Licença social para Bets

A licença social virá do compromisso público, da escuta ativa e da coragem de se apresentar como um setor legítimo do entretenimento brasileiro. Nenhuma operadora ou associação resolverá isso sozinha. O setor precisa agir agora e usar o Jogo Responsável como sua grande bandeira é como iremos garantir que este jogo possa continuar sendo jogado.

-
às

- Continua Depois do Anúncio -

O Brasil já regulamentou as apostas esportivas. A estrutura legal está estabelecida. Já são mais de setenta que pagaram R$ 30 milhões cada para operar de forma legal.

O setor se organiza para cumprir seu papel dentro das regras e há consequências para quem não as cumprir. O mercado saiu da informalidade e hoje opera com exigências claras de compliance, transparência e responsabilidade social. Cumprir a lei é um passo crucial. O desafio agora é conquistar a licença social, aquela que tem que ser conquistada todos os dias.

A confiança da sociedade não vem com decreto. Não é publicada no Diário Oficial. Ela se constrói na percepção das pessoas, na forma como o setor regulado é compreendido, na sua capacidade de dialogar com a sociedade, deixar claro os riscos do mercado ilegal e demonstrar que está aqui para fazer parte da solução. E é justamente aí que está o desafio do momento.

Historicamente, outras indústrias enfrentaram desconforto ao longo de suas trajetórias. Mas poucas precisam tanto explicar seu próprio papel para serem percebidas como legítimas.

Talvez por isso, o setor acaba de ser novamente impactado. A elevação da alíquota sobre o GGR de 12% para 18%, em um mercado que mal teve tempo de respirar desde a regulamentação, não é a primeira surpresa. E provavelmente não será a última.

Mesmo com o avanço regulatório, o setor ainda enfrenta muita resistência. Para muitos, o simples fato de as apostas existirem é um incômodo. Mas vale lembrar que apostar é um comportamento milenar, presente em praticamente todas as culturas. Quem nunca disse “quer apostar?” que atire a primeira pedra.

Justamente por isso, precisa ser encarado com maturidade, não com tabu. Sem uma resposta clara, coordenada e baseada em responsabilidade, o setor continuará vulnerável a medidas que enfraquecem sua legitimidade, mesmo sendo legalmente autorizado.

Diante desse cenário, como promover marcas de forma ética e socialmente responsável em um ambiente regulado, especialmente diante da resistência crescente à existência do setor? Parte dessa resistência é motivada por preocupações legítimas com a saúde pública. Mas também por percepções equivocadas sobre o que realmente é a indústria.

Ainda há muita gente que não sabe que existem dois mercados de apostas operando no Brasil: o legal e o ilegal. Ainda há muita gente que não sabe que o mercado ilegal não é uma exclusividade do Brasil e que também afeta a indústria regulada e apostadores em diversos outros países.

Ainda há muita gente que não sabe do domínio .bet.br e por que ele existe. Basta observar os debates recentes na CPI das Bets. Fingir que essa realidade não existe é um erro. E sufocar quem segue as regras só faz uma coisa: empurra o jogador direto para o lado de lá.

CAC alto e margem apertada formam uma equação perigosa. A única saída está em elevar o lifetime value com estratégias que priorizem retenção, recorrência e reputação. O Jogo Responsável precisa ser visto como um investimento estratégico, não como um centro de custo.

É compliance mais marketing, não apenas compliance. É uma ferramenta que fortalece marcas, diferencia operadoras, melhora a reputação do setor, aumenta a retenção de jogadores, o lifetime value e o retorno sobre investimento. É um ativo de marca e precisa ser tratado como tal.

A licença social virá do compromisso público, da escuta ativa e da coragem de se apresentar como um setor legítimo do entretenimento brasileiro. Nenhuma operadora ou associação resolverá isso sozinha. O setor precisa agir agora e usar o Jogo Responsável como sua grande bandeira é como iremos garantir que este jogo possa continuar sendo jogado.

Fonte: BNLData – bnldata.com.br

Licença social para Bets

MAIS NOTÍCIAS DESTE AUTOR

Arrecadação com apostas soma R$ 5,6 bi

O setor de apostas esportivas e jogos online arrecadou R$ 5,62 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, segundo a Receita Federal. Entenda os impactos da nova MP 1.303/25 e como a tributação deve crescer nos próximos anos.

MP 1303 pode caducar por impasse no Congresso

A MP 1.303, que propõe elevar a tributação das apostas de 12% para 18%, corre risco de caducar por falta de acordo no Congresso. O texto enfrenta impasses envolvendo o agronegócio e a cobrança sobre LCAs.

MAIS NOTÍCIAS

Prohards passa por PoC para operar loteria estadual do MS

A Prohards enfrenta prova de conceito para operar o software da loteria Lotesul no Mato Grosso do Sul, após desclassificação da líder Lottopro. Contrato prevê repasse de R$ 18,5 milhões e duração de 20 anos.
Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

CATEGORIAS POPULARES