Aumento de imposto nas bets pode gerar perda bilionária

Setor de apostas estima prejuízo de até R$ 2,8 bilhões caso o governo eleve a alíquota do imposto sobre as bets para 18%. ANJL alerta para fuga de operadores e perda de arrecadação.

-
às

- Continua Depois do Anúncio -

Setor de apostas prevê perda de R$ 2,8 bilhões com aumento de imposto

A proposta do governo federal de elevar a alíquota do imposto sobre apostas online de 12% para 18% vem sendo duramente criticada pelo setor de apostas esportivas. Segundo estimativas da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), a medida pode resultar em uma perda de até R$ 2,8 bilhões em arrecadação pública, devido à desistência de operadores em buscar a regulamentação no Brasil.

O cálculo considera as 289 solicitações de autorização atualmente em tramitação na Secretaria de Prêmios e Apostas. Caso a carga tributária seja elevada, muitas dessas empresas poderiam abandonar o processo de licenciamento, provocando a perda de R$ 2,4 bilhões apenas com taxas de outorga. Outros R$ 400 milhões deixariam de ser recolhidos em depósitos de títulos públicos federais, exigidos no processo de legalização.

Impacto na regulamentação e insegurança jurídica

De acordo com a ANJL, o setor foi surpreendido pela proposta do governo apresentada por meio de uma medida provisória em junho, como forma de compensar a derrubada da proposta de aumento no IOF. A entidade argumenta que a nova alíquota de 18% representa uma quebra da segurança jurídica, já que a alíquota de 12% havia sido aprovada na própria lei de regulamentação do mercado de apostas, em vigor desde o início de 2025.

Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, avalia que a estratégia do governo pode ter efeito inverso ao esperado. Em vez de ampliar a arrecadação, ela pode afugentar empresas interessadas em operar legalmente no Brasil, além de colocar em risco a renovação de licenças de operadoras já em atividade.

“Estamos em um ponto delicado. Se o governo insiste em elevar impostos para quem está regulado, o mercado ilegal acaba ganhando vantagem competitiva. Empresas que pensavam em vir para o Brasil podem simplesmente recuar”, afirmou o dirigente.

Setor aponta riscos de evasão e perda de competitividade

Estudos apresentados pela ANJL e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) indicam que entre 60% e 70% das atividades de apostas no país ainda ocorrem por meio de plataformas não licenciadas. O temor do setor é de que a elevação tributária estimule ainda mais esse tipo de operação clandestina, enfraquecendo o mercado regulado.

Segundo a ANJL, o valor de R$ 2,8 bilhões em perdas potenciais é superior à arrecadação obtida com todo o mercado entre janeiro e maio deste ano. Isso reforça a preocupação de que o impacto da medida possa ser mais negativo do que as previsões de ganho imediato para os cofres públicos.

Declarações do ministro Haddad geram reações

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou recentemente a necessidade de elevar impostos sobre as bets afirmando que essas empresas “fazem fortuna no Brasil, gerando muito pouco emprego e mandando para fora o dinheiro arrecadado aqui”. A declaração gerou forte reação do setor.

Plínio Lemos Jorge respondeu, dizendo acreditar que o ministro se referia às empresas não licenciadas, que de fato não contribuem com impostos e não oferecem contrapartidas sociais. “Quando o ministro fala das empresas lá fora, significa que são empresas que não têm licença no Brasil”, rebateu o presidente da ANJL.

Alternativas sugeridas pelo setor

Como alternativa ao aumento da alíquota, as entidades defendem que o governo concentre esforços em atrair operadores ilegais para o mercado regular. Para isso, seria necessário um ambiente estável, com regras claras e cargas tributárias justas que incentivem a regularização voluntária.

“O governo tem a chance de ampliar a arrecadação se facilitar o processo de legalização. Há centenas de empresas interessadas em atuar no Brasil dentro das regras, mas esse movimento pode ser frustrado por decisões que aumentam a incerteza regulatória”, completou Lemos Jorge.

Enquanto o impasse continua, ANJL e IBJR planejam entregar nesta semana um relatório detalhado ao ministro Haddad com todas as estimativas de impacto e sugestões para viabilizar o crescimento sustentável do setor de apostas reguladas.

Para acompanhar mais notícias sobre apostas esportivas e atualizações sobre legislação no setor, continue acessando a Conexão Bet.

MAIS NOTÍCIAS DESTE AUTOR

MAIS NOTÍCIAS

Prohards passa por PoC para operar loteria estadual do MS

A Prohards enfrenta prova de conceito para operar o software da loteria Lotesul no Mato Grosso do Sul, após desclassificação da líder Lottopro. Contrato prevê repasse de R$ 18,5 milhões e duração de 20 anos.
Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

CATEGORIAS POPULARES