Influenciadores digitais e redes sociais expõem crianças a jogos ilícitos
Um relatório especial da correspondente Lauren Harrison, publicado pela iGaming Future, revelou novas preocupações sobre o impacto dos influenciadores digitais no aumento da exposição de crianças e adolescentes a jogos de azar online. O estudo, encomendado pela GambleAware e realizado pela consultoria Social Finance, mostra que a popularidade de plataformas como TikTok, YouTube, Twitch, Instagram e Kick está criando um ambiente de risco sem precedentes.
Exposição preocupante nas redes sociais
De acordo com a pesquisa, 87% dos 634 jovens britânicos entrevistados afirmaram ter tido contato com conteúdo de jogos de azar online. Entre os tipos mais comuns de exposição, destacam-se:
- Anúncios de empresas de jogos de azar para plataformas ou cassinos;
- Promoções como apostas gratuitas, giros grátis e bônus de inscrição;
- Links compartilhados por criadores de conteúdo com códigos promocionais;
- Dicas e truques divulgados por influenciadores para apostar.
Metade dos entrevistados relatou ter visto algum tipo de anúncio, enquanto 16% afirmaram ter recebido links diretos para sites de apostas e 14% relataram acesso a estratégias de apostas divulgadas por criadores.
Normalização precoce do jogo
A CEO da GambleAware, Zoe Osmond, alerta que a exposição precoce ao conteúdo de apostas “normaliza o jogo entre crianças em idade escolar” e aumenta o risco de desenvolvimento de problemas na vida adulta. Segundo ela, as barreiras atuais, como o gating de idade, não têm funcionado de forma eficaz diante da velocidade e volume de conteúdos produzidos por influenciadores digitais.
“As crianças continuam sendo expostas ao conteúdo de jogos devido a limites embaçados entre publicidade, conteúdo editorial e postagens orgânicas de criadores. Isso, somado ao poder dos algoritmos e à inconsistência da regulamentação transfronteiriça, expõe milhões de menores a conteúdos que deveriam ser restritos”, destacou Osmond.
O papel dos influenciadores digitais
O relatório mostra que os influenciadores têm desempenhado papel central nesse processo. Mais de 16% dos jovens afirmaram ter visto criadores compartilhando links de registro, enquanto quase 20% acompanharam influenciadores comentando suas próprias experiências de apostas. Metade dos entrevistados que seguem esse tipo de criador declarou sentir-se influenciada por esse conteúdo.
Esse cenário, segundo os pesquisadores, não apenas expõe os jovens ao jogo, mas também cultiva a curiosidade e incentiva o engajamento precoce. Muitos acabam clicando em links promocionais ou visitando sites mencionados pelos influenciadores, incluindo plataformas sem regulamentação.
Expansão da exposição e riscos regulatórios
Entre 95% e 99% dos jovens entre 13 e 17 anos no Reino Unido possuem celulares, passando em média 4,5 horas por dia conectados. Entre usuários mais intensivos, esse tempo ultrapassa 10 horas diárias. Isso amplia de forma significativa a chamada “janela de exposição”, criando oportunidades constantes para que menores entrem em contato com publicidade de jogos.
Segundo estimativas, influenciadores direcionam cerca de 5 milhões de cliques por mês para sites de jogos não regulamentados, um dado alarmante para autoridades e operadores do setor. Essa prática coloca em risco a reputação das empresas, expõe crianças a danos e aumenta as pressões regulatórias em nível global.
Uma tendência que ultrapassa fronteiras
Esse problema não é exclusivo do Reino Unido. Um estudo australiano de 2024 já havia identificado que os influenciadores muitas vezes apresentam o jogo como algo “divertido” e aspiracional, borrando a linha entre entretenimento e promoção. O fenômeno é global e desafia os reguladores, que enfrentam dificuldades para diferenciar marketing disfarçado de conteúdo orgânico.
Além disso, as técnicas mais modernas de marketing digital — como anúncios gamificados, estratégias de marketing de conteúdo e inserções em transmissões ao vivo — tornam ainda mais difícil para crianças e adolescentes identificarem a natureza promocional do conteúdo.
Conclusão
A crescente influência de criadores digitais e a fragilidade das barreiras regulatórias mostram que é urgente revisar normas de publicidade e ampliar a fiscalização no setor. Como ressalta Zoe Osmond, é “inaceitável que ambientes frequentados por crianças continuem a ser inundados por conteúdos com restrição de idade”.
A indústria global de iGaming enfrenta, portanto, um dilema: equilibrar inovação e estratégias de marketing digital com a responsabilidade social de proteger os menores de idade de riscos e danos a longo prazo.
Fonte: iGaming Future – igamingfuture.com | Autor: Lauren Harrison

