Evangélicos adiam novamente votação sobre legalização de jogos no Senado
A atuação coordenada de lideranças evangélicas foi determinante para o novo adiamento da votação do projeto que legaliza jogos de azar como cassinos, bingos e o jogo do bicho no Brasil. A sessão estava prevista para esta terça-feira (8), mas foi retirada da pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), alegando falta de quórum — apenas 56 dos 81 senadores estavam presentes.
Segundo informações do BNLData e do blog de Bela Megale (O Globo), a pressão da bancada evangélica foi intensa e bem-sucedida. Líderes religiosos de todo o país mobilizaram fiéis para enviarem milhares de e-mails aos senadores, exigindo o posicionamento contra a proposta. Um dos principais articuladores da ação foi o pastor Silas Malafaia, conhecido por sua forte oposição à legalização dos jogos no país.
Mobilização digital e articulação direta com senadores
Com a ajuda de redes sociais e igrejas, a estratégia teve como objetivo sobrecarregar as caixas de e-mail dos parlamentares. Além disso, líderes religiosos de diversos estados intensificaram o contato direto com os senadores, alertando para possíveis perdas eleitorais caso se posicionassem a favor da medida.
O esforço parece ter surtido efeito: com receio de desagradar suas bases evangélicas, muitos senadores optaram por defender o adiamento da análise do projeto. A situação repete o cenário de dezembro de 2024, quando a proposta foi retirada pela primeira vez da pauta também por falta de votos suficientes.
Girão é destaque na oposição ao projeto
Surpreendentemente, o principal nome elogiado por Silas Malafaia não foi de um senador evangélico, mas sim do senador Eduardo Girão (Novo-CE), espírita e um dos principais opositores à legalização dos jogos no Congresso.
— O senador mais guerreiro foi o Girão. Foi o mais aguerrido — declarou Malafaia ao reconhecer a liderança do parlamentar cearense na resistência ao projeto.
Girão tem sido uma das vozes mais ativas contra o avanço da proposta no Senado, com argumentos centrados em temas como vício, lavagem de dinheiro e desestruturação social que, segundo ele, estariam ligados à liberação do mercado de jogos de azar.
Contexto político e próximos passos
O projeto de legalização dos cassinos e bingos tramita no Congresso desde 1991 e teve avanços importantes nos últimos anos. A matéria foi aprovada na Câmara dos Deputados em 2022 e, mais recentemente, obteve parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, com votação apertada (14 a 12).
A proposta prevê a criação de cassinos integrados a resorts turísticos, a liberação de bingos, vídeo bingos e a regulamentação do jogo do bicho, com o objetivo de fortalecer a arrecadação tributária e gerar empregos formais.
Entretanto, a forte atuação da bancada evangélica e o receio de desgaste político continuam sendo os principais entraves para que o texto avance rumo à aprovação no plenário.
Se aprovado, o projeto será encaminhado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá a prerrogativa de sancionar ou vetar total ou parcialmente o conteúdo.
Divisão entre parlamentares e sociedade
O tema segue altamente polarizado no Congresso. Enquanto setores ligados ao turismo, entretenimento e geração de empregos defendem a legalização como uma medida de estímulo econômico, grupos religiosos e conservadores veem a liberação como um risco social.
A pressão das lideranças evangélicas tende a se manter forte nas próximas semanas. O presidente do Senado ainda não anunciou uma nova data para votação, mas a expectativa é que o tema retorne à pauta quando houver maior certeza de quórum e apoio político suficiente.
Fonte: BNLData – bnldata.com.br

