Camarote 305 é fechado após operação contra rifas ilegais
A Polícia Civil da Bahia interditou o Camarote 305, ligado ao influenciador Diogo 305, após investigação sobre rifas online suspeitas de lavar dinheiro do tráfico de drogas.
O tradicional Carnaval de Salvador, um dos maiores eventos populares do mundo, começou com uma operação policial de grande repercussão. Na véspera da festa, a Polícia Civil da Bahia interditou um camarote de luxo localizado no circuito Barra-Ondina. O espaço pertence ao influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido nas redes sociais como Diogo 305, investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro por meio da comercialização de rifas online.
A estrutura, com capacidade para 825 pessoas, distribuída em três pavimentos e equipada com três palcos e 14 painéis de LED, foi lacrada antes mesmo da chegada dos convidados. A decisão faz parte de uma investigação mais ampla que apura movimentações financeiras atípicas ligadas a organizações criminosas.
Operação Falsas Promessas e investigação do Draco
As apurações começaram ainda em 2024, quando o Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco) identificou transações suspeitas entre traficantes de diferentes estados e influenciadores digitais que promoviam rifas nas redes sociais.
De acordo com o diretor do Draco, Fábio Lordelo, uma transferência financeira relacionada à aquisição de uma aeronave acendeu o alerta dos investigadores. A partir desse momento, foi instaurado um procedimento específico para analisar a origem dos recursos movimentados por Diogo 305.
A chamada Operação Falsas Promessas passou a monitorar o fluxo de capital envolvendo os investigados, resultando no bloqueio de aproximadamente R$ 125 milhões em ativos financeiros supostamente ligados ao grupo.
Compra de avião e ostentação nas redes sociais
Entre os elementos que reforçaram as suspeitas está a compra de um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões, realizada em conjunto com Manuel Ferreira da Silva Filho, já indiciado por lavagem de dinheiro. A aquisição levantou questionamentos sobre a origem dos valores utilizados na negociação.
Nas redes sociais, o influenciador exibia prêmios de alto valor, como veículos avaliados em centenas de milhares de reais, cavalos de raça e outros bens de luxo. Segundo a polícia, a estratégia envolvia a venda de rifas por valores extremamente baixos, chegando a seis centavos por número, o que pulverizava as transações e dificultava o rastreamento dos recursos.
No universo do iGaming e das promoções online, a legalidade das ações promocionais é tema constante de debate. A legislação brasileira permite sorteios e rifas apenas em situações específicas, principalmente quando vinculadas a fins filantrópicos ou previamente autorizadas pelos órgãos competentes, como a Secretaria de Prêmios e Apostas.
Apreensões e prisão preventiva
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na residência do influenciador, situada em um condomínio de alto padrão com vista para o mar em Salvador, os agentes localizaram cerca de R$ 125 mil em espécie. Também foram apreendidos aproximadamente dez veículos de luxo, incluindo uma Lamborghini avaliada em mais de R$ 4 milhões.
Além dos automóveis, a operação resultou na apreensão de uma pistola 9 mm, munições de calibres 556 e 9 mm, carregadores de fuzil, caixas de bebidas importadas, eletrônicos lacrados e outros bens de alto valor.
| Itens Apreendidos | Quantidade |
|---|---|
| Veículos de luxo | 10 |
| Dinheiro em espécie | R$ 130 mil (aprox.) |
| Munições 556 e 9 mm | 1.000 unidades |
| Carregadores de fuzil | 5 |
| Aeronave | 1 (avaliada em R$ 10 milhões) |
Segundo a delegada Emily Figueiredo, responsável pelo caso, o investigado tentou deixar o local ao perceber a chegada dos policiais, mas foi interceptado em uma rodovia. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
Uso do camarote pela polícia durante o Carnaval
Após a interdição, a Justiça autorizou que o espaço seja utilizado como ponto estratégico de observação policial durante o Carnaval. A localização privilegiada, com vista para o circuito, permitirá o monitoramento por drones e reforçará as ações de segurança pública.
De acordo com informações divulgadas pela própria Polícia Civil da Bahia, a investigação segue em andamento para verificar se os prêmios anunciados nas rifas eram de fato entregues aos vencedores ou se haveria simulações de entrega para dar aparência de legalidade às operações.
Impacto no setor e debate sobre regulamentação
O caso reacende o debate sobre práticas irregulares envolvendo rifas e sorteios digitais no Brasil. Em meio ao avanço da regulamentação das apostas esportivas e jogos online, temas ligados à legislação e ao controle de operações financeiras ganham ainda mais relevância.
Especialistas alertam que promoções comerciais e sorteios devem seguir critérios rígidos de transparência, autorização e prestação de contas. Quando realizadas fora desses parâmetros, podem configurar contravenção penal e até mesmo crimes mais graves, como organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A operação também cumpriu mandados contra outros 13 investigados nas cidades de Salvador, Camaçari, Feira de Santana, São Paulo e São Bernardo do Campo. O bloqueio milionário de ativos reforça a dimensão do suposto esquema.
As defesas de Diogo Santos de Almeida e de Manuel Ferreira da Silva Filho não foram localizadas até o fechamento desta reportagem. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão do caso.
O episódio serve de alerta tanto para influenciadores quanto para consumidores que participam de rifas online sem verificar a legalidade da iniciativa. Em um cenário de maior fiscalização e regulamentação do mercado, práticas irregulares tendem a ser cada vez mais monitoradas pelas autoridades.
Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

