ANJL avalia regulamentação e alerta sobre supertributação

Presidente da ANJL faz balanço do primeiro ano das apostas reguladas no Brasil, destaca avanços no combate ao mercado ilegal e alerta para os riscos da supertributação no setor.

-
às

- Continua Depois do Anúncio -

ANJL faz balanço do primeiro ano das apostas reguladas no Brasil

O mercado brasileiro de apostas viveu em 2025 seu primeiro ano completo sob os efeitos práticos da regulamentação. Em um período marcado por avanços institucionais, desafios fiscais e intensificação do combate ao mercado ilegal, o setor deu passos importantes rumo à consolidação do modelo regulado no país.

Em entrevista exclusiva ao Focus Gaming News, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, avaliou os principais acontecimentos do ano, comentou a relação com o governo e órgãos reguladores e alertou para os riscos que a supertributação pode representar para a sustentabilidade das apostas legais no Brasil.

2025 como ano decisivo para o mercado regulado

Segundo Plínio Lemos Jorge, 2025 foi um ano complexo, porém essencial para estruturar o mercado regulado de apostas no país. O dirigente destacou que a ANJL concentrou sua atuação em dois eixos prioritários: o enfrentamento ao mercado ilegal e a resistência a propostas de aumento excessivo da carga tributária sobre o setor.

De acordo com o presidente da entidade, em diversos momentos o mercado de apostas foi tratado como uma solução imediata para questões fiscais, o que acendeu um alerta sobre medidas que poderiam comprometer a viabilidade das operadoras legalizadas.

A ANJL defende que a regulamentação deve equilibrar arrecadação, segurança jurídica e estímulo à formalização. Para a associação, tributações elevadas demais acabam produzindo o efeito inverso ao desejado, incentivando a migração de apostadores para plataformas clandestinas.

Supertributação e riscos ao setor legal

Um dos pontos mais sensíveis destacados na entrevista foi a preocupação com a supertributação das apostas esportivas. Plínio Lemos Jorge afirmou que cargas fiscais excessivas afetam diretamente a competitividade das empresas licenciadas.

Segundo ele, quando o ambiente regulado se torna oneroso demais, o apostador tende a buscar alternativas fora da legalidade. Muitas dessas plataformas ilegais operam sem qualquer tipo de controle, não recolhem impostos e, em alguns casos, estão ligadas a organizações criminosas internacionais.

Além da perda de arrecadação, esse cenário gera riscos adicionais ao consumidor, que fica exposto a práticas abusivas, falta de transparência e ausência de mecanismos de proteção.

Avanços no combate ao mercado ilegal

Apesar dos desafios, 2025 também foi marcado por avanços relevantes no combate às apostas ilegais. A ANJL firmou uma parceria estratégica com a Superintendência de Fiscalização da Anatel e com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

Essa cooperação resultou na implementação de um sistema automatizado para identificação e bloqueio de sites clandestinos. A iniciativa é considerada um passo decisivo para reduzir a atuação de operadores ilegais e ampliar a proteção aos apostadores.

Para a associação, o fortalecimento dessas ações é essencial para garantir que o mercado regulado cumpra seu papel econômico e social, oferecendo um ambiente seguro e fiscalizado.

Impacto de políticas públicas mal calibradas

Outro ponto abordado por Plínio Lemos Jorge foi a divulgação de pesquisas realizadas pela ANJL ao longo do ano. Um dos levantamentos revelou dados considerados preocupantes sobre restrições impostas a beneficiários de programas sociais.

De acordo com o estudo, cerca de 45% dos entrevistados afirmaram que migrariam para plataformas ilegais caso fossem impedidos de acessar sites regulados de apostas esportivas.

Para a ANJL, esse dado evidencia que medidas restritivas, quando não acompanhadas de análises de impacto, podem fortalecer o mercado clandestino em vez de combatê-lo.

Diálogo com governo e órgãos reguladores

Questionado sobre o relacionamento com o poder público, o presidente da ANJL afirmou que as associações do setor têm atuado de forma responsável e técnica nas discussões regulatórias.

A entidade defende que qualquer mudança nas regras, especialmente no campo tributário, seja baseada em estudos consistentes, projeções econômicas e dados concretos.

Segundo Plínio, propostas que impactam negativamente uma atividade econômica legítima, sem embasamento técnico adequado, geram insegurança jurídica e prejudicam a credibilidade do modelo regulado.

Pontos da regulação que ainda exigem ajustes

Embora reconheça avanços no marco regulatório, a ANJL aponta que ainda há aspectos que precisam de aprimoramento para garantir mais segurança e transparência.

Um dos temas destacados é a necessidade de maior clareza e padronização das regras de publicidade, evitando interpretações divergentes e assegurando comunicação responsável, especialmente em relação a públicos vulneráveis.

A entidade também defende o fortalecimento dos mecanismos tecnológicos de verificação de jogadores, com critérios auditáveis que garantam o cumprimento das exigências legais pelas plataformas licenciadas.

