O evento consolidou-se como um dos principais fóruns de discussão do setor no país ao promover a aproximação entre iniciativa privada, autoridades públicas e sociedade civil. Ao longo da programação, especialistas destacaram a necessidade de construir um ambiente regulatório equilibrado, capaz de estimular investimentos, garantir segurança jurídica e fortalecer mecanismos de proteção aos consumidores.
Durante a cerimônia de abertura, os cofundadores do BiS SiGMA, Alessandro Valente e Carlos Cardama, reforçaram a importância da união entre os diversos agentes do mercado para garantir o desenvolvimento sustentável da atividade. A mensagem foi reforçada pelo embaixador de Malta no Brasil, John Aquilina, que citou a experiência do país europeu como exemplo de sucesso na construção de um ecossistema sólido para empresas do segmento.
BiS Brasília fortalece diálogo sobre o mercado regulado
O BiS Brasília foi criado com o objetivo de ampliar o diálogo sobre o desenvolvimento do mercado regulado de apostas, loterias e jogos online no Brasil. A proposta é reunir diferentes setores para discutir soluções que contribuam para o crescimento da indústria de forma transparente e responsável.
Além de representantes de operadores e fornecedores, o evento contou com a participação de órgãos reguladores, associações setoriais e autoridades responsáveis pela fiscalização da atividade, criando um ambiente propício para a troca de experiências e alinhamento de expectativas.
O fortalecimento institucional do setor foi um dos temas centrais dos debates, especialmente diante do novo cenário regulatório implementado pelo governo federal.
SINAPO domina debates sobre integração regulatória
Um dos painéis mais aguardados da programação abordou o Sistema Nacional de Apostas (SINAPO), iniciativa criada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para promover maior integração entre União, estados e Distrito Federal na regulamentação e fiscalização das apostas.
A discussão foi conduzida por Leonardo Benites, diretor de Comunicação da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), e contou com a participação da presidente da Loterj, Fabíola Esteves, do secretário nacional de Apostas Esportivas, Giovanni Rocco, e de Waldir Marques, diretor de Relações Institucionais e Regulação da Todos Querem Jogar (TQJ).
Os participantes defenderam que o SINAPO seja um instrumento de harmonização regulatória, sem comprometer as competências constitucionais dos estados e do Distrito Federal. A avaliação predominante foi de que a integração entre os entes públicos deve ocorrer por meio da cooperação institucional e do compartilhamento de boas práticas.
Fabíola Esteves destacou que o principal desafio consiste em criar mecanismos que promovam alinhamento regulatório sem eliminar a autonomia dos estados. Segundo ela, o mercado brasileiro precisa transmitir confiança e demonstrar que já possui uma estrutura regulada em funcionamento.
Governo destaca evolução da regulamentação
Durante sua participação, Giovanni Rocco ressaltou os avanços obtidos pelo setor após anos de funcionamento sem regras específicas. Segundo ele, a ausência de uma autoridade reguladora durante um longo período contribuiu para um ambiente de insegurança jurídica e favoreceu a expansão de operações sem fiscalização adequada.
O secretário avaliou que o atual modelo regulatório representa uma evolução significativa para o mercado brasileiro e afirmou que o país possui hoje uma das estruturas normativas mais modernas do segmento em âmbito internacional.
Rocco também defendeu a continuidade das apostas esportivas e dos jogos online regulamentados, argumentando que a proibição da atividade não resolveria os desafios atualmente enfrentados pelo setor. Para ele, a solução passa pelo fortalecimento dos mecanismos de controle, fiscalização e monitoramento.
Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre quais empresas possuem autorização para atuar legalmente no Brasil, contribuindo para o combate às plataformas ilegais.
Combate ao mercado ilegal exige cooperação
A atuação coordenada entre União, estados e Distrito Federal também foi apontada como fundamental para reduzir a presença de operadores irregulares no mercado brasileiro.
Waldir Marques destacou que o SINAPO pode desempenhar um papel relevante na definição clara das atribuições de cada ente regulador. Segundo ele, a sobreposição de competências pode gerar insegurança jurídica e desequilíbrios concorrenciais para empresas que atuam dentro das regras.
Leonardo Benites compartilhou visão semelhante e defendeu uma atuação conjunta mais efetiva contra operadores ilegais. Para o executivo, as licenças estaduais não devem ser utilizadas como mecanismo para legitimar operações que descumpram exigências regulatórias.
A harmonização de procedimentos e o fortalecimento da fiscalização foram apontados como medidas essenciais para garantir um ambiente mais seguro para operadores, apostadores e autoridades.
