentemente menos intimidante do que ambientes físicos tradicionais. Contudo, o mesmo anonimato pode ocultar sinais iniciais de danos, dificultando intervenções precoces.

Outro fator citado por especialistas é a publicidade direcionada. Campanhas de cassino online veiculadas em horários diurnos podem alcançar mulheres que permanecem em casa, muitas vezes enfrentando isolamento social ou sobrecarga emocional.

Dados globais reforçam tendência

O crescimento da participação feminina no mercado é evidente. No Reino Unido, estima-se que 46% dos jogadores online sejam mulheres. No Brasil, projeções recentes indicam que as mulheres já representam 51% do público de iGamers.

Em mercados europeus regulamentados, operadores registraram aumento anual de 18% nas inscrições femininas entre 2020 e 2024. Paralelamente, cresce o número de mulheres que procuram suporte para lidar com danos relacionados ao jogo.

O centro de reabilitação Gordon Moody relatou que o número de candidatas do sexo feminino praticamente dobrou em um ano, sinalizando maior conscientização, mas também maior incidência de casos.

Lacunas na pesquisa e necessidade de abordagem de gênero

Estudos publicados em periódicos especializados apontam que modelos tradicionais de mensuração de danos no jogo frequentemente deixam de considerar aspectos específicos da experiência feminina.

Pesquisadores defendem uma abordagem transformadora de gênero, que vá além de índices comportamentais padronizados e inclua análises interseccionais e relatos de experiências vividas. Essa perspectiva pode contribuir para políticas públicas mais eficazes e serviços mais acessíveis.

Segundo especialistas, compreender as motivações, os impactos sociais e as barreiras enfrentadas pelas mulheres é essencial para aprimorar estratégias de jogo responsável.

Espaços exclusivos e apoio direcionado

Stacey Goodwin defende a criação de espaços de recuperação exclusivos para mulheres. Para ela, ambientes dedicados aumentam a confiança e reduzem o receio de julgamento, incentivando a busca por ajuda.

Muitas usuárias da EPIC Restart Foundation relatam que recorreram ao jogo como mecanismo de enfrentamento para situações como abuso financeiro, violência doméstica, estresse emocional e alterações hormonais associadas a condições médicas.

Em grupos mistos, essas experiências podem ser mais difíceis de compartilhar. Por isso, a oferta de suporte especializado é vista como passo fundamental para ampliar o acesso ao tratamento.

Desafios para o futuro do setor

Especialistas reconhecem que o avanço do jogo online entre mulheres dificilmente será revertido. No entanto, defendem que operadores, reguladores e organizações de apoio devem adaptar estratégias de prevenção, design de produto e políticas de proteção ao consumidor.

A ampliação de pesquisas específicas, campanhas de conscientização e programas de atendimento voltados ao público feminino pode reduzir danos e promover um ambiente mais seguro.

A EPIC Restart Foundation oferece suporte gratuito a homens e mulheres no Reino Unido, enquanto a GamCare disponibiliza treinamento especializado e atendimento por telefone para pessoas afetadas pelo vício em apostas.

Fonte: iGaming Future e Autor: Trilby Browne

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Amábile Silva
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Estudante e aspirante a escritora, apaixonada por literatura e filosofia.

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