CPI do INSS cita Corinthians em caso de bets e honorários
Um imbróglio envolvendo contratos de patrocínio com duas casas de apostas colocou o Corinthians nos registros sigilosos da CPI do INSS, comissão que investiga descontos irregulares em aposentadorias e benefícios previdenciários. O caso foi revelado em reportagem da Folha de S.Paulo e repercutiu nesta quinta-feira (30).
O clube paulista não é alvo de investigação, mas aparece em um relatório sigiloso do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) devido a uma transferência de R$ 4 milhões feita ao escritório Nelson Wilians Advogados, um dos investigados pela comissão parlamentar.
Transferência ligada à rescisão com a PixBet
Segundo a assessoria do Corinthians e do advogado Nelson Wilians, o valor transferido se refere ao pagamento de honorários advocatícios. O escritório representou a PixBet em uma disputa contratual com o clube.
A PixBet foi patrocinadora oficial do Corinthians até o início de 2024, quando o contrato foi rescindido para dar lugar a um novo acordo com a Vai de Bet. O patrocínio, anunciado como o maior do futebol brasileiro, acabou sendo desfeito meses depois, mas a dívida com a parceira anterior permaneceu.
Como parte da negociação de encerramento, o Corinthians se comprometeu a pagar R$ 40 milhões à PixBet em parcelas, além de arcar com os honorários do escritório de Wilians, totalizando os R$ 4 milhões apontados no relatório do Coaf.
Nelson Wilians e a CPI do INSS
O advogado Nelson Wilians é um dos principais alvos da CPI do INSS. O colegiado quebrou seus sigilos bancário e fiscal, solicitou relatórios ao Coaf e chegou a pedir sua prisão preventiva, decisão que caberá ao Poder Judiciário.
De acordo com relatório da operação Sem Desconto — primeira ação da Polícia Federal contra fraudes no sistema do INSS —, foram identificadas movimentações financeiras atípicas relacionadas ao advogado, que somariam cerca de R$ 4,6 bilhões.
Durante buscas realizadas em sua residência, a PF apreendeu obras de arte e esculturas, incluindo um quadro atribuído a Di Cavalcanti. A operação também prendeu Maurício Camisotti, empresário próximo de Wilians e apontado como um dos principais beneficiários dos descontos irregulares, além de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Defesa critica vazamento de informações sigilosas
Em nota, a defesa de Nelson Wilians, representada pelo advogado Santiago Schunck, reiterou que os valores recebidos têm origem lícita e documental e criticou o vazamento de informações sigilosas da CPI.
“A divulgação de dados protegidos por sigilo fiscal e bancário é grave e viola o princípio da confidencialidade que deve nortear qualquer investigação. O dr. Nelson Wilians é alvo de uma campanha difamatória baseada em vazamentos seletivos”, afirmou Schunck.
O advogado negou qualquer envolvimento com fraudes e reiterou que todas as suas operações financeiras são regulares e devidamente declaradas às autoridades competentes.
Corinthians não é investigado
Apesar de constar no relatório do Coaf, o Corinthians não é investigado pela CPI e sua citação se deve apenas ao repasse efetuado como parte do acordo judicial com a PixBet. O clube mantém o entendimento de que todos os pagamentos foram realizados de forma transparente e dentro da legalidade.
Fonte: BNLData – bnldata.com.br
Autor: Magno José

