Estudo entregue a Hugo Motta alerta sobre avanço ilegal

Estudo entregue a Hugo Motta aponta que alta carga tributária pode fortalecer o mercado ilegal de apostas no Brasil. Pesquisa cita impacto da CIDE-Bets e desafios da regulamentação do iGaming.

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Estudo entregue a Hugo Motta alerta sobre avanço ilegal

Um estudo apresentado ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, aponta que o atual modelo de regulamentação do setor de iGaming no Brasil pode estar, de forma indireta, impulsionando o crescimento do mercado ilegal de apostas online.

O levantamento foi entregue por representantes da Transamérica Media Company (TMC), em parceria com o Instituto Esfera, durante reunião realizada em Brasília. O encontro contou com a presença do narrador Eder Luiz, do comentarista Benjamin Back, do acionista João Camargo e do advogado criminalista Pierpaolo Bottini, especialista em lavagem de dinheiro e membro do Conselho Acadêmico do Instituto Esfera.

Alta carga tributária e impacto na competitividade

Segundo o estudo, os custos elevados para obtenção e manutenção da licença federal, somados à carga tributária aplicada às operadoras legalizadas, estariam criando um ambiente desbalanceado. Plataformas ilegais, por não arcarem com tributos ou exigências regulatórias, conseguem oferecer premiações mais atrativas aos jogadores.

O levantamento estima que o mercado clandestino de apostas online no Brasil movimente entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões por ano. Esse volume representaria algo entre 41% e 51% de participação no setor, números considerados alarmantes pelos pesquisadores.

A análise foi elaborada por professores da Universidade de São Paulo (USP): Luís Fernando Massonetto, Bruno Braga Fiaschetti e Eduardo Moraes de Carvalho.

Dificuldade do apostador em identificar empresas legais

Com base em estudos anteriores do Instituto Locomotiva, da LCA Consultores em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e da Yield Sec, a pesquisa aponta que 78% dos apostadores têm dificuldade para diferenciar plataformas legalizadas de operações irregulares.

Esse cenário cria um ciclo preocupante: o aumento de custos para operadores regulares amplia a vantagem competitiva do mercado ilegal, que passa a atrair usuários com condições aparentemente mais vantajosas. Como consequência, há deslocamento de receita para fora do ambiente regulado, reduzindo a base tributária e pressionando o Estado a elevar ainda mais as exigências sobre empresas licenciadas.

Segundo os pesquisadores, esse processo tende a se retroalimentar, fortalecendo gradativamente o mercado irregular.

Entrega do estudo antes da votação do PL Antifacção

A apresentação do documento ocorreu poucas horas antes da votação do chamado PL Antifacção na Câmara. O projeto incluía inicialmente a criação da CIDE-Bets, contribuição que estabeleceria nova taxação sobre plataformas de apostas.

A proposta previa potencial arrecadação anual de até R$ 30 bilhões, conforme estimativa apresentada pelo senador Alessandro Vieira, responsável pela inclusão do dispositivo no Senado. Os recursos seriam destinados ao financiamento da segurança pública e do sistema prisional.

No entanto, durante a votação em plenário, o relator na Câmara, deputado Guilherme Derrite, acolheu emenda que retirou o trecho referente à nova contribuição. A exclusão foi defendida por parlamentares que solicitaram a análise separada do tema tributário.

O texto do PL Antifacção foi aprovado sem a CIDE-Bets e seguirá para sanção presidencial.

Debate sobre equilíbrio regulatório

O estudo entregue à presidência da Câmara reacende o debate sobre o equilíbrio do modelo regulatório brasileiro. Para especialistas, a construção de um ambiente sustentável exige calibragem entre arrecadação, competitividade e mecanismos eficazes de fiscalização.

O avanço da regulamentação federal trouxe maior segurança jurídica ao setor, mas também elevou custos operacionais. Operadoras licenciadas precisam cumprir exigências rigorosas de compliance, controles de prevenção à lavagem de dinheiro e regras de proteção ao jogador.

Enquanto isso, plataformas clandestinas operam à margem do sistema, sem obrigações fiscais ou regulatórias, ampliando sua margem de lucro e capacidade de oferecer bônus e prêmios mais elevados.

Reflexos para o mercado regulado

Para o mercado regulado, o desafio passa por fortalecer mecanismos de fiscalização e ampliar campanhas de conscientização para que o consumidor consiga identificar operadores autorizados. A transparência e a educação do jogador são apontadas como ferramentas essenciais para reduzir a fatia do mercado ilegal.

O debate também envolve possíveis ajustes na política tributária, buscando evitar distorções que comprometam a competitividade das empresas que atuam dentro das regras.

Com a retirada da CIDE-Bets do PL Antifacção, o tema deve retornar à pauta legislativa em projeto específico, mantendo o setor atento aos próximos movimentos do Congresso Nacional.

O cenário indica que 2026 será um ano decisivo para a consolidação do modelo brasileiro de regulamentação, com foco na construção de um ambiente equilibrado, sustentável e capaz de conter o avanço do mercado clandestino.

Mais detalhes sobre o estudo foram divulgados pelo portal Focus Brasil.

Fonte: Focus Brasil e Autor: ricardoy

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Afrânio Ítalo
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Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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