Mercados de previsão e apostas online iniciam 2026 sob forte escrutínio nos EUA
O ano de 2026 começou em ritmo acelerado para o setor de iGaming e apostas nos Estados Unidos. Mercados de previsão, cassinos online, apostas esportivas e plataformas alternativas entraram no centro do debate político, regulatório e jurídico, levantando discussões sobre uso de informação privilegiada, fiscalização estadual e o futuro da indústria.
Mercado de previsão da Venezuela gera suspeitas
Logo nos primeiros dias do novo ano, um episódio envolvendo a plataforma Polymarket chamou a atenção de legisladores, reguladores e do mercado global de jogos. Um operador anônimo transformou cerca de US$ 32 mil em um prêmio estimado de US$ 400 mil ao apostar na destituição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O movimento financeiro, ocorrido pouco depois da virada do ano, levantou suspeitas de possível uso de informações não públicas. A rapidez do ganho e o contexto político sensível despertaram questionamentos sobre a integridade dos mercados de previsão, que vêm crescendo de forma acelerada nos Estados Unidos.
Resposta legislativa imediata em Washington
Diante da repercussão do caso, o congressista democrata Richie Torres, representante de Nova York, apresentou rapidamente a Lei de Integridade Pública nos Mercados de Previsão Financeira. A proposta busca proibir que funcionários federais negociem em mercados de previsão quando tenham acesso a informações confidenciais.
A iniciativa parte da premissa de que eventos políticos e econômicos sensíveis podem gerar oportunidades indevidas para quem detém dados privilegiados. Para Torres, o episódio envolvendo a Polymarket evidencia a necessidade urgente de regras mais claras e mecanismos de controle mais rigorosos.
Google amplia legitimidade dos mercados de previsão
Enquanto o debate regulatório esquenta no Congresso, o Google anunciou uma mudança significativa em sua política de publicidade. A partir de 21 de janeiro, a gigante da tecnologia passará a permitir anúncios de mercados de previsão em sua plataforma.
Para se qualificarem, as empresas precisam ser designadas como Mercados de Contrato Designados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) ou atuar como corretoras terceirizadas autorizadas pela National Futures Association (NFA).
Além disso, as plataformas deverão cumprir os critérios internos de certificação do Google, incluindo aderência a leis locais, regulamentações financeiras e padrões do setor. Para analistas, a decisão representa mais um selo de legitimidade para os mercados de previsão, que seguem em expansão apesar das controvérsias.
Dow Jones entra no jogo dos mercados de previsão
A consolidação do segmento ganhou ainda mais força com o anúncio de uma parceria entre a Dow Jones e a Polymarket. A partir de agora, dados de mercados de previsão em tempo real passarão a integrar publicações digitais como The Wall Street Journal, Barron’s, MarketWatch e Investor’s Business Daily.
O movimento acompanha uma tendência crescente de grandes grupos de mídia se associarem a plataformas do setor. Nos últimos meses, a Kalshi firmou parcerias com CNN e CNBC, enquanto a Polymarket ampliou sua presença por meio de acordos com Yahoo Finance, Google e X.
Maine avalia legalização de cassinos online
No nível estadual, o Maine enfrenta uma decisão crítica sobre o futuro dos cassinos online. Em junho de 2025, o Legislativo estadual aprovou o projeto LD 1164, que autoriza jogos de cassino online para quatro tribos reconhecidas pelo governo federal.
A governadora Janet Mills optou por adiar a decisão para 2026. Com a nova sessão legislativa em andamento, ela tem poucos dias para sancionar ou vetar o projeto. O Conselho de Controle de Jogos do Maine se posicionou contra a medida, alegando que ela poderia prejudicar os dois cassinos físicos do estado.
Pesquisas recentes indicam que cerca de 64% dos eleitores do Maine se opõem à legalização. Caso seja aprovada, a lei tornaria o Maine o primeiro estado desde 2023 a autorizar cassinos online.
Chicago cria regime próprio para apostas esportivas
A cidade de Chicago surpreendeu o mercado ao se tornar o primeiro grande município dos Estados Unidos a instituir seu próprio sistema de licenciamento e tributação para apostas esportivas.
Desde 1º de janeiro, operadoras locais precisam obter licença municipal e pagar um imposto de 10,25% sobre a receita. A cobrança se soma ao imposto estadual de Illinois, que pode chegar a 40%, além de uma taxa adicional por aposta realizada.
As casas de apostas licenciadas reagiram com ações judiciais, argumentando que a medida é inconstitucional. Paralelamente, legisladores estaduais tentam aprovar leis para limitar a iniciativa municipal.
Flórida intensifica combate ao jogo ilegal
Na Flórida, o procurador-geral James Uthmeier anunciou uma ofensiva contra a economia de jogos ilícitos. O estado já emitiu intimações para plataformas de fantasia e sorteios, abrindo espaço para audiências e possíveis sanções.
Uthmeier também apoia projetos de lei que ampliam penalidades e reformulam o sistema de fiscalização. Atualmente, a única opção legal de apostas online no estado é o Hard Rock Bet, operado pela Tribo Seminole sob um pacto válido até 2051.
Tennessee traça linha dura contra cassinos de sorteios
O Tennessee seguiu caminho semelhante ao emitir ordens de cessar e desistir para quase 40 cassinos de sorteios online. Plataformas populares como High 5 Casino, Chumba e WOW Vegas estão entre as notificadas.
A medida reforça a tendência de maior fiscalização estadual sobre modelos alternativos de jogos, especialmente aqueles que operam em zonas cinzentas da legislação.
Ação RICO envolve Stake, Drake e influenciadores
Pouco antes da virada do ano, uma ação coletiva federal baseada na lei RICO foi movida contra a Stake.us, o rapper Drake e o streamer Adin Ross. O processo acusa a plataforma de operar como um cassino com dinheiro real sob a fachada de cassino social.
Segundo a denúncia, o uso de créditos virtuais e transmissões ao vivo teria incentivado jogadores a gastar dinheiro real. Caso os autores obtenham sucesso, a Stake.us poderá ser proibida de operar nos Estados Unidos.
Um início de ano turbulento para o iGaming
O início de 2026 deixa claro que o setor de apostas esportivas e iGaming nos Estados Unidos atravessa um momento decisivo. Entre avanços de legitimidade, endurecimento regulatório e disputas judiciais, o mercado segue em rápida transformação.
Com legisladores, reguladores e empresas disputando espaço e influência, as próximas semanas devem trazer novos capítulos para uma indústria que permanece no centro das atenções globais.
Fonte: iGaming Future – igamingfuture.com (Autor: Lauren Harrison)

