Apesar da expectativa positiva em torno da iniciativa, especialistas afirmam que programas de renegociação podem ter efeito limitado quando não são acompanhados por ações de educação financeira e mudança de comportamento.
Prêmio da Mega-Sena não resolveu problema financeiro
Um dos casos que ilustram essa realidade é o do empresário Delano Zonta. Mesmo após ganhar R$ 35 mil na quina da Mega-Sena, ele continuou enfrentando dificuldades financeiras.
Na época, Zonta acumulava uma dívida superior a R$ 230 mil e utilizou integralmente o prêmio para pagamentos parciais, reduzindo apenas uma pequena parte do débito total.
Segundo o empresário, a falta de controle financeiro e o uso excessivo do crédito foram determinantes para o agravamento da situação.
Uso descontrolado do crédito ampliou o endividamento
Zonta relatou que misturava as contas pessoais com as despesas da empresa e utilizava frequentemente o cartão de crédito acima da sua capacidade de pagamento.
Quando as faturas chegavam, recorria ao cheque especial e a novos empréstimos bancários para quitar débitos anteriores, criando um ciclo contínuo de endividamento.
“Mesmo tendo boa renda, eu sempre acabava gastando tudo”, afirmou.
Reorganização financeira levou anos
Após anos enfrentando dificuldades, o empresário decidiu reorganizar completamente sua vida financeira. Foram necessários quase quatro anos para quitar todas as dívidas acumuladas.
A última parcela foi paga em janeiro de 2020, marcando o encerramento de um longo processo de recuperação financeira.
Educação financeira ganha destaque no debate
Hoje atuando como planejador financeiro, Zonta acredita que renegociar dívidas sem mudar hábitos financeiros apenas adia o problema.
Ele defende que o maior desafio do país não está apenas nos juros elevados ou no acesso ao crédito, mas principalmente na ausência de educação financeira desde a infância.
Especialistas alertam para riscos do crédito fácil
A planejadora financeira Myrian Lund também aponta o excesso de crédito disponível como um dos fatores centrais para o crescimento da inadimplência no país.
Segundo ela, iniciativas como o Desenrola podem gerar alívio temporário, mas dificilmente resolvem o problema estrutural sem mudanças profundas no comportamento financeiro da população.
“Do ponto de vista estrutural, é apenas enxugar gelo”, destacou.
Endividamento também envolve fatores emocionais
Especialistas afirmam que o endividamento vai além das questões matemáticas e financeiras. Problemas emocionais, familiares e situações inesperadas também contribuem diretamente para o desequilíbrio financeiro.
Doenças, perda de renda, relacionamentos abusivos e fraudes bancárias aparecem entre os principais gatilhos para o aumento das dívidas.
Fraudes e golpes agravaram situação de consumidores
Uma das entrevistadas relatou ter acumulado mais de R$ 150 mil em prejuízos após criminosos utilizarem seu celular roubado para realizar compras fraudulentas e contratar empréstimos em seu nome.
Outra consumidora afirmou ter se endividado após assumir empréstimos e despesas durante um relacionamento que terminou de forma traumática.
Especialistas recomendam diagnóstico financeiro completo
Profissionais da área recomendam que o primeiro passo para sair das dívidas seja realizar um levantamento detalhado de todas as despesas, rendas e débitos existentes.
Também é importante priorizar dívidas com juros mais altos e evitar novos financiamentos desnecessários.
Planejamento é fundamental para evitar recaídas
Planejadores financeiros alertam que renegociar dívidas não significa solucionar definitivamente o problema. Sem disciplina e controle de gastos, muitos consumidores acabam retornando rapidamente ao vermelho.
O processo exige mudanças de hábitos, redução de consumo e construção gradual de uma reserva financeira.
Mais informações sobre educação financeira e serviços de renegociação podem ser acessadas no portal oficial da Serasa e no site do Governo Federal.
Desenrola pode ajudar, mas não resolve sozinho
Embora o Novo Desenrola Brasil seja visto como uma oportunidade importante para milhões de brasileiros renegociarem dívidas, especialistas reforçam que a solução definitiva depende de educação financeira, consumo consciente e planejamento de longo prazo.
Sem isso, o ciclo de inadimplência tende a continuar afetando boa parte da população brasileira.
Fonte: BNL Data e Autor: Magno José

