Aline Esteves orienta sobre cuidados para evitar compulsão em apostas
Com o crescimento exponencial das apostas no Brasil em 2025, o entretenimento que antes era visto como uma atividade divertida começa a acender um alerta na área da saúde pública: o aumento dos casos de ludopatia, ou vício em jogos de azar. Estima-se que cerca de dois milhões de brasileiros já ultrapassaram o limite do lazer e enfrentam sérias consequências psicológicas, sociais e financeiras.
De acordo com a psicóloga Aline Esteves, especialista em ludopatia e integrante do Instituto de Apoio ao Apostador (IAA), o vício em apostas pode afetar profundamente a vida pessoal e profissional. “Pessoas com comportamento compulsivo escondem o problema e recorrem a empréstimos, cartões de crédito e até práticas ilegais para continuar apostando. A frustração constante com as perdas, combinada à esperança de recuperar o que se perdeu, cria um ciclo de sofrimento difícil de quebrar”, explica.
Prevenção é a chave para um jogo saudável
Segundo a especialista, a prevenção é a principal forma de evitar que o ato de jogar se transforme em dependência. “Ao estabelecer limites e reconhecer sinais de alerta, é possível manter o equilíbrio e preservar o jogo como uma atividade de entretenimento segura”, ressalta Aline.
O Instituto de Apoio ao Apostador atua com o propósito de orientar e oferecer suporte gratuito a pessoas que enfrentam o vício, promovendo conscientização e acolhimento. A seguir, Aline Esteves lista práticas fundamentais para evitar o desenvolvimento da compulsão:
Dicas para manter o controle nas apostas
⇒ Defina limites de tempo e dinheiro
O primeiro passo para manter o equilíbrio é estabelecer limites claros de tempo e valor. “Não se trata apenas de apostar menos, mas de apostar com consciência. Saber quanto tempo e dinheiro você pode dedicar ao jogo é um ato de autocuidado”, afirma Aline.
⇒ Fique atento aos sinais de alerta
O vício costuma se manifestar de forma sutil. “Quando a pessoa sente necessidade de apostar quantias cada vez maiores, mente sobre o tempo dedicado ao jogo ou fica irritada ao tentar parar, esses são sinais de que algo está errado”, alerta a psicóloga.
⇒ Conheça seus gatilhos emocionais
Identificar emoções que estimulam o desejo de apostar é essencial. “Tédio, ansiedade, frustração e solidão são gatilhos frequentes que levam ao comportamento de risco”, explica Aline. Segundo ela, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes para ressignificar pensamentos e crenças relacionados ao jogo.
⇒ Fale sobre o assunto e busque informação
Conversar sobre o problema é um passo fundamental para a recuperação. “Falar sobre o vício e buscar ajuda profissional ou grupos de apoio, como os do IAA, é uma forma poderosa de quebrar o silêncio e fortalecer a rede de apoio”, afirma a especialista.
Além disso, compreender as chances reais de ganho e desmistificar a ideia do “dinheiro fácil” ajuda a manter a racionalidade. Essa conscientização, inclusive, está entre as diretrizes previstas pela legislação brasileira para promover um ambiente de jogo mais seguro e transparente.
⇒ Substitua o comportamento por hábitos saudáveis
Atividades como praticar esportes, ouvir música, cozinhar ou realizar trabalhos voluntários podem funcionar como alternativas positivas. “Esses hábitos ajudam a preencher o vazio que muitas vezes leva à aposta compulsiva”, complementa Aline.
Ludopatia: transtorno que exige tratamento especializado
A ludopatia é um transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, embora não tenha cura definitiva, possui tratamentos eficazes. O acompanhamento psicológico e o apoio familiar são fundamentais para o processo de recuperação. “A retomada do controle e o fortalecimento da saúde mental são totalmente possíveis quando o apostador busca ajuda profissional”, reforça Aline Esteves.
No Instituto de Apoio ao Apostador, o tratamento é gratuito, sigiloso e voltado tanto para os apostadores quanto para seus familiares. O atendimento inclui sessões individuais, grupos de apoio e orientação financeira.
O papel do Instituto de Apoio ao Apostador
Com sede em Niterói (RJ), o IAA é uma organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção e recuperação do vício em jogos. Sua missão é acolher, conscientizar e transformar a realidade de quem enfrenta a dependência.
No último ano, a instituição realizou mais de 15 mil atendimentos individuais, além de promover campanhas educativas e atividades de conscientização sobre os impactos sociais e financeiros do vício em apostas.
O instituto reforça que a informação é a melhor ferramenta de prevenção e que o diálogo aberto é essencial para reduzir o estigma e os impactos da compulsão. “Quanto mais falarmos sobre o tema, mais pessoas terão coragem de buscar ajuda”, finaliza Aline Esteves.
Jogadores que percebem sinais de descontrole devem procurar orientação psicológica imediatamente. Manter o equilíbrio e adotar práticas conscientes é o caminho para aproveitar o jogo como ele deve ser: uma forma de entretenimento responsável.
Fonte: BNLData – Autora: Elaine Silva

