Martin Kabrhel Protagoniza Virada Histórica e Conquista o Super High Roller do BSOP Millions
O clima no Golden Hall do WTC Sheraton, em São Paulo, era de pura tensão quando o dia decisivo do R$ 150.000 Super High Roller começou. O torneio, uma das atrações mais aguardadas do BSOP Millions, reunia grandes nomes do circuito mundial em busca da maior fatia do gigantesco prize pool de US$ 1.320.000. E embora tudo indicasse um desfecho tranquilo para um dos finalistas, o poker mais uma vez provou ser um esporte imprevisível. Martin Kabrhel, em um cenário quase impossível, virou um duelo com déficit de 14:1 em fichas e deu mais um show para coroar um ano que já vinha sendo extraordinário.
Com o field reduzido a apenas dois competidores, Ottomar Ladva parecia encaminhado para concretizar a vitória. Porém, no poker, nada está decidido até que a última carta apareça. E foi justamente nessa reta intensa que Kabrhel demonstrou resiliência, técnica e um pouco da sorte que ele mesmo fez questão de destacar após levantar o troféu.
A Disputa Pelo Título
O torneio iniciou seu Dia Final com 24 jogadores na briga, incluindo os sobreviventes do Dia 1 e os competidores que optaram pelo registro tardio, disponível até a primeira mão do segundo dia. Essa dinâmica adicionou ainda mais emoção, principalmente porque os recém-chegados começaram em desvantagem, precisando correr atrás para entrar na zona de premiação.
Nos primeiros minutos de ação, o ritmo foi frenético. Em apenas 30 minutos, dez jogadores já haviam deixado o torneio, puxados por uma sequência de eliminações rápidas. Nomes importantes do circuito, como Fabiano Kovalski, deram o tom da pressão que dominou o início da disputa.
A Caminho da Mesa Final
Com o torneio avançando em direção à formação da mesa final, o ritmo desacelerou, trazendo um clima de cautela entre os participantes. A tensão aumentou conforme os jogadores lutavam para sobreviver à bolha — momento em que apenas um deles ficaria de fora dos prêmios.
Depois de uma longa disputa, Renan Bruschi acabou sendo o último eliminado antes da mesa final. Em seguida, Daniel De Almeida e Kelvin Kerber foram os primeiros a se despedir já na FT, desencadeando um duelo direto entre Martin Kabrhel e Ottomar Ladva, que passaram a ditar o ritmo da competição.
Domínio de Kabrhel Antes da Reviravolta
Logo que a bolha estourou, Kabrhel mostrou a que veio. O tcheco aumentava praticamente todas as mãos, acumulando fichas sem precisar ver muitos flops. Seu estilo agressivo pressionou a mesa e dificultou a vida dos adversários que buscavam algum espaço para reagir.
Apesar disso, Ladva demonstrou capacidade de revidar e não deixou o tcheco dominar completamente sem resistência. Ambos protagonizaram confrontos importantes e decidiram todas as eliminações pós-bolha, em um verdadeiro show particular.
A sequência se manteve até que Ivan Luca, que já havia alcançado a mesa final nos três eventos Super High Roller dessa série, acabou se tornando a bolha da premiação. Luca colocou suas fichas no meio à frente, mas não resistiu à pressão de Kabrhel.
Classificação Final – R$ 150.000 Super High Roller
| Posição | Jogador | País | Prêmio (BRL) |
|---|---|---|---|
| 1 | Martin Kabrhel | República Tcheca | R$ 2.110.000 |
| 2 | Ottomar Ladva | Estônia | R$ 1.460.000 |
| 3 | Rodrigo Seiji | Brasil | R$ 930.000 |
| 4 | Andre Akkari | Brasil | R$ 714.000 |
| 5 | Thiago Crema | Brasil | R$ 559.300 |
| 6 | Rafael Moraes | Brasil | R$ 434.000 |
Eliminações que Mudaram o Rumos
Após a saída de Ivan Luca, o domínio de Kabrhel ficou ainda mais evidente. Ele rapidamente eliminou Rafael Moraes e, em seguida, venceu um flip decisivo contra Thiago Crema, consolidando seu favoritismo naquele momento.
No entanto, o poker decidiu surpreender. Ladva reagiu de forma contundente, eliminando Andre Akkari em quarto lugar e, na sequência, mandando Rodrigo Seiji para o rail na terceira posição. Esse movimento colocou o estoniano na liderança para o início do heads-up, ainda que por uma margem estreita.
A Mão Que Poderia Ter Encerrado a Disputa
Em um pote aparentemente crucial, tudo indicava que a vitória de Ladva estava encaminhada. Em um limpado pré-flop, ele acertou uma trinca e conseguiu extrair valor máximo de um flush draw de Kabrhel. Ao final da mão, o tcheco se viu reduzido a apenas seis big blinds — uma desvantagem que beirava o insuperável.
Com um déficit de 14:1, muitos acreditavam que a decisão estava tomada. No entanto, o poker não perdoa quem subestima a volatilidade do jogo.
A Virada Épica de Kabrhel
Com sangue frio e disciplina, Kabrhel iniciou uma sequência impressionante de dobras. Cada mão vencida reacendia sua confiança e diminuía a vantagem de Ladva. Em pouco tempo, os stacks se equilibraram, mas o momento parecia inteiramente a favor do tcheco.
A pressão constante de Kabrhel começou a surtir efeito, e Ladva não conseguiu retomar o controle da situação. Empurrado pela força da recuperação, o tcheco continuou acumulando potes até que o confronto final veio em um all-in pré-flop: Q♣7♣ para Ladva contra 3♦3♠ de Kabrhel. O board não trouxe ajuda ao estoniano, selando a conquista histórica do tcheco.
Ao garantir o título, Kabrhel soltou um estrondoso “Vamos!” que ecoou pelo salão, antes de comemorar mais um triunfo em um ano repleto de grandes resultados — incluindo dois braceletes da WSOP.
A Declaração do Campeão
Apesar da grandiosidade da virada, Kabrhel manteve a humildade ao falar sobre o resultado:
“Eu tive muita sorte.”
A frase simples resume bem o espírito do poker: técnica, coragem, leitura de jogo e, acima de tudo, a capacidade de aproveitar as oportunidades que surgem nos momentos mais improváveis.
Com essa vitória memorável, o Super High Roller do BSOP Millions reforça seu status como um dos eventos mais vibrantes do calendário, reunindo jogadores de elite e entregando histórias dignas das maiores mesas do mundo.
Fonte: PokerNews – br.pokernews.com

