Flávio Bolsonaro critica jogos, mas visita cassinos

Mesmo se posicionando contra a legalização de bingos e cassinos no Brasil, Flávio Bolsonaro visitou casas de jogos nos EUA e defendeu investimentos estrangeiros no setor durante viagens oficiais.

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Flávio Bolsonaro critica legalização dos jogos, mas frequenta cassinos nos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a se manifestar publicamente contra a legalização dos jogos no Brasil. Na última quarta-feira (2), o parlamentar compartilhou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) uma nota repudiando o avanço do projeto de lei que propõe a regulamentação de bingos, cassinos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalo no país.

Entretanto, apesar da postura contrária à legalização dos jogos de azar em território nacional, o senador tem um histórico de visitas a cassinos no exterior, especialmente nos Estados Unidos. A coluna de Andreza Matais, no portal Metrópoles, revelou que Flávio costuma frequentar casas de apostas norte-americanas, como o Seminole Hard Rock Hotel & Casino, em Miami.

Viagem a Miami com visita a cassino

Em janeiro deste ano, Flávio esteve em Miami, onde participou de uma noite no cassino do Hard Rock Hotel. Acompanhado do advogado Willer Tomaz, o senador foi flagrado em uma sala VIP do local, onde Tomaz sacou a quantia de US$ 236 mil em espécie, conforme apurou o colunista Lauro Jardim, de O Globo.

O episódio chamou atenção por contradizer a postura pública do senador contra a regulamentação de jogos no Brasil, especialmente considerando o valor movimentado durante a visita.

Comitiva oficial visitou Las Vegas em 2020

Em janeiro de 2020, durante os primeiros meses do governo Bolsonaro, Flávio participou de uma missão oficial nos Estados Unidos. Na ocasião, ele viajou a Las Vegas acompanhado do então presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, e do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ). A viagem foi custeada com recursos do Senado Federal.

Durante a visita, a comitiva teve encontros com representantes de grandes empresas do setor de jogos, incluindo Rob Goldstein, CEO da Las Vegas Sands Corporation, e Andy Abboud, vice-presidente de Relações Governamentais da mesma companhia. Também participaram de audiência com o Conselho de Controle de Jogos de Nevada e da 42ª edição da Shot Show, maior feira de armamentos do mundo, realizada no Sands Expo Center.

Encontro com Sheldon Adelson

O grupo ainda se reuniu com Sheldon Adelson, um dos maiores magnatas do setor de cassinos (falecido em 2021). No Instagram, Flávio publicou vídeos da reunião e comentou o potencial de atração de investimentos estrangeiros no Brasil, caso o país avançasse na regulamentação de resorts integrados com cassinos.

“Investimentos estrangeiros: mais turistas, mais empregos para brasileiros. O CEO do grupo nos revelou que o interesse número 1 deles é o Brasil. Estão dispostos a investir US$ 15 bilhões já em 2020, basta fazermos nosso dever de casa”, escreveu o senador na legenda.

Defesa da legalização em 2020

Durante o mesmo período, Flávio Bolsonaro chegou a defender a legalização dos jogos como uma medida estratégica para impulsionar o turismo nacional. Em outra publicação, o senador lamentou o número reduzido de turistas no Brasil e destacou a importância dos resorts integrados, citando exemplos como os de Singapura:

“O Brasil recebe 6,6 milhões de turistas por ano, menos que o elevador da Torre Eiffel. Precisamos oferecer mais atrativos e segurança jurídica para atrair turistas e investidores estrangeiros. Resorts integrados geram milhares de empregos e fomentam uma cadeia produtiva em curto prazo”, afirmou na ocasião.

Visita às obras do Allegiant Stadium

Durante a estadia em Las Vegas, os membros da comitiva também visitaram as obras do Allegiant Stadium, casa do time de futebol americano Las Vegas Raiders. Gilson Machado, então presidente da Embratur, compartilhou nas redes sociais fotos da visita e comentou sobre a burocracia reduzida para investimentos nos Estados Unidos.

Bancada evangélica se posiciona

Apesar da agenda oficial e das declarações positivas sobre o setor, o apoio do senador à regulamentação dos jogos de azar não encontrou eco entre os parlamentares da bancada evangélica. Silas Câmara (Republicanos-AM), coordenador do grupo na Câmara, minimizou o envolvimento de Flávio com o tema:

“Acho difícil aprovar a regulamentação, pois o presidente Bolsonaro sempre teve um discurso em defesa da família e contra os jogos de azar. Quem preza pela integridade não apoia esse tipo de prática”, disse Câmara à época.

Voto contra na CCJ e nota de repúdio

O projeto de lei que prevê a legalização dos jogos avançou no Senado em 2024. Durante a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Flávio Bolsonaro votou contra o texto, que acabou sendo aprovado por 14 votos a 12.

Na última quarta-feira, o senador compartilhou uma nota assinada pelo Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que manifesta preocupação com os possíveis impactos sociais da legalização, como o aumento da ludopatia (vício em jogos), endividamento familiar e criminalidade.

“Nota de repúdio à aprovação da jogatina!”, escreveu o senador, reafirmando sua posição contrária.

Próximos passos do projeto

Atualmente, o projeto aguarda votação no plenário do Senado. Segundo parlamentares envolvidos na pauta, há possibilidade de apreciação do texto ainda na próxima semana, antes do recesso legislativo, previsto para 18 de julho.

Como a proposta já passou pela Câmara dos Deputados, caso seja aprovada também no Senado, seguirá para sanção presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá a palavra final sobre a regulamentação de jogos como cassinos, bingos, jogo do bicho e corridas de cavalos em território nacional.

A reportagem do portal Metrópoles tentou contato com o senador Flávio Bolsonaro, mas não obteve resposta até o momento.

Contradição nas posturas

A postura do senador chama atenção pela contradição entre suas ações no exterior e os discursos no Senado. Em 2020, ele exaltava os benefícios da legalização dos jogos para o turismo e geração de empregos. Já em 2025, critica a medida e se alinha com grupos religiosos para barrar o projeto.

Como figura pública e pré-candidato à reeleição em 2026, o comportamento de Flávio Bolsonaro gera debates sobre coerência política e interesses econômicos relacionados à regulamentação do setor de jogos no Brasil.

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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