Entidades europeias criticam imposto único para apostas online
A proposta de criação de um imposto unificado para operadores de apostas online na Europa vem gerando forte resistência entre representantes da indústria de iGaming no continente. A ideia, que ganhou espaço nos debates recentes do Parlamento Europeu, é vista por líderes do setor como uma ameaça à estabilidade regulatória dos mercados nacionais.
Um dos posicionamentos mais contundentes partiu de Milen Totev, presidente da Associação de Organizadores de Jogos e Atividades de Apostas da Bulgária (AOGGAB). Em entrevista à SBC News, o executivo classificou a proposta como perigosa e afirmou que a medida pode provocar insegurança jurídica e instabilidade comercial em diversos países da União Europeia.
Segundo Totev, embora a iniciativa tenha sido apresentada como uma alternativa econômica e socialmente positiva, a implementação prática do modelo levanta dúvidas complexas envolvendo tributação, soberania regulatória e distribuição de receitas entre os estados-membros.
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União Europeia possui modelos independentes de regulamentação
A principal preocupação apresentada pelo dirigente da AOGGAB está relacionada ao atual funcionamento regulatório da União Europeia. Hoje, cada país do bloco possui autonomia para estabelecer suas próprias regras para o mercado de apostas e jogos online.
Na avaliação de Totev, a adoção de um imposto comum mudaria completamente a lógica do sistema europeu.
O executivo destacou que a regulamentação do setor foi construída levando em consideração características econômicas, culturais e jurídicas específicas de cada mercado nacional.
Por isso, um modelo tributário padronizado poderia gerar conflitos administrativos e operacionais para operadores licenciados que atuam em múltiplas jurisdições.
Falta de clareza preocupa operadores licenciados
Outro ponto levantado pelo representante búlgaro envolve a ausência de definições claras sobre como funcionaria a arrecadação e distribuição dos valores provenientes dessa eventual taxação unificada.
Segundo Totev, ainda existem questionamentos fundamentais sem respostas concretas.
Entre as dúvidas citadas estão quem seria responsável pela arrecadação, como os recursos seriam distribuídos entre os países, quais critérios seriam utilizados para considerar o tamanho de cada mercado e como evitar um aumento excessivo da carga tributária sobre empresas já licenciadas.
O executivo também alertou para os impactos internacionais da proposta, já que boa parte dos operadores, provedores de tecnologia e plataformas digitais atua simultaneamente em diversos mercados globais.
Na visão dele, mudanças bruscas no modelo europeu poderiam gerar consequências além do continente.
Mercado ilegal segue como maior preocupação
Em vez da criação de novas cobranças tributárias, Totev defende que a prioridade da Europa deveria ser o combate ao mercado ilegal de apostas online.
O executivo citou a atuação da recém-criada Federação de Jogos dos Balcãs (BGF) como um exemplo de cooperação regional voltada para o enfrentamento de plataformas clandestinas.
Segundo ele, medidas que aumentam a pressão financeira sobre operadores regulamentados sem atingir diretamente os sites ilegais acabam produzindo o efeito contrário ao esperado.
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Cooperação internacional ganha força no setor
A Federação de Jogos dos Balcãs vem trabalhando para ampliar o intercâmbio de informações entre associações nacionais e autoridades reguladoras.
O objetivo é acelerar o rastreamento de operadores ilegais e fortalecer ações conjuntas contra práticas irregulares no ambiente digital.
Totev destacou o modelo aplicado pela Croácia como uma das referências positivas no monitoramento e bloqueio de plataformas clandestinas.
Segundo ele, a colaboração internacional será decisiva para impedir o avanço de empresas que operam fora das regras estabelecidas pelos governos europeus.
Operadores legais querem maior fiscalização
Durante a entrevista, o dirigente afirmou que empresas regulamentadas possuem interesse direto no fortalecimento das fiscalizações e no fechamento de sites ilegais.
Isso porque operadores licenciados seguem regras rígidas, pagam impostos e precisam cumprir exigências relacionadas à proteção do consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro e políticas de jogo responsável.
Na avaliação do executivo, plataformas clandestinas prejudicam tanto os governos quanto os próprios usuários, que ficam expostos a golpes, ausência de garantias financeiras e práticas sem qualquer supervisão.
Totev reforçou ainda que a proteção ao mercado legal não envolve apenas interesses comerciais, mas também a defesa da arrecadação pública e da segurança dos consumidores.
| Principais pontos do debate europeu | Posicionamento das entidades |
|---|---|
| Imposto unificado sobre apostas | Considerado arriscado e instável |
| Regulação nacional | Cada país deve manter autonomia |
| Mercado ilegal | Apontado como principal ameaça |
| Operadores regulamentados | Defendem maior fiscalização |
| Cooperação internacional | Vista como prioridade estratégica |
| Federação dos Balcãs | Atuação focada no combate ao ilegal |
Debate tributário deve continuar no Parlamento Europeu
A proposta defendida inicialmente por Victor Negrescu, vice-presidente do Parlamento Europeu, ainda deverá passar por novas discussões dentro das instituições europeias.
Embora setores políticos argumentem que um imposto comum poderia ampliar a arrecadação e fortalecer políticas sociais, representantes da indústria seguem pressionando para preservar a autonomia regulatória dos países.
Especialistas acreditam que qualquer alteração no modelo tributário europeu exigirá negociações complexas entre governos, reguladores e operadores privados.
Mais detalhes sobre o cenário europeu podem ser consultados no portal oficial do Parlamento Europeu.
A cobertura completa da discussão também foi publicada pela SBC News, especializada no mercado global de apostas e iGaming.
Fonte: iGaming Brazil
Autor: Lucas Olivan

