Especialistas apontam erros que afastam investidores de startups
O mercado global de startups segue aquecido, especialmente nos setores ligados à tecnologia, apostas online e inovação digital. No entanto, conquistar investidores continua sendo um dos maiores desafios para empresas em estágio inicial. Segundo executivos da RedCore, muitos projetos acabam eliminados logo nas primeiras etapas de avaliação por repetirem falhas consideradas básicas no universo de venture capital.
Andrei Alexandrov e Oleksandr Briukhovetskyi, gestores de portfólio de investimentos da RedCore, compartilharam uma análise detalhada sobre os fatores que mais influenciam decisões de investimento. Os especialistas destacaram tanto os sinais negativos que afastam investidores quanto os elementos positivos que aumentam as chances de uma startup avançar nas negociações.
O levantamento reforça que, no ambiente competitivo do iGaming e da tecnologia, apenas boas ideias já não são suficientes. Estrutura, execução e clareza estratégica passaram a ser determinantes.
Avaliações irreais são um dos maiores problemas
Entre os principais pontos de alerta observados pela RedCore está a definição de valuations sem fundamento concreto. Segundo os executivos, muitas startups chegam ao mercado com avaliações milionárias mesmo sem possuir receita recorrente, clientes ativos ou validação comercial.
Os investidores alertam que modelos financeiros desconectados da realidade do mercado comprometem imediatamente a credibilidade do projeto.
De acordo com Andrei Alexandrov, fundadores frequentemente não conseguem explicar como chegaram aos números apresentados ou quais fatores sustentam o valor atribuído à empresa.
Para investidores experientes, isso demonstra que o projeto está baseado apenas em expectativas futuras, sem dados sólidos que sustentem a proposta de negócio.
Projetos paralelos perdem força diante dos investidores
Outro fator apontado como negativo envolve equipes que desenvolvem startups apenas nas horas vagas. Muitos fundadores mantêm empregos em tempo integral enquanto tentam estruturar seus produtos paralelamente.
Segundo Oleksandr Briukhovetskyi, esse modelo costuma levantar dúvidas sobre comprometimento, velocidade de execução e capacidade operacional.
Para o executivo, startups que funcionam como projetos secundários tendem a evoluir mais lentamente e encontram maior dificuldade para competir em mercados altamente dinâmicos.
“Procuramos equipes totalmente comprometidas com seus produtos. O esforço em tempo parcial geralmente leva a resultados em tempo parcial”, afirmou o gestor.
Ausência de métricas enfraquece qualquer apresentação
Os especialistas também destacam que muitos pitches impressionam visualmente, mas falham na parte mais importante: os números.
Apresentações longas, cheias de projeções ambiciosas e gráficos sofisticados, acabam perdendo valor quando não incluem indicadores essenciais como:
- Custo de aquisição de clientes (CAC);
- Lifetime Value (LTV);
- Burn rate;
- Receita recorrente mensal;
- Taxa de retenção de usuários.
Sem esses dados, investidores consideram impossível avaliar a sustentabilidade do negócio e o potencial de crescimento da operação.
“Se um fundador não conhece seus números, ele não entende realmente seu negócio”, explicou Andrei Alexandrov.
Falta de transparência durante diligências gera desconfiança
Outro erro frequentemente citado pela RedCore envolve dificuldades no compartilhamento de informações durante o processo de due diligence.
Frases como “vamos enviar depois”, “isso é confidencial” ou “confie em nós” costumam gerar forte sinal de alerta para fundos de investimento.
Os gestores explicam que transparência é um requisito básico em qualquer negociação profissional. Quanto mais resistência o fundador apresenta em compartilhar documentos e dados estratégicos, menor tende a ser a confiança do investidor.
Em muitos casos, o processo sequer avança após os primeiros indícios de falta de abertura.
Mercado saturado exige diferenciação real
A ausência de posicionamento claro também aparece entre os fatores que mais afastam investidores.
Segundo os executivos, muitos projetos surgem apenas como “mais uma versão” de soluções já existentes no mercado, sem apresentar inovação prática ou diferenciais competitivos.
No segmento de apostas online e tecnologia, isso ocorre principalmente com:
- Novos afiliados;
- Plataformas white label;
- Provedores de jogos genéricos;
- Operadores sem proposta única de valor.
Para a RedCore, startups precisam demonstrar claramente qual problema resolvem e por que o mercado realmente precisaria daquela solução específica.
O que faz uma startup chamar atenção dos investidores
Apesar dos sinais negativos, os gestores também destacaram características comuns entre projetos que rapidamente entram na lista prioritária de investimentos.
Um dos fatores mais valorizados é a existência de um MVP funcional com clientes reais utilizando o produto.
Mesmo receitas iniciais consideradas pequenas já são vistas como indicadores extremamente positivos, pois demonstram validação prática de mercado.
Segundo a RedCore, startups que já possuem faturamento recorrente, ainda que modesto, mostram sinais concretos de product-market fit.
Equipes fortes aumentam a confiança no projeto
Os investidores também valorizam fundadores que conseguem apresentar sua equipe de forma objetiva, destacando experiências anteriores e resultados reais.
Em vez de apenas mencionar cargos genéricos, os executivos esperam ouvir detalhes concretos sobre o histórico profissional dos membros da startup.
Experiências anteriores em lançamentos de produtos, expansão internacional, operações de iGaming ou negociações comerciais costumam agregar forte valor às avaliações.
Segundo Andrei Alexandrov, equipes estruturadas demonstram maior capacidade de execução e reduzem riscos operacionais.
Parcerias estratégicas ganharam mais importância
A RedCore também destacou que startups mais bem avaliadas são aquelas que enxergam investidores como parceiros estratégicos e não apenas como fontes de capital.
O fundo oferece suporte que vai além do aporte financeiro, incluindo:
- Infraestrutura operacional;
- Acesso a clientes;
- Suporte jurídico;
- Estratégias de crescimento;
- Networking internacional.
Segundo Oleksandr Briukhovetskyi, projetos que demonstram interesse genuíno em construir relações de longo prazo tendem a apresentar resultados mais consistentes.
Planejamento realista faz diferença
Outro ponto considerado essencial envolve a capacidade de construir metas realistas para os próximos 12 a 18 meses.
Os investidores afirmam que preferem startups com objetivos claros e alcançáveis em vez de projeções exageradamente otimistas.
Roadmaps bem estruturados normalmente incluem:
- Entrada em novos mercados;
- Primeiros contratos relevantes;
- Expansão gradual da receita;
- Crescimento sustentável da base de usuários.
No atual cenário global de investimentos, disciplina financeira e previsibilidade operacional passaram a ter ainda mais peso nas análises.
Mercado de iGaming segue atraindo novos investimentos
Mesmo diante de critérios mais rigorosos, o mercado global de apostas online continua despertando interesse de fundos e investidores internacionais.
Com a regulamentação avançando em países estratégicos, incluindo o Brasil, o segmento de empresas ligadas ao iGaming e tecnologia deve seguir movimentando bilhões nos próximos anos.
Especialistas avaliam que startups capazes de unir inovação, compliance, tecnologia e escalabilidade terão maiores chances de conquistar espaço nesse novo ciclo de crescimento do setor.
A tendência é que investidores se tornem cada vez mais seletivos, priorizando operações sustentáveis e negócios com forte potencial de diferenciação.

