Alberto Simoes, Diretor da Clever Advertising, conversou com o site-irmão SBC News e citou algumas medidas de marketing que, a seu ver, não fazem muito sentido. Falando durante o SBC Summit Rio, Simoes criticou a proibição a operadores e afiliados de oferecerem bônus de boas‑vindas.“Discordo da lógica dessa legislação”, afirmou. “Parte‑se da premissa de que bônus podem levar ao vício, mas não há evidências que sustentem isso.
Além disso, num mercado novo, bônus de boas‑vindas ajudariam a migrar jogadores do mercado ilegal para o regulado”.Quando um mercado sai da zona cinzenta para um ambiente regulamentado, surgem naturalmente preocupações sobre o índice de canalização. Essas preocupações aumentam quando o mercado regulamentado opera com restrições de marketing que o clandestino simplesmente ignora.
Segundo Simoes, ao vetar os bônus, o regulador acaba expondo jogadores a operadores sem licença: “Seria uma ferramenta de marketing excelente, especialmente num momento em que muitos consumidores nem sabem quais marcas são licenciadas. Pelo que ouvi, porém, isso dificilmente mudará”.
Não é só a questão dos bônus que irrita operadores e afiliados. Simoes destacou que a transição desde janeiro “não tem sido ágil” para empresas ou jogadores, o que vem favorece o mercado ilegal: “Se eu fosse o regulador, teria flexibilizado o KYC neste período”. Hoje, para jogar, preciso enviar RG e fazer reconhecimento facial; no mercado ilegal, não”.Apesar disso, o Brasil continua lucrativo para a agência maltesa, presente no país há mais de seis anos.
Segundo o Diretor, o país responde pela maior parte de FTDs e receita, graças à experiência local e à vantagem de ter muitos falantes nativos.Outro diferencial é o domínio das leis e a capacidade de explicá‑las a operadores globais.“A nova lei trouxe restrições publicitárias que não são muito claras. Ao longo dos anos, trabalhamos com diversos advogados brasileiros e acumulamos know‑how”, explicou Simoes.
“Para clientes de fora, esclarecemos as exigências legais e mostramos o que é permitido. Discutimos com eles e seus advogados estrangeiros um enquadramento que gere mais FTDs e visibilidade”, completou Simoes.Ainda assim, o Brasil é um mercado lucrativo com muitas oportunidades. E, se os bônus são limitados, os marqueteiros buscam a próxima técnica. Para a Clever Advertising, essa técnica são os influenciadores. Quando bem usados, influenciadores podem ser poderosos para alcançar novos públicos.
Porém, a Clever atua como corretora e impõe um processo rigoroso.Isso é crucial no Brasil, onde influenciadores têm histórico com apostas, e onde alguns perfis ligados a operadores ilegais chamaram a atenção de legisladores.“Começamos entendendo o público e seus interesses”, disse Simoes. “Há vários fatores. O influenciador fala com menores? Se sim, está fora”.
“O código CAP do Reino Unido diz que menores não podem ser mais de 25 % da audiência. Nós adotamos política ainda mais rígida. Avaliamos a adequação do influenciador e o casamos com o cliente. Após aprovação, ele se torna exclusivo desse cliente”, afirmou o diretor da Clever.
Esse cuidado inclui garantir que o conteúdo seja ideal para o público‑alvo e esteja em conformidade. A Clever evita publicidades roteirizadas para manter autenticidade. A empresa trabalha com influenciadores também na Nigéria, Peru e Colômbia.Mas, como observa o Diretor, o Brasil é muito particular.“É preciso enxergá‑lo como federação. O que funciona no Rio pode não funcionar em São Paulo.
Passamos muito tempo com o cliente para entender a mensagem e então escolhemos os influenciadores certos”. Enquanto se consolida como referência em afiliados no Brasil, a Clever está otimista para o restante de 2025. Mas, com o marketing sempre evoluindo, é essencial acompanhar tendências de consumo de mídia. O próximo passo são os podcasts.“Muita gente ouve podcasts.
Queremos entender melhor esse formato para incluí‑lo em nosso portfólio”, comentou Simoes. Apesar dos desafios do mercado regulamentado, a Clever Advertising segue focada no crescimento no Brasil e na América Latina: “Os latino‑americanos são ótimos para trabalhar e conviver. Temos números fortes na Colômbia e no Peru. O México é diferente por causa do uso de dinheiro vivo, pouco ideal para o online. A Argentina está parcialmente regulada. No geral, a região cresce rápido”.

