Executivo da Zenith faz balanço do primeiro ano da regulamentação do iGaming no Brasil
Após um ano da implementação oficial do novo marco regulatório para apostas esportivas e iGaming no Brasil, o mercado começa a consolidar aprendizados importantes. Em entrevista exclusiva, Gustavo Hiroshi, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Zenith, analisou os desafios enfrentados pelas operadoras, as mudanças no ambiente competitivo e as perspectivas para o futuro do setor.
A regulamentação brasileira representou um divisor de águas para o mercado de jogos online. Embora as expectativas iniciais fossem altas, especialmente em relação à agilidade na emissão de licenças e à estabilização do ambiente operacional, a realidade se mostrou mais complexa do que muitos operadores previam.
Expectativas versus realidade no primeiro ano de regulamentação
Segundo Gustavo Hiroshi, havia uma percepção generalizada de que, uma vez definidas as regras, o mercado migraria rapidamente para um cenário mais previsível. No entanto, o processo de adaptação exigiu um esforço operacional significativo, indo muito além da obtenção das licenças.
O executivo destaca que um dos principais pontos de surpresa foi a dimensão do trabalho necessário para atender aos padrões técnicos, de certificação e de relatórios exigidos pelo Brasil. Para muitas operadoras, especialmente aquelas com múltiplos sistemas e fornecedores, a adequação demandou tempo, investimento elevado e reestruturação de processos internos.
Esse cenário impactou diretamente os cronogramas de lançamento, forçando empresas a reverem prioridades, estratégias de portfólio e até expectativas de retorno no curto prazo. Como consequência, o primeiro ano foi marcado por uma curva de aprendizado acentuada e por ajustes operacionais contínuos.
Impacto da regulamentação nas operações e margens
Além dos desafios técnicos, a regulamentação também afetou as margens comerciais e a velocidade de entrada no mercado. Para Hiroshi, o novo ambiente regulado alterou profundamente a forma como as empresas operam de ponta a ponta, desde o planejamento de integração até os relatórios periódicos exigidos pelos órgãos reguladores.
Apesar das dificuldades iniciais, o executivo reforça que o mercado regulamentado oferece uma oportunidade sólida de longo prazo. A previsibilidade jurídica e a maior segurança institucional tendem a atrair investimentos mais estruturados e a profissionalizar ainda mais o setor de iGaming no país.
Como mudou a concorrência no mercado brasileiro
Antes da regulamentação, o Brasil era conhecido por um ambiente de crescimento acelerado e competição intensa baseada em volume. Atualmente, segundo o gerente da Zenith, o foco competitivo mudou significativamente.
Em vez de priorizar catálogos extensos e lançamentos rápidos, as operadoras licenciadas passaram a concentrar esforços em qualidade e execução. Fazer menos, mas com excelência, tornou-se um diferencial estratégico.
Três pilares definem a competitividade atual: curadoria de conteúdo, desempenho da plataforma e marketing altamente localizado. Jogos relevantes e populares para o público brasileiro têm prioridade sobre grandes volumes genéricos, enquanto estabilidade, baixa latência e confiabilidade técnica impactam diretamente a retenção dos jogadores.
O papel da Zenith na adaptação das operadoras
Dentro desse novo contexto, a Zenith tem atuado para simplificar a complexidade regulatória sem comprometer a conformidade. A empresa utiliza a OneAPI como principal ferramenta de agregação de conteúdo certificado e alinhado aos padrões técnicos exigidos no Brasil.
A plataforma reúne títulos de fornecedores reconhecidos, como PG Soft, Pragmatic Play, TaDa Gaming e CP Games, todos preparados para operar dentro do ambiente regulado. O trabalho conjunto com os estúdios garante que os jogos atendam às exigências locais antes de serem disponibilizados aos jogadores.
Além disso, a GamesAPI oferece uma camada adicional de flexibilidade, permitindo que as operadoras integrem seletivamente jogos ou estúdios de alta demanda, evitando a expansão indiscriminada de portfólios e mantendo custos e riscos sob controle.
Comportamento dos jogadores brasileiros após a regulamentação
De acordo com Hiroshi, as preferências dos jogadores brasileiros não passaram por mudanças drásticas no último ano. Verticais como slots, jogos com mecânicas de influência asiática e títulos com temas locais continuam apresentando forte desempenho, especialmente em dispositivos móveis.
A principal mudança está na forma de engajamento. As sessões estão mais curtas e objetivas, com jogadores buscando mecânicas claras, recompensas diretas e valor percebido de forma rápida. Isso reforça a importância de atualizações iterativas e de uma curadoria inteligente, em vez de mudanças radicais constantes no design dos jogos.
Crescimento do cassino ao vivo no Brasil
Outro destaque apontado pelo executivo é o avanço do cassino ao vivo no mercado brasileiro. Mesas com dealers que falam português têm criado uma conexão mais forte com os jogadores, aumentando a sensação de familiaridade e confiança.
À medida que a localização desse segmento evolui, a expectativa é de que o cassino ao vivo ganhe ainda mais relevância até 2026, tornando-se uma parte essencial da estratégia das operadoras no país.
Lições aprendidas no primeiro ano
Para a Zenith, a principal lição aprendida foi a necessidade de incorporar a prontidão regulatória desde o início das operações. Tratar a conformidade como uma etapa posterior se mostrou inviável em um mercado tão estruturado quanto o brasileiro.
Isso exigiu uma coordenação mais estreita entre as equipes de tecnologia, conformidade e negócios, além de flexibilidade para se adaptar às constantes interpretações regulatórias. Essa experiência passou a moldar a estratégia futura da empresa.
Conformidade e segurança como prioridades
Com a conformidade e a segurança se tornando inegociáveis, a Zenith estruturou suas plataformas para suportar apenas conteúdos certificados e aprovados dentro de um ambiente de agregação estável.
A empresa trabalha com uma lista crescente de provedores certificados pela BMM, como Pragmatic Play e TaDa Gaming, garantindo que os operadores parceiros estejam alinhados às exigências técnicas e regulatórias desde o primeiro dia de operação.
Além disso, processos de integração estruturados asseguram que novas parcerias já nasçam em conformidade com os padrões exigidos pelos órgãos reguladores brasileiros, como a Secretaria de Prêmios e Apostas.
Perspectivas para o futuro do iGaming no Brasil
Olhando para o futuro, Gustavo Hiroshi acredita que o mercado brasileiro tende a amadurecer rapidamente. A consolidação das regras, aliada à experiência adquirida no primeiro ano, deve tornar as operações mais eficientes e previsíveis.
Para empresas que investirem em conformidade, tecnologia robusta e entendimento profundo do jogador local, o Brasil segue sendo um dos mercados mais promissores do cenário global de jogos online.
Fonte: Focus Brasil e Autor: ricardoy

