Justiça bloqueia receita do Jockey por evento de tênis e cobra ISS

Decisão da Justiça determina bloqueio de parte da receita do Jockey Club de São Paulo obtida com o LA Open para pagamento de dívidas de ISS com a Prefeitura. Entenda os impactos do caso e o histórico do conflito tributário.

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Justiça bloqueia receita do Jockey por evento de tênis e cobra ISS

Uma decisão recente da Justiça paulista determinou que parte do valor recebido pelo Jockey Club de São Paulo com a locação de seu espaço para um torneio internacional de tênis seja destinada ao pagamento de débitos de ISS junto à Prefeitura de São Paulo.

A determinação foi proferida pelo juiz Rafael Saviano Pirozzi, da Vara das Execuções Fiscais Municipais, e estabelece que até R$ 26,5 mil, correspondentes ao lucro obtido com o aluguel do espaço, sejam depositados em juízo. A medida integra um processo movido pela administração municipal desde 2022, relacionado à cobrança do Imposto Sobre Serviços.

Bloqueio parcial não impede realização do LA Open

Segundo a decisão judicial, o bloqueio dos valores não compromete a realização do Latin America Open (LA Open), torneio internacional de tênis classificado como Challenger no calendário oficial da Associação de Tenistas Profissionais. O magistrado destacou que o evento será integralmente organizado por terceiros, cabendo ao Jockey apenas a cessão do espaço físico.

Os organizadores do torneio foram intimados a apresentar o contrato firmado com o clube, documento que serviu de base para a identificação do valor considerado como lucro da operação. O LA Open está previsto para acontecer em março de 2026 e deve contar com partidas de exibição envolvendo nomes de destaque do tênis mundial.

Conflito entre Jockey e Prefeitura se arrasta há anos

O bloqueio parcial dos recursos representa mais um capítulo da longa disputa entre o Jockey Club de São Paulo e a administração municipal. De acordo com a Prefeitura, a entidade acumula cerca de R$ 800 milhões em débitos tributários municipais, valor que é questionado pelo clube.

O Jockey sustenta que há divergências tanto nos cálculos apresentados quanto na interpretação das legislações tributárias aplicáveis. Procurada pela imprensa, a entidade optou por não se manifestar sobre a decisão judicial mais recente.

Histórico de embates legais e políticos

Nos últimos três anos, os conflitos entre as partes se intensificaram, especialmente após a sanção de uma lei municipal que proibia corridas de cavalos com apostas. A norma acabou sendo suspensa posteriormente pela Justiça, mas gerou forte reação do clube.

Naquele período, a gestão municipal chegou a sinalizar a possibilidade de transferência do espaço do Jockey para o Município, caso as atividades turfísticas fossem encerradas. O tema segue sendo motivo de embates políticos e jurídicos.

Localização estratégica e pressão imobiliária

O hipódromo da Cidade Jardim, onde funciona o Jockey Club de São Paulo desde 1941, está situado em uma das áreas mais valorizadas da zona sul paulistana. A entidade afirma que parte do conflito com o poder público decorre de uma suposta pressão imobiliária, intensificada após a revisão da Lei de Zoneamento.

O prefeito Paulo Nunes já declarou publicamente, em diversas ocasiões, a intenção de transformar a área em um parque público. A proposta consta no Plano Diretor do Município desde 2023 e segue sendo debatida em diferentes esferas.

Projetos de parque e entraves técnicos

Há cerca de uma década, o próprio Jockey chegou a apresentar uma proposta para a criação de um parque em parte de seu território. Em 2021, no entanto, estudos conduzidos pela Prefeitura concluíram que o projeto seria inviável.

Entre os fatores apontados estavam restrições funcionais, questões relacionadas ao tombamento do patrimônio, além dos altos custos de implantação e manutenção de um parque em uma área considerada alagadiça.

Decisão judicial cita resistência no pagamento de tributos

Ao fundamentar sua decisão, o juiz Rafael Saviano Pirozzi mencionou a “deliberada resistência” do Jockey no pagamento da tributação municipal. Para o magistrado, esse comportamento reforça a necessidade de adoção de medidas constritivas eficazes para garantir a satisfação do crédito público.

A cobrança de ISS sobre a locação de espaços para eventos também reacende debates sobre a tributação de atividades relacionadas ao entretenimento, esportes e grandes eventos, temas que dialogam com o mercado de aposta esportiva e com o ecossistema mais amplo do iGaming.

CPI e auditorias ampliam fiscalização

Além da disputa judicial, o Jockey Club de São Paulo passou a ser alvo de outras frentes de investigação. Recentemente, a Câmara Municipal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar denúncias de desvio de recursos destinados ao restauro da sede do clube, tombada como patrimônio cultural.

Na ocasião, a entidade declarou que não tinha “nada a temer” e afirmou colaborar com as investigações. Em outubro do ano passado, a Prefeitura também iniciou uma auditoria para verificar o uso de incentivos públicos concedidos ao clube.

Em resposta, o Jockey alegou que os valores recebidos foram aplicados exclusivamente na preservação, conservação e manutenção das áreas tombadas ao longo de seis anos, posicionamento que segue sendo analisado pelos órgãos competentes.

Impactos e próximos passos

O caso envolvendo o LA Open evidencia como disputas tributárias podem impactar eventos esportivos de grande porte, mesmo quando organizados por terceiros. A decisão judicial reforça o entendimento de que receitas obtidas com a cessão de espaços estão sujeitas à cobrança de ISS, independentemente da natureza do evento.

Enquanto isso, o futuro do Jockey Club de São Paulo permanece incerto, cercado por disputas judiciais, pressões políticas e debates urbanísticos que envolvem interesses públicos e privados, além de órgãos reguladores e instâncias como o Senado Federal e iniciativas ligadas ao Governo Federal.

Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

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Afrânio Ítalo
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Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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