Lavagem de dinheiro e compliance entram em pauta
Outro momento de destaque do BiS Brasília 2026 foi o painel “Follow the Money”, dedicado ao combate à lavagem de dinheiro, integridade financeira e governança corporativa.
O debate reuniu Ricardo Saad, presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ana Helena Pamplona, diretora jurídica da Abrajogo, e Matheus Vidal, head of legal da Paag.
Durante sua apresentação, Saad revelou que o Coaf está desenvolvendo um sistema de feedback direcionado aos setores regulados, incluindo operadores de apostas. A ferramenta deverá avaliar a qualidade das comunicações de operações suspeitas encaminhadas pelas empresas.
Segundo ele, o objetivo não é apenas aumentar a quantidade de informações recebidas, mas melhorar a qualidade das comunicações enviadas ao órgão de inteligência financeira.
O presidente do Coaf ressaltou que uma operação suspeita deve ser acompanhada de contexto e justificativas claras que permitam uma análise mais eficiente pelas autoridades competentes.
Setor busca padronização de boas práticas
Ana Helena Pamplona destacou a importância de o próprio mercado liderar iniciativas voltadas à padronização dos procedimentos relacionados ao reporte de atividades suspeitas.
De acordo com a executiva, operadores e entidades representativas precisam atuar de forma colaborativa para estabelecer critérios e modelos de comunicação alinhados às melhores práticas internacionais.
Matheus Vidal compartilhou entendimento semelhante e afirmou que o setor brasileiro pode acelerar seu amadurecimento ao adotar metodologias já consolidadas em mercados mais desenvolvidos.
Ele também defendeu o fortalecimento da cooperação internacional entre unidades de inteligência financeira para ampliar a capacidade de identificação de crimes transnacionais relacionados a apostas e jogos online.
Painel analisa endividamento e impacto das apostas
As discussões também abordaram um dos temas mais debatidos nos últimos meses: a relação entre apostas esportivas e endividamento da população brasileira.
O painel foi mediado por Ana Bárbara Teixeira, diretora de Relações Governamentais da Abrajogo, e contou com a participação de Victor Yuko Oda, head de produto da Serasa Experian, e Rodrigo Marinho, diretor executivo do Instituto Livre Mercado.
Os especialistas apontaram que fatores como acesso facilitado ao crédito, juros elevados e baixo nível de educação financeira exercem influência muito mais significativa sobre a inadimplência do que as apostas esportivas.
Victor Yuko Oda destacou que a expansão da bancarização e da digitalização trouxe inúmeros benefícios para a população, mas também ampliou o acesso a modalidades de crédito que, quando utilizadas sem planejamento financeiro, podem contribuir para o aumento do endividamento.
Segundo ele, grande parte da população brasileira enfrenta dificuldades para administrar suas finanças, especialmente em um cenário de juros elevados e comprometimento significativo da renda familiar.
Educação financeira surge como desafio nacional
Durante o debate, especialistas ressaltaram a importância da educação financeira como ferramenta fundamental para reduzir os índices de inadimplência observados no país.
Rodrigo Marinho destacou que muitos consumidores recorrem a novas linhas de crédito para quitar dívidas anteriores, criando um ciclo de endividamento difícil de interromper.
Os participantes defenderam que o enfrentamento desse problema exige ações estruturais voltadas à conscientização financeira, ao acesso responsável ao crédito e à promoção de hábitos financeiros mais sustentáveis.
Setor projeta crescimento com responsabilidade
As discussões realizadas no BiS Brasília 2026 demonstraram que o mercado brasileiro de iGaming atravessa uma fase decisiva de consolidação. O avanço da regulamentação, o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e a integração entre os diferentes entes reguladores foram apontados como pilares para o desenvolvimento sustentável da indústria.
Ao mesmo tempo, temas como compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, integridade esportiva e proteção ao consumidor continuam ocupando posição central na agenda do setor.
O evento reforçou a percepção de que a construção de um ambiente seguro, competitivo e transparente depende da colaboração entre empresas, entidades representativas e autoridades públicas.
Para acompanhar mais conteúdos sobre iGaming, regulamentação e mercado de apostas, acesse também as seções de Legislação e as principais coberturas especiais do ConexaoBet.
Informações oficiais sobre o setor podem ser consultadas diretamente na Secretaria de Prêmios e Apostas e no portal do Coaf.
Fonte: iGB Brasil e Autor: Gildo Mazza