Integridade e prevenção a fraudes

A integridade das operações é outro ponto central na agenda da ANJL. O presidente da associação ressaltou a importância da integração entre órgãos reguladores, entidades do setor e autoridades competentes.

Essa atuação conjunta é vista como fundamental para prevenir práticas como manipulação de resultados, fraudes e outras atividades ilícitas que comprometem a confiança no mercado.

Para Plínio Lemos Jorge, qualquer aprimoramento regulatório deve ser construído com base em diálogo, evidências e análise de impacto, evitando efeitos colaterais que possam fortalecer a indústria clandestina.

Expectativas e prioridades para 2026

Olhando para 2026, a ANJL projeta um cenário desafiador, especialmente em função da realização da próxima Copa do Mundo, evento que tradicionalmente impulsiona o volume de apostas.

Segundo a entidade, grandes eventos esportivos tendem a atrair também operadores ilegais, ampliando a oferta de plataformas não autorizadas ao público brasileiro.

Diante disso, o combate aos sites clandestinos e a revisão da carga tributária aplicada ao setor aparecem como as principais bandeiras da associação para o próximo ano.

Desinformação e percepção pública do setor

Outro desafio citado pelo presidente da ANJL é o desconhecimento generalizado sobre o funcionamento do mercado de apostas reguladas. Para ele, a regulamentação deveria ter estimulado maior interesse em compreender o potencial econômico do setor.

No entanto, parte da percepção negativa ainda está ligada à falta de informação e, em alguns casos, à exploração política do tema, o que pode resultar em decisões que reduzem a arrecadação de estados e municípios.

A ANJL reforça que o setor tem capacidade de gerar empregos, investimentos e receitas, desde que exista um ambiente regulatório equilibrado e sustentável.

Consolidação do mercado regulado

Para Plínio Lemos Jorge, o primeiro ano da regulamentação deixou lições importantes. O caminho para a consolidação do mercado regulado passa pelo fortalecimento das regras, combate efetivo à ilegalidade e construção de políticas públicas baseadas em dados.

A expectativa da ANJL é que, com ajustes pontuais e diálogo contínuo, o Brasil consiga estruturar um mercado de apostas sólido, transparente e competitivo, alinhado às melhores práticas internacionais.

O ano de 2026, segundo a entidade, será determinante para definir o futuro do setor e o equilíbrio entre arrecadação, proteção ao consumidor e desenvolvimento econômico.

Fonte: Focus Brasil – focusgn.com

MAIS NOTÍCIAS DESTE AUTOR

Las Vegas cresce nos jogos e perde turistas

Las Vegas registra alta na receita dos cassinos em outubro, mesmo com queda contínua no número de visitantes e redução nos gastos fora dos jogos. Veja os dados do NGCB e da LVCVA e entenda o cenário.

DraftKings e FanDuel deixam Nevada

DraftKings e FanDuel surpreendem ao abandonar Nevada enquanto a MLB restringe apostas prop após escândalos recentes. Confira também decisões sobre mercados de previsão, recordes em Nova York e resultados da Bally no setor iGaming.

MAIS NOTÍCIAS

Sorte Online destina parte da receita do Outubro Rosa à ONG Vilma Kano

A Sorte Online destinará à ONG Vilma Kano parte da receita gerada pela intermediação de bolões e apostas durante o Outubro Rosa. A ação ocorre junto à Mega Semana Outubro Rosa da Mega-Sena e inclui bônus de 5% a 10% para compras elegíveis em diferentes concursos, cumulativos com cashback conforme as regras da plataforma.

The Den Poker Lounge será inaugurado no Texas com foco nas mulheres

O The Den Poker Lounge será inaugurado em 12 de novembro, em Rowlett, no Texas. Fundado por Marjorie Bradford e Jamie Kempf, o clube terá 15 mesas e buscará ampliar a participação feminina no poker, mantendo o espaço aberto a jogadores de todos os gêneros.

Jogo responsável exige prevenção, proteção e apoio à saúde mental

O jogo responsável envolve medidas para prevenir danos financeiros, emocionais e sociais associados às apostas. Entre as principais recomendações estão estabelecer limites de tempo e gastos, reconhecer sinais de perda de controle e buscar ajuda. No Brasil, o Ministério da Saúde oferece orientação e teleatendimento pelo Meu SUS Digital.
Amábile Silva
Amábile Silvahttps://conexaobet.com/
Estudante e aspirante a escritora, apaixonada por literatura e filosofia.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

CATEGORIAS POPULARES

Sorte Online destina parte da receita do Outubro Rosa à ONG Vilma Kano

A Sorte Online destinará à ONG Vilma Kano parte da receita gerada pela intermediação de bolões e apostas durante o Outubro Rosa. A ação ocorre junto à Mega Semana Outubro Rosa da Mega-Sena e inclui bônus de 5% a 10% para compras elegíveis em diferentes concursos, cumulativos com cashback conforme as regras da plataforma.