O País convive com uma estrutura regulatória recém criada e ainda em consolidação.
A Secretaria de Prêmios e apostas do Ministério da Fazenda – SPA-MF busca afirmar seu papel técnico enquanto o ambiente político se reorganiza em discursos que desestabilizam o mercado. O cenário combina amadurecimento regulatório com pressão e volatilidade política, como evidenciado pelas reações públicas contra a Caixa Econômica Federal às vésperas do lançamento de sua plataforma de apostas.
A indústria precisa compreender que 2026 não será apenas um ano eleitoral. Será o momento em que o jogo ocupará o centro da agenda política. A legalização dos cassinos, bingos e do jogo do bicho deve ser retomada como bandeira de campanha, porém sob viés negativo. Isso significa que o debate sobre apostas e loterias deixará a esfera técnica e voltará a ser instrumentalizado como retórica política.
No Congresso Nacional já atua uma bancada contrária às bets. O setor conhece os projetos propostos para restringir atividades reguladas sem base técnica, ancorados na ideia de que operadores seriam vilões sociais. A disputa política tende a se intensificar em 2026 e a pressão sobre a indústria será aberta, direta e barulhenta nas comissões, nas audiências públicas e nos palanques eleitorais. Quem não estiver preparado para se posicionar institucionalmente será arrastado pela narrativa moralista que ainda ronda o setor.
O maior desafio da indústria será reputacional. Durante o período eleitoral, o jogo voltará a ser pauta moral. Operadores precisarão comunicar com clareza que atuam dentro da lei, sob fiscalização ativa e com práticas de jogo responsável. É hora de reforçar a imagem de um setor que arrecada, emprega, gera inovação tecnológica e cumpre função social. Quem se esconder durante a campanha deixará que outros falem por ele e permitirá que o discurso moralista volte a dominar o espaço público.
O recado para a indústria do iGaming é direto: 2026 não é ano de euforia, é ano de estratégia. O setor precisa preservar o que conquistou, consolidar sua legitimidade e se blindar contra oscilações políticas. A SPA deve ser reconhecida como órgão técnico de Estado e protegida de interferências partidárias. Já os operadores devem investir em comunicação institucional clara e efetiva. O jogo legalizado precisa continuar sendo visto como política pública, e não como inimigo moral da sociedade.
O futuro do iGaming no Brasil dependerá menos do resultado eleitoral e mais da capacidade da indústria de manter se previsível, responsável e transparente. Quem entender isso sairá de 2026 fortalecido. Quem ignorar o contexto político corre o risco de retroceder anos em credibilidade.
(*) Joberto Porto é advogado, Diretor Jurídico da CDA Gaming, Lotese e Embralote.
Fonte: BNLData – bnldata.com.br
Autor: Magno José

