Governo propõe criação da Universidade Federal do Esporte com recursos das bets
O Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe a criação da Universidade Federal do Esporte (UFE), uma instituição de ensino superior dedicada exclusivamente à formação acadêmica e profissional na área esportiva. A proposta prevê que parte do financiamento da universidade seja composta por recursos provenientes da arrecadação das apostas esportivas e jogos virtuais, repassados pelo Ministério do Esporte.
De acordo com o texto oficial, a iniciativa integra o legado institucional da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil. O projeto se insere em uma política mais ampla de fortalecimento do esporte como ferramenta de inclusão social, combate às desigualdades e profissionalização do setor.
Financiamento híbrido e uso de recursos das apostas
O projeto de lei autoriza expressamente que a Universidade Federal do Esporte utilize parte da arrecadação oriunda das bets regulamentadas no país. Esses valores, já destinados ao Ministério do Esporte conforme a legislação vigente, funcionariam como fonte complementar de financiamento, somando-se a:
- verbas previstas no Orçamento Geral da União;
- convênios com entidades públicas e privadas;
- receitas próprias obtidas por meio de serviços, pesquisas e projetos acadêmicos.
Segundo o governo, a estrutura foi desenhada para garantir sustentabilidade financeira sem provocar aumento imediato das despesas com pessoal. A execução do projeto dependerá de dotações orçamentárias específicas, respeitando os limites fiscais.
Legado da Copa do Mundo Feminina de 2027
A criação da universidade está diretamente vinculada à realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será sediada pelo Brasil. O governo argumenta que grandes eventos esportivos devem deixar heranças estruturais e educacionais duradouras, indo além da infraestrutura física.
O texto do projeto destaca que o futebol feminino no Brasil ainda enfrenta obstáculos históricos, estruturais e culturais, o que reforça a necessidade de investimento em formação, pesquisa e políticas públicas voltadas ao esporte.
Diagnóstico do futebol feminino no Brasil
O projeto apresenta um diagnóstico detalhado sobre a realidade do futebol feminino no país. Entre os principais dados levantados pelo governo, destacam-se:
- o futebol feminino é descrito como predominantemente amador;
- apenas 19,2% das atletas possuem vínculo profissional;
- somente 1,2% contam com contrato de formação;
- 45% das pessoas que trabalham com futebol feminino são homens.
Esses números evidenciam a precariedade das relações de trabalho e a desigualdade de gênero ainda presente no setor esportivo.
Desigualdades raciais e de acesso a cargos de liderança
O documento enviado ao Congresso também aborda questões raciais e estruturais. Relatos de discriminação aparecem de forma recorrente nos dados apresentados pelo governo:
- 41% das pessoas negras relataram ter sofrido racismo em suas atividades profissionais;
- 31% das pessoas indígenas também afirmaram ter sido vítimas de discriminação.
Além disso, o texto destaca um paradoxo no futebol brasileiro: embora 57% dos jogadores da elite sejam pretos ou pardos, em 2023 não havia nenhum treinador negro comandando clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Entre os auxiliares técnicos, apenas 17% eram negros.
Esses dados são utilizados como base para justificar a criação de uma universidade pública especializada, capaz de formar profissionais qualificados e ampliar o acesso a cargos técnicos, administrativos e acadêmicos no esporte.
Objetivos da Universidade Federal do Esporte
Segundo o governo, a UFE terá como missão:
- formar profissionais especializados nas diversas áreas do esporte;
- produzir pesquisa científica aplicada à gestão esportiva;
- promover inclusão social, racial e de gênero;
- reduzir desigualdades históricas no acesso à formação superior;
- contribuir para o desenvolvimento sustentável do esporte nacional.
A universidade deverá atuar de forma integrada com federações, confederações, clubes, escolas e programas sociais.
Sede, cronograma e oferta de cursos
O projeto estabelece que a sede da Universidade Federal do Esporte será em Brasília. A previsão é que as atividades acadêmicas tenham início em 2027, coincidindo com a realização da Copa do Mundo Feminina.
No primeiro momento, estão previstos:
- cinco cursos de graduação;
- cinco cursos de pós-graduação lato sensu.
Em um horizonte de até quatro anos, o plano de expansão prevê a ampliação para onze cursos de graduação, com capacidade máxima estimada em 3 mil estudantes.
Impacto esperado na formação esportiva
Com a criação da UFE, o governo espera ampliar significativamente a oferta de ensino superior voltado ao esporte, área que hoje conta com poucos cursos públicos especializados. A expectativa é formar profissionais em educação física, gestão esportiva, ciência de dados aplicada ao esporte, fisiologia, arbitragem, políticas públicas e áreas correlatas.
O projeto reforça que o esporte deve ser tratado como vetor de desenvolvimento econômico, social e educacional, especialmente em um contexto de crescimento do mercado de apostas esportivas regulamentadas no país.
Próximos passos no Congresso
O projeto de lei começará a tramitar pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado, seguirá para o Senado Federal e, posteriormente, para sanção presidencial.
A proposta deve gerar debates sobre o uso de recursos das apostas esportivas, o papel do Estado na formação esportiva e o legado dos grandes eventos internacionais sediados pelo Brasil.
Fonte: iGaming Brazil – igamingbrazil.com | Autor: Luiz Vinicius

