No estudo, foram analisadas as medidas do Ministério da Saúde que buscam prevenir problemas relacionados ao jogo e também as ações voltadas aos usuários já com comportamento problemático ou diagnosticados com ludopatia.
O atendimento voltado a pessoas com ludopatia é realizado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) mas, de acordo com o estudo, faltam profissionais qualificados e também espaço físico adequado para o tratamento.
Uma pesquisa realizada pela ONG ImpulsoGov, que contou com a participação de mais de dois mil de pessoas, revelou que mais da metade (55,2%) dos profissionais de saúde do SUS não se sentem preparados para atender pacientes com vício em apostas. Além disso, 36,4% se declararam apenas “parcialmente” aptos para realizar o atendimento.
O TCU também identificou que faltam medidas eficazes para orientar e proteger crianças e adolescentes. De acordo com o órgão, apesar da lei exigir mecanismos de bloqueios e campanhas educativas, essas são “frágeis e insuficientes, especialmente quando comparadas ao forte marketing das empresas de apostas on-line”.
O relatório assinado pelo ministro Jhonatan de Jesus também aponta um cenário de alta no número de atendimentos para pessoas diagnosticadas com Ludopatia. O número saltou de 108 em 2018 para 1290 em 2023 e, de acordo com o levantamento, pode chegar a 2639 até 2028.
“Além de não haver estruturação consistente para informar a população quanto ao risco de vício em jogos de aposta on-line, o que pode ampliar o número de pessoas afetadas, a RAPS dispõe de recursos muito limitados e não possui protocolos padronizados para realizar o manejo clínico desses pacientes”, aponta o relatório.
Jhonatan ressalta, ainda, que o número de atendimentos registrados como jogo patológico pode estar subestimado, já que faltam indicadores claros sobre o número de pessoas atendidas no SUS.
O relator também cita um estudo da Lancet, publicado em 2024, que estima que cerca de 8,9% dos adultos e 16,3% dos adolescentes que apostam podem ter desenvolvido problemas com o jogo patológico. O levantamento conclui que as ações do Governo Federal, tanto na parte regulatória quanto na área de saúde, necessitam de um acompanhamento maior. É possível conferir o documento completo aqui.
Créditos: SBC Noticias – BR – sbcnoticias.com

