Operadoras licenciadas pressionam futebol inglês contra mercado clandestino
A Entain, grupo proprietário das marcas Ladbrokes e Coral, intensificou a pressão sobre o futebol inglês ao solicitar que o Regulador Independente do Futebol (IFR) impeça clubes da Premier League de firmarem acordos comerciais com operadoras de apostas sem licença no Reino Unido.
O pedido foi apresentado durante a segunda consulta pública promovida pelo IFR, órgão responsável pela construção das novas regras de licenciamento aplicadas às cinco principais divisões do futebol masculino inglês.
Segundo a Entain, o regulador possui autoridade suficiente para agir imediatamente contra clubes que mantenham vínculos comerciais com empresas consideradas ilegais no mercado britânico.
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Entain quer enquadramento de operadoras ilegais
De acordo com a empresa, as regras preliminares do IFR já proíbem que clubes aceitem recursos financeiros relacionados a crimes graves. Com base nisso, a Entain defende que operadoras de apostas não licenciadas também sejam enquadradas nessa categoria.
A diretora executiva da companhia, Stella David, criticou abertamente a presença crescente de empresas ilegais no futebol inglês.
“Os clubes da Premier League estão sendo patrocinados por empresas de jogos de apostas ilegais”, afirmou Stella David.
A executiva também declarou que o IFR teria condições de impedir imediatamente esse tipo de parceria comercial.
“O Regulador Independente do Futebol pode acabar com isso amanhã mesmo, simplesmente reconhecendo que as empresas de jogos de apostas não licenciadas que visam clientes do Reino Unido por meio do futebol inglês estão infringindo a lei”, completou.
Clubes ingleses mantêm acordos com operadores sem licença
A preocupação da Entain ocorre em meio ao crescimento acelerado do mercado clandestino de apostas no Reino Unido.
Atualmente, clubes como Everton, Sunderland, Fulham, Bournemouth e Burnley possuem contratos de patrocínio com empresas que não possuem autorização oficial para operar no mercado britânico.
Além disso, estudos recentes apontam que 18 dos 20 clubes da Premier League exibiram publicidade de operadores ilegais em painéis de LED durante a atual temporada.
Especialistas afirmam que a exposição constante dessas marcas amplia a visibilidade de plataformas não regulamentadas entre os consumidores britânicos.
Fim parcial dos patrocínios não resolve problema
A Premier League aprovou recentemente o encerramento gradual dos patrocínios de apostas na parte frontal das camisas dos clubes a partir da temporada 2026/27.
No entanto, outros formatos comerciais continuarão liberados, incluindo:
| Formato permitido | Descrição |
|---|---|
| Logotipos nas mangas | Exposição de marcas nas camisas |
| Painéis de LED | Publicidade ao redor do gramado |
| Ações promocionais | Campanhas comerciais durante jogos |
| Patrocínios digitais | Ativações em redes sociais e plataformas online |
Segundo analistas do setor, a manutenção desses espaços comerciais pode continuar permitindo a presença indireta de operadores ilegais dentro do futebol inglês.
Mais informações institucionais podem ser consultadas no portal oficial da Premier League.
Mercado ilegal movimenta bilhões no Reino Unido
Dados divulgados pelo Betting and Gaming Council apontam que o mercado clandestino de apostas movimenta atualmente cerca de 4,3 bilhões de libras por ano no Reino Unido.
Além disso, pesquisas indicam que um em cada cinco jovens entre 18 e 24 anos já utilizou plataformas ilegais de apostas.
A expectativa é de crescimento ainda maior nos próximos anos. Um relatório recente da H2 Gambling Capital projeta que o mercado ilegal poderá atingir 17 bilhões de libras no futuro.
Especialistas avaliam que a combinação entre alta demanda digital e publicidade esportiva vem favorecendo o avanço dessas plataformas não licenciadas.
Usuários do GamStop recebem publicidade ilegal
Outro dado que aumentou a preocupação das autoridades envolve usuários cadastrados no GamStop, sistema britânico de autoexclusão voltado ao jogo responsável.
Segundo a Comissão de Jogos do Reino Unido, aproximadamente 67% dos usuários do programa recebem publicidade relacionada a operadores clandestinos.
O cenário levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas atuais de proteção ao consumidor e reforça a pressão por regulamentações mais rígidas.
Detalhes sobre fiscalização e políticas regulatórias podem ser consultados no portal da Gambling Commission.
Entain apresenta quatro propostas ao IFR
Durante a consulta pública, a Entain apresentou um pacote com quatro medidas consideradas prioritárias para combater a presença de operadores ilegais no futebol inglês.
Entre as propostas defendidas pela empresa estão:
| Proposta | Objetivo |
|---|---|
| Classificação criminal | Enquadrar receitas ilegais como atividade criminosa grave |
| Verificação anual | Obrigar clubes a revisar situação regulatória dos parceiros |
| Reforço da governança | Ampliar responsabilidade dos conselhos administrativos |
| Diretrizes obrigatórias | Criar regras de diligência e comunicação para clubes |
A empresa também sugeriu punições para dirigentes que apresentem declarações falsas relacionadas aos contratos comerciais firmados com operadores do setor.
Premier League recebe pressão por proibição voluntária
Além do pedido formal ao IFR, a Entain encaminhou uma carta diretamente ao diretor executivo da Premier League, Richard Masters.
No documento, a companhia defende a adoção de uma proibição voluntária de publicidade e patrocínios ligados a operadores sem licença antes mesmo da temporada 2026/27.
A medida teria como objetivo reduzir imediatamente a exposição de empresas clandestinas dentro do futebol britânico.
Enquanto isso, o IFR segue conduzindo consultas paralelas às discussões promovidas pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido.
Debate sobre integridade cresce no esporte europeu
O avanço do mercado ilegal de apostas esportivas vem aumentando a preocupação das autoridades europeias em relação à integridade esportiva e à proteção dos consumidores.
Especialistas avaliam que a presença de operadores não regulamentados no futebol profissional representa riscos financeiros, reputacionais e regulatórios para clubes e ligas esportivas.
Além disso, o crescimento das plataformas ilegais pode dificultar ações de fiscalização e combate à lavagem de dinheiro.
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Mercado regulado busca maior proteção
Operadoras licenciadas defendem que o fortalecimento da regulamentação é essencial para proteger consumidores e garantir equilíbrio competitivo no mercado.
A expectativa é que as discussões envolvendo o IFR, a Premier League e as autoridades britânicas avancem nos próximos meses, especialmente diante do crescimento contínuo do mercado clandestino.
O caso também vem sendo acompanhado internacionalmente por operadores e reguladores de outros mercados regulados.
Fonte: iGaming Brazil e Autor: Luiz Vinicius

