Donos da Betfred lideram ranking de maiores pagadores de impostos no Reino Unido
Os irmãos Fred e Peter Done, fundadores e proprietários da casa de apostas Betfred, alcançaram o topo da lista dos maiores contribuintes fiscais do Reino Unido. Segundo levantamento divulgado pela Sunday Times, a dupla desembolsou mais de 400 milhões de libras em impostos, consolidando o setor de apostas como um dos grandes arrecadadores do país.
O estudo revelou que os proprietários da Betfred pagaram exatamente 400,1 milhões de libras em tributos, ocupando a primeira colocação entre os 100 maiores contribuintes individuais do Reino Unido. Aproximadamente metade desse montante está diretamente ligada a impostos sobre jogos e apostas, evidenciando o peso do mercado iGaming na arrecadação britânica.
Tributação sobre apostas impulsiona liderança da Betfred
O levantamento, publicado no início de fevereiro, detalha como o segmento de apostas esportivas e jogos contribuiu de forma significativa para os cofres públicos. A Betfred, uma das maiores operadoras do país, atua tanto no ambiente físico quanto no digital, o que amplia sua base de arrecadação e impacto fiscal.
Os dados reforçam a importância da regulamentação e da fiscalização exercida pelo HM Revenue & Customs (HMRC), órgão responsável pela arrecadação de impostos no Reino Unido. Informações oficiais podem ser consultadas diretamente no site do HMRC, que acompanha de perto setores considerados estratégicos para a economia.
JD Wetherspoon e Tim Martin também se destacam
Na oitava posição do ranking aparece Tim Martin, fundador da tradicional rede de pubs JD Wetherspoon. O empresário contribuiu pessoalmente com cerca de 200 milhões de libras em impostos. Martin detém 26,7% das ações da companhia, que, somadas, resultaram no pagamento de mais de 837,1 milhões de libras em tributos variados.
Entre os impostos recolhidos pela rede estão o imposto corporativo e o VAT (equivalente ao IVA). A JD Wetherspoon opera atualmente 794 estabelecimentos no Reino Unido, o que representa uma média superior a 1 milhão de libras em impostos pagos por pub.
Conhecido por seu posicionamento favorável ao Brexit, Tim Martin já criticou publicamente a política de cobrança de IVA sobre alimentos vendidos em bares, destacando a diferença em relação aos supermercados. Ainda assim, o empresário reconhece o papel do sistema político na definição das regras tributárias. “Não posso reclamar do nível de tributação. Os partidos apresentam as suas propostas e os eleitores decidem”, afirmou.
Dados fiscais e metodologia do levantamento
A compilação da Sunday Times considerou informações fiscais disponíveis até 10 de janeiro de 2026. O estudo leva em conta diferentes tipos de tributos, como impostos corporativos, dividendos, ganhos de capital e taxas específicas de setores como jogos e bebidas.
A publicação ressalta que o ranking não contempla a totalidade dos impostos pagos por cada indivíduo, nem reflete de forma integral a situação fiscal de residentes não britânicos. A metodologia utiliza dados públicos de empresas e a participação societária de cada contribuinte.
Compromisso dos irmãos Done com o Reino Unido
Aos 78 anos, Peter Done demonstrou interesse em manter seus investimentos no Reino Unido, mesmo diante de um cenário de debates intensos sobre aumento de impostos e migração de grandes fortunas para países com menor carga fiscal.
Em entrevista à Sunday Times, Done destacou o compromisso com a economia local: “Devemos isso a este país. Existe uma obrigação de quem ganha dinheiro aqui pagar impostos aqui. Fred e eu pretendemos continuar no Reino Unido”.
Êxodo de milionários e impacto na arrecadação
A oitava edição da lista coincide com um movimento crescente de saída de pessoas ricas da Grã-Bretanha. Segundo o levantamento, diversos nomes presentes no ranking anterior mudaram sua residência fiscal para jurisdições offshore, como Jersey, Guernsey, Mônaco e Portugal.
Ao todo, 14 dos contribuintes listados atualmente vivem fora do Reino Unido. Entre eles estão os irmãos bilionários Ian e Richard Livingstone, que deixaram o país no ano anterior e se estabeleceram em Mônaco.
Celebridades também figuram entre os maiores contribuintes
No segmento de celebridades, o cantor Harry Styles lidera com uma contribuição estimada em 24,7 milhões de libras, ocupando a 54ª posição geral. A maior parte desse valor está associada à Erskine Records, empresa responsável por suas turnês e produtos oficiais.
Logo atrás aparece Ed Sheeran, com aproximadamente 20 milhões de libras em impostos pagos, após receber dividendos de 41 milhões no ano anterior. O músico reforçou seu compromisso fiscal ao afirmar que continuará pagando impostos no Reino Unido, onde reside.
A escritora JK Rowling também integra o ranking, com pagamento estimado em 47,5 milhões de libras em impostos. Sua contribuição supera, inclusive, a de diversos atletas e empresários listados.
Esporte, varejo e tecnologia no top 100
O jogador Erling Haaland, do Manchester City, é o mais jovem entre os 100 maiores contribuintes. Ele ocupa a 72ª posição, com impostos estimados em 16,9 milhões de libras, provenientes de um salário semanal superior a £500 mil, além de direitos de imagem e bônus.
O top 10 do ranking ainda inclui nomes de peso do mercado financeiro e varejista, como Alex Gerko, Chris Rokos, Peter Hargreaves, Mike Ashley (fundador da Sports Direct), Tom Morris (Home Bargains), a família Perkins (Specsavers) e Stephen Rubin, acionista relevante da JD Sports e da marca Speedo.
Alta renda sustenta arrecadação britânica
Dados oficiais do HMRC indicam que o 1% mais rico do Reino Unido, composto por pessoas com renda anual antes de impostos superior a £219 mil, foi responsável por cerca de 26,6% de todo o imposto de renda arrecadado no ano fiscal atual.
Esse percentual representa uma queda em relação aos 30,7% registrados em 2021-2022, movimento atribuído principalmente ao congelamento das faixas do imposto de renda. Ainda assim, o grupo de alta renda segue sendo fundamental para o equilíbrio fiscal do país.
O desempenho dos irmãos Done e da Betfred reforça como o setor de apostas permanece central no debate sobre empresas, tributação e sustentabilidade econômica, especialmente em um contexto de transformações regulatórias e mobilidade internacional de grandes fortunas.
Fonte: BNL Data e Autor: Magno José

