Clubes de futebol reagem a PL que restringe patrocínio de casas de apostas
Clubes da Série A do Campeonato Brasileiro se uniram em um manifesto contra o Projeto de Lei 2.985/2023, que visa restringir significativamente as ações de marketing das casas de apostas no esporte nacional. A medida, prestes a ser votada no Senado, pode comprometer seriamente as finanças das equipes e o equilíbrio do futebol no Brasil.
O documento, intitulado “Declaração Conjunta dos Clubes de Futebol do Brasil”, foi divulgado nos canais oficiais de 11 clubes e expressa preocupações quanto ao impacto econômico direto que a possível aprovação do PL poderá provocar no ecossistema esportivo do país.
Entenda o que propõe o Projeto de Lei 2.985/2023
De autoria do senador Styvenson Valentim (PODEMOS-RN) e com relatoria de Carlos Portinho (PL-RJ), o PL estabelece diversas limitações às campanhas publicitárias de casas de apostas em parceria com clubes esportivos. Entre as medidas previstas estão:
- Proibição de patrocínio master em uniformes;
- Impedimento do uso de atletas e celebridades em anúncios;
- Definição de faixas horárias para a exibição de publicidade;
- Obrigatoriedade de avisos sobre os riscos associados às apostas.
Essas restrições podem afetar diretamente os acordos comerciais já firmados, uma vez que 100% dos times da elite do futebol brasileiro contam atualmente com patrocinadores do setor de apostas, seja em posições principais ou secundárias.
Clubes apontam prejuízo de até R$ 1,6 bilhão por ano
O manifesto coletivo divulgado pelos clubes destaca que, caso o texto do substitutivo seja aprovado, o futebol brasileiro poderá perder cerca de R$ 1,6 bilhão por ano em receitas. O impacto seria sentido em diversas áreas, desde folha salarial até investimentos em categorias de base e infraestrutura.
“Os clubes brasileiros esperam das comissões do Senado responsáveis pelo exame da proposta do Substitutivo do Senador Carlos Portinho, e da emenda que o aprimora, como a do Senador Romário, prudência, responsabilidade e preocupação com os danos que podem causar ao futebol e ao esporte brasileiro enquanto patrimônios culturais da Nação”, aponta o documento.
Clube reforçam apoio à regulamentação e ao jogo responsável
No mesmo comunicado, as equipes ressaltam que não ignoram os riscos das apostas esportivas, especialmente após anos de ausência de regulamentação entre 2018 e 2024. Contudo, os clubes enfatizam seu comprometimento com práticas responsáveis e reguladas.
“Os clubes brasileiros defenderam a aplicação e fiscalização do recém-publicado Anexo X do CONAR, que visa regular a publicidade e estimular o conceito de Jogo Responsável”, destaca o manifesto.
Para os signatários, medidas restritivas em excesso, especialmente tão cedo após o início da regulamentação oficial em janeiro de 2025, podem ser prejudiciais e contraproducentes.
Quem são os clubes que assinaram o manifesto
Onze clubes participaram da divulgação simultânea do texto, sendo eles:
- Atlético Mineiro
- Botafogo
- Ceará
- Flamengo
- Fluminense
- Fortaleza
- Juventude
- Grêmio
- Mirassol
- Palmeiras
- RB Bragantino
Enquanto alguns clubes como Flamengo, Fluminense, Mirassol e Grêmio optaram por divulgar apenas partes do manifesto em suas redes sociais, outras equipes como Bahia, Corinthians, Cruzeiro, Internacional, Santos, São Paulo, Sport, Vasco e Vitória não se manifestaram publicamente até o momento.
Riscos para a sustentabilidade dos clubes
Com a crescente profissionalização do futebol brasileiro, os contratos com casas de apostas têm sido vitais para garantir sustentabilidade financeira. As restrições propostas podem abalar esse modelo de negócio e impactar diretamente a competitividade dos clubes.
Além da perda de receita, os clubes podem encontrar dificuldades para atrair novos patrocinadores em um ambiente regulatório hostil. A instabilidade pode afastar investidores e comprometer o crescimento do setor esportivo como um todo.
Expectativa para a votação no Senado
A votação do PL 2.985/2023 está marcada para quarta-feira (28), e os clubes esperam que o Senado leve em consideração não apenas os riscos sociais, mas também os impactos econômicos da proposta. Há ainda a possibilidade de que emendas apresentadas por parlamentares como o senador Romário tragam equilíbrio ao texto.
O desfecho dessa discussão legislativa será crucial para definir os rumos do patrocínio esportivo no Brasil nos próximos anos e determinará o papel das casas de apostas no cenário do futebol nacional.
Fonte original: iGaming Brazil

