Guru de Las Vegas alerta sobre impostos mercados preditivos e Trump Slump

Rick Arpin, sócio da KPMG em Las Vegas, analisa os desafios do iGaming nos EUA, incluindo impostos elevados, mercados de previsão, crise de visitantes em Vegas e o futuro dos cassinos online.

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Guru de Las Vegas alerta sobre impostos mercados preditivos e Trump Slump

O mercado de jogos dos Estados Unidos vive um momento de fortes contradições. Enquanto resorts de cassino, apostas online e plataformas digitais crescem em alcance, o setor também enfrenta ameaças relevantes, como a ascensão dos mercados de previsão, o aumento agressivo da carga tributária e a desaceleração recente de Las Vegas, fenômeno apelidado por alguns analistas de “Trump Slump”.

Para entender melhor esse cenário complexo, a correspondente Lauren Harrison conversou com um dos nomes mais respeitados do setor: Rick Arpin, sócio-gerente da KPMG em Las Vegas e veterano da indústria de jogos nos EUA. Natural da cidade e com mais de 25 anos de experiência, sendo 15 deles no MGM Resorts, Arpin compartilhou sua visão estratégica durante um encontro exclusivo no ICE Barcelona.

Mercados de previsão e o choque com a regulamentação estadual

Um dos temas centrais da conversa foi a explosão dos chamados mercados de previsão no ecossistema de jogos dos EUA. Essas plataformas, que operam sob supervisão federal, passaram a oferecer apostas esportivas de forma indireta em todos os 50 estados, o que gerou forte reação de reguladores estaduais e entidades tribais.

Segundo Rick Arpin, o crescimento acelerado desses mercados criou um ambiente de tensão e incerteza jurídica. Mais de uma dúzia de disputas legais já estão em andamento, e a divisão entre os stakeholders da indústria é cada vez mais visível.

“Algo precisa ceder em algum momento”, afirmou Arpin. Para ele, a situação atual não é sustentável no longo prazo e deve ser resolvida por meio de decisões judiciais, mudanças regulatórias, pressão dos operadores licenciados ou até mesmo pela opinião pública. O que mais chama atenção, segundo o executivo, é a velocidade com que o tema se tornou central no debate do iGaming norte-americano.

Impostos mais altos e o risco para a sustentabilidade do mercado

Outro ponto crítico destacado por Arpin é a escalada das taxas de impostos sobre apostas esportivas nos Estados Unidos. À medida que o setor amadurece, muitos estados abandonam políticas iniciais mais flexíveis e adotam modelos fiscais mais agressivos.

O estado de Illinois se tornou um dos exemplos mais citados, após implementar uma tributação progressiva que pode chegar a 40% do GGR, além de uma sobretaxa por aposta realizada. Para Arpin, esse tipo de abordagem coloca em risco a viabilidade do negócio.

“Algumas jurisdições estão indo longe demais e deixando os operadores sem espaço para respirar”, alertou. Ele defende que, em situações extremas, a saída de operadores de determinados mercados pode ser a única forma de demonstrar o impacto negativo dessas políticas.

Na visão do executivo da KPMG, a raiz do problema está na falta de compreensão política sobre o funcionamento do setor. O jogo ainda é visto como uma “indústria do pecado”, o que facilita aumentos de impostos sem uma análise aprofundada das consequências econômicas e sociais.

Qual seria a taxa ideal?

Rick Arpin defende que uma carga tributária mais equilibrada, entre 15% e 20%, seria suficiente para gerar receitas relevantes aos governos, ao mesmo tempo em que permite investimentos, inovação e concorrência saudável entre operadores.

“Quando se ultrapassa a marca dos 40%, entramos em um território perigoso”, afirmou. Segundo ele, experiências internacionais mostram que impostos excessivos acabam fortalecendo o mercado não regulamentado, prejudicando consumidores, operadores e o próprio fisco.

Trump Slump e o momento de Las Vegas

Nos últimos 12 meses, Las Vegas registrou queda no número de visitantes e uma volatilidade maior nas receitas dos cassinos. Apesar disso, Arpin não enxerga o cenário como uma crise estrutural.

Para ele, a cidade enfrenta uma “tempestade perfeita” de fatores de curto prazo, incluindo anos consecutivos de aumento de preços, tarifas mais altas, custos trabalhistas elevados e desafios persistentes no pós-pandemia.

“Isso é cíclico, não estrutural”, explicou. O executivo lembra que Las Vegas tem um histórico único de reinvenção e segue como um dos destinos turísticos mais resilientes do mundo, com forte poder de marca, infraestrutura robusta e entretenimento incomparável.

iCasino cresce, mas expansão deve ser limitada

Embora o Maine tenha se tornado recentemente o oitavo estado a legalizar cassinos online, Rick Arpin não acredita em uma nova onda de expansão acelerada do iCasino nos EUA em 2024.

Segundo ele, qualquer avanço no curto prazo pode ocorrer de forma indireta, impulsionado pela pressão competitiva criada pelos mercados de previsão, e não por um movimento político tradicional.

A resistência cultural ainda é forte. Enquanto as apostas esportivas já fazem parte da cultura americana, a ideia de ter uma slot machine no celular ainda enfrenta barreiras sociais e políticas.

Canibalização ou oportunidade omnichannel?

O temor de que os cassinos online canibalizem os empreendimentos físicos continua sendo um dos principais argumentos contra a expansão digital. Arpin reconhece que existem dados confiáveis em ambos os lados do debate, mas acredita que o foco excessivo nesse medo faz o setor perder oportunidades.

“Os clientes estão deixando claro como querem consumir entretenimento”, afirmou. Ignorar esse comportamento, segundo ele, não protege o negócio, apenas o enfraquece.

Para o executivo, operadores terrestres estão em posição privilegiada para liderar um modelo omnichannel, aproveitando marcas consolidadas, grandes bases de dados e destinos físicos. Quando bem executados, os canais online e offline podem se complementar em vez de competir.

O que vem pela frente para o mercado de jogos nos EUA

Diante de um ambiente cada vez mais ruidoso, com inteligência artificial, mercados de previsão, sorteios, criptomoedas e novos verticais surgindo ao mesmo tempo, Rick Arpin aconselha foco e disciplina estratégica.

“O maior conselho que temos dado aos clientes é eliminar o ruído e olhar para dentro”, destacou. Para ele, operadores precisam primeiro entender profundamente sua base de clientes, estrutura de custos, tecnologia e exposição regulatória antes de apostar em novas tendências.

Flexibilidade continua sendo essencial, mas nem toda inovação merece investimento imediato. Em um mercado tão dinâmico quanto o dos jogos nos EUA, saber onde não investir pode ser tão importante quanto identificar a próxima grande oportunidade.

Para mais informações institucionais e regulatórias, consulte também fontes oficiais como o Governo Federal e análises internacionais do setor publicadas pelo iGaming Future.

Fonte: iGaming Future – igamingfuture.com
Autor: Lauren Harrison

Guru

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Amábile Silva
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Estudante e aspirante a escritora, apaixonada por literatura e filosofia.

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