Proposta busca integrar setores estratégicos para fortalecer o turismo nacional
O turismo brasileiro voltou ao centro dos debates econômicos durante a mais recente edição do Seminário LIDE Turismo, realizada em São Paulo. O evento reuniu empresários, executivos, representantes da aviação comercial e especialistas do setor para discutir caminhos capazes de ampliar a competitividade do Brasil em um dos mercados que mais crescem no mundo.
Entre os destaques do encontro esteve a participação do ex ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, que apresentou uma proposta voltada à integração dos diferentes segmentos da cadeia turística. Segundo ele, o país precisa adotar uma visão mais estratégica para aproveitar todo o potencial econômico que possui em áreas como turismo de natureza, aventura, experiências exclusivas e cruzeiros marítimos.
Durante sua palestra, Lummertz defendeu a criação de uma estrutura permanente de articulação entre empresas, entidades representativas e órgãos públicos, iniciativa que recebeu o nome de União Nacional do Turismo.
Para o ex-ministro, o setor possui capacidade para gerar empregos, atrair investimentos, fortalecer economias regionais e ampliar a participação do Brasil no mercado global de viagens e entretenimento.
Turismo global vive fase de expansão acelerada
Ao abordar as perspectivas internacionais, Lummertz destacou que o turismo continuará sendo um dos segmentos mais relevantes da economia mundial nos próximos anos.
Segundo estimativas apresentadas durante o evento, a atividade deverá movimentar aproximadamente US$ 16 trilhões globalmente, representando mais de 11% da economia mundial e sustentando centenas de milhões de empregos diretos e indiretos.
Na avaliação do ex-ministro, o Brasil reúne características únicas para aproveitar esse crescimento. A diversidade natural, a extensão territorial, a variedade cultural e o potencial para o turismo de aventura colocam o país em posição privilegiada diante de diversos concorrentes internacionais.
Mesmo assim, ele acredita que o desempenho brasileiro continua abaixo das oportunidades existentes.
Brasil ainda cresce menos do que poderia
Um dos principais pontos levantados por Lummertz foi a diferença entre o potencial do país e os resultados efetivamente alcançados pelo setor.
Segundo ele, apesar das vantagens competitivas reconhecidas internacionalmente, o turismo nacional ainda apresenta índices de crescimento inferiores aos observados em diversos mercados globais.
Para o especialista, parte desse problema está relacionada à forma como a atividade turística é tratada dentro das estratégias de desenvolvimento econômico.
Ele argumenta que o turismo frequentemente é associado apenas ao lazer, quando na realidade possui capacidade para impulsionar investimentos, estimular cadeias produtivas e gerar oportunidades em diversas regiões do país.
Essa percepção limitada, segundo sua análise, acaba reduzindo a prioridade dada ao setor em decisões estratégicas voltadas à competitividade nacional.
Conectividade aérea é considerada essencial
Outro tema que ganhou destaque durante o seminário foi a importância da conectividade aérea para o crescimento sustentável do turismo.
Lummertz destacou que a expansão da malha aérea possui impacto direto sobre a competitividade dos destinos turísticos e sobre o desenvolvimento econômico regional.
Segundo ele, cidades que hoje enfrentam longos deslocamentos terrestres podem se tornar muito mais acessíveis quando passam a contar com ligações aéreas eficientes.
Essa redução do tempo de viagem amplia o fluxo de visitantes, fortalece negócios locais e aumenta o interesse de investidores por diferentes regiões do país.
Além disso, a conectividade contribui para integrar destinos turísticos a grandes centros emissores de turistas, tanto nacionais quanto internacionais.
Infraestrutura e planejamento ainda são desafios
Embora reconheça avanços em diversas áreas, o ex-ministro apontou obstáculos que continuam limitando o crescimento do turismo brasileiro.
Entre os principais desafios mencionados estão os processos burocráticos para aprovação de projetos turísticos, a dificuldade de integração entre diferentes modais de transporte e a ausência de planejamento coordenado entre setores públicos e privados.
Segundo ele, a falta de alinhamento entre infraestrutura, acessibilidade e desenvolvimento de produtos turísticos reduz a eficiência dos investimentos realizados.
Ao citar exemplos internacionais, Lummertz destacou experiências bem-sucedidas em países que adotam planejamento integrado para conectar estradas, aeroportos, parques naturais, hotéis e atrações turísticas.
Esse modelo, segundo sua avaliação, permite maior aproveitamento do potencial econômico dos destinos.
Integração da cadeia turística é prioridade
Durante sua apresentação, o ex-ministro chamou atenção para a fragmentação existente entre os diferentes segmentos que compõem o turismo brasileiro.
Empresas de hotelaria, companhias aéreas, operadoras de cruzeiros, parques temáticos e operadores turísticos costumam defender interesses específicos de seus respectivos setores.
Embora legítima, essa atuação isolada acaba dificultando a construção de pautas coletivas capazes de fortalecer toda a indústria.
Na avaliação de Lummertz, o setor precisa atuar de forma mais coordenada para ampliar sua influência em debates relacionados à infraestrutura, investimentos e competitividade nacional.
União Nacional do Turismo é a principal proposta
A principal novidade apresentada durante o Seminário LIDE Turismo foi justamente a proposta de criação da União Nacional do Turismo.
A iniciativa pretende reunir representantes de diferentes segmentos da cadeia turística em um fórum permanente de articulação estratégica.
Entre os participantes estariam companhias aéreas, aeroportos, redes hoteleiras, operadoras de cruzeiros, parques temáticos, entidades empresariais, operadores turísticos e representantes do poder público.
O objetivo seria construir propostas estruturantes para o setor e estabelecer um canal permanente de diálogo com o Governo Federal.
Segundo Lummertz, a ideia é antecipar problemas, identificar oportunidades e desenvolver soluções capazes de fortalecer a posição do Brasil no mercado internacional de turismo.
Turismo pode impulsionar investimentos e empregos
Especialistas presentes no evento destacaram que o fortalecimento do turismo gera impactos positivos que vão muito além da atividade turística em si.
O crescimento do fluxo de visitantes estimula investimentos em infraestrutura, hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e entretenimento.
Além disso, a atividade possui elevado potencial de geração de empregos diretos e indiretos, beneficiando diferentes regiões do país.
Em muitos destinos, o turismo se transforma em um dos principais motores econômicos, impulsionando pequenas empresas e fortalecendo cadeias produtivas locais.
Esse cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da atividade.
Setor busca maior protagonismo econômico
As discussões realizadas durante o Seminário LIDE Turismo evidenciaram uma preocupação comum entre empresários e especialistas: a necessidade de posicionar o turismo como um dos pilares da estratégia de desenvolvimento econômico do Brasil.
Para isso, será necessário ampliar investimentos, modernizar a infraestrutura, fortalecer a conectividade e promover maior integração entre os diversos agentes que atuam no setor.
A proposta da União Nacional do Turismo surge justamente como uma tentativa de criar um ambiente mais colaborativo e capaz de transformar demandas históricas em projetos concretos.
Na visão de Vinicius Lummertz, o Brasil possui todos os elementos necessários para se tornar uma das maiores potências turísticas do mundo. O desafio agora é construir uma agenda conjunta capaz de transformar potencial em resultados efetivos.
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Informações adicionais sobre o encontro estão disponíveis no portal do LIDE e em iniciativas do Ministério do Turismo.
Fonte: iGaming Brazil | Autor: Luiz Vinicius

