O posicionamento surge em meio ao crescimento das discussões sobre o modelo de transmissão adotado no Brasil, especialmente diante da relevância que a CazéTV alcançou no cenário esportivo digital. A plataforma foi responsável pela transmissão integral dos jogos do torneio para o público brasileiro, consolidando-se como um dos principais canais de distribuição de conteúdo esportivo online.
Fifa defende modelo entre LiveMode e CazéTV
Segundo Romy Gai, a relação entre a LiveMode e a CazéTV sempre foi conduzida com total transparência. De acordo com o executivo, a Fifa tinha conhecimento desde o início da estratégia comercial adotada pela empresa brasileira.
A LiveMode adquiriu direitos de diversas competições da Fifa desde 2022 com a proposta de explorar parte ou a totalidade desses direitos por meio da CazéTV. Para a entidade, essa estrutura foi apresentada de forma clara desde o início da parceria.
Gai reforçou que esse tipo de modelo já é amplamente utilizado em diferentes mercados internacionais. Em vários países, empresas que compram direitos de mídia optam por distribuir parte do conteúdo em suas próprias plataformas e sublicenciar outra parte para parceiros estratégicos.
Esse formato, segundo a Fifa, permite ampliar o alcance das transmissões e atingir públicos distintos de forma mais eficiente.
CazéTV ajudou a alcançar novos públicos
Na avaliação da entidade máxima do futebol mundial, a parceria com a LiveMode trouxe resultados positivos no mercado brasileiro, especialmente pela capacidade da CazéTV de dialogar com audiências mais jovens.
O canal digital se destacou por oferecer uma cobertura mais descontraída, interativa e alinhada aos hábitos de consumo de conteúdo das novas gerações.
Além da exibição via CazéTV, a LiveMode também sublicenciou parte dos direitos para outros veículos, incluindo SBT e NSports. A TV Globo também participou da cobertura da competição, reforçando o alcance multiplataforma da Copa no país.
Para Romy Gai, a estratégia foi eficiente para ampliar a exposição da competição e aumentar o engajamento com novos perfis de torcedores.
Publicidade de bets entra em debate
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a crescente discussão envolvendo publicidade de casas de apostas esportivas durante transmissões esportivas.
A CazéTV vem sendo alvo de críticas de parlamentares, influenciadores e parte do público em relação ao volume de exposição de marcas do setor de apostas durante a Copa.
O tema ganhou ainda mais força após a abertura de uma investigação pelo Ministério da Justiça para apurar possíveis irregularidades relacionadas à publicidade considerada abusiva de operadores de bets.
Diante desse cenário, a plataforma ajustou sua abordagem comercial. Entre as mudanças, houve redução da exposição direta de odds durante as transmissões e adoção de formatos mais tradicionais nos intervalos comerciais.
Apesar da polêmica, a Fifa afirmou que não interfere nas negociações comerciais feitas entre emissoras e anunciantes.
Segundo Romy Gai, essas relações são tratadas exclusivamente entre os veículos de mídia e seus parceiros comerciais.
Regulação das apostas segue no radar
Mesmo sem participar diretamente dessas negociações, a Fifa destacou que realiza processos rigorosos de avaliação quando firma acordos comerciais diretamente com empresas do setor de apostas.
Esse cuidado se tornou ainda mais importante diante do avanço da regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil e em outros mercados globais.
A entidade informou que realiza due diligence completa para garantir que patrocinadores ligados ao setor estejam em conformidade com leis, normas regulatórias e boas práticas de mercado.
Esse processo inclui análise jurídica, financeira e reputacional antes da formalização de contratos.
Copa de 2030 ainda sem definição no Brasil
Outro tema de grande interesse no mercado esportivo envolve os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030.
Segundo Gai, a Fifa ainda não definiu como será conduzido o processo de comercialização dos direitos no Brasil.
Até o momento, nenhum acordo foi firmado com emissoras, plataformas digitais ou grupos de mídia.
A entidade também negou qualquer favoritismo ou vantagem prévia para empresas atualmente envolvidas nas transmissões das competições da Fifa.
De acordo com o executivo, quando chegar o momento adequado, todas as partes interessadas poderão participar do processo de negociação.
Possíveis modelos para os próximos ciclos
A Fifa também não descartou repetir modelos híbridos de comercialização no futuro, incluindo parcerias com agências que negociam direitos e ao mesmo tempo operam plataformas próprias de transmissão.
Esse modelo já é utilizado em outros mercados, como no Japão, onde a entidade mantém parceria com a Dentsu.
No Brasil, esse formato pode continuar sendo considerado caso a Fifa entenda que ele contribui para maximizar audiência, engajamento e retorno comercial.
| Tema | Posição da Fifa |
|---|---|
| CazéTV e LiveMode | Sem conflito de interesses |
| Publicidade de bets | Responsabilidade dos veículos |
| Direitos da Copa 2030 | Ainda sem definição |
| Modelo de negócios | Estratégia híbrida segue em análise |
Com a evolução do mercado esportivo, o crescimento das plataformas digitais e a expansão das empresas do setor, o futuro da transmissão esportiva no Brasil tende a ser cada vez mais competitivo.
A Copa de 2030 já começa a movimentar bastidores importantes, e as decisões da Fifa nos próximos anos devem impactar diretamente emissoras tradicionais, plataformas digitais e operadores ligados ao ecossistema esportivo.
Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

