Segundo projeções da Sportradar, o Brasil deve representar aproximadamente 10% de todas as apostas realizadas globalmente durante o Mundial. Isso significa uma movimentação estimada em cerca de US$ 5 bilhões, consolidando o país como um dos mercados mais relevantes para a indústria internacional de betting.
Em entrevista exclusiva, Rodrigo Cambiaghi, Senior Sales Executive Digital Advertising Latam da Sportradar, analisou o atual momento do setor brasileiro, os desafios do mercado regulado e os impactos que a competição deve gerar para operadores, apostadores e plataformas.
Copa acelera crescimento das apostas no Brasil
O Mundial tem funcionado como um importante catalisador para o setor de apostas esportivas no Brasil. Com milhões de torcedores acompanhando diariamente os jogos, o volume de apostas disparou, especialmente em partidas envolvendo a Seleção Brasileira.
De acordo com Cambiaghi, a estreia do Brasil diante do Marrocos registrou o maior volume de apostas entre todos os jogos acompanhados pelo mercado nacional até agora.
O executivo explica que muitos operadores já atingiram metas comerciais previstas para períodos mais longos, graças ao forte engajamento gerado pela competição.
Além da Copa, o calendário esportivo internacional ainda oferece outras grandes oportunidades para o setor, incluindo competições de tênis, basquete e futebol europeu.
Esse cenário fortalece ainda mais a relevância do mercado de apostas esportivas no Brasil.
Retenção será o maior desafio após a Copa
Apesar do momento extremamente positivo, o principal desafio do setor não está apenas na aquisição de novos usuários, mas na retenção desses apostadores após o encerramento da Copa.
Segundo Cambiaghi, uma parcela significativa dos novos usuários que ingressam durante grandes eventos esportivos tende naturalmente a reduzir ou abandonar a atividade após o fim da competição.
Por isso, o grande diferencial competitivo dos operadores será manter esses usuários ativos no longo prazo.
Nesse contexto, o trabalho de CRM (Customer Relationship Management) ganha papel central dentro da estratégia de crescimento das plataformas.
O executivo destaca que mercados mais maduros, como o europeu, já tratam retenção como prioridade igual ou superior à aquisição de clientes.
No Brasil, a tendência é que esse movimento se fortaleça à medida que o mercado regulado evolui.
Publicidade de bets exige cautela
Outro ponto sensível abordado por Rodrigo Cambiaghi foi a publicidade de casas de apostas durante as transmissões esportivas.
O tema ganhou ainda mais destaque diante das recentes investigações conduzidas pelo Conar e pela Senacon envolvendo campanhas de operadores de apostas em canais de transmissão da Copa.
Entre os casos em análise estão ações publicitárias vinculadas à CazéTV e outras emissoras que exibem o torneio.
Para Cambiaghi, o momento exige cuidado redobrado de todo o setor.
Mais do que simplesmente expor marcas, a publicidade precisa oferecer valor real ao usuário e manter relevância dentro da experiência de consumo esportivo.
Segundo ele, o equilíbrio entre comunicação comercial, responsabilidade e experiência do consumidor será fundamental para a sustentabilidade do mercado.
Conteúdo gera mais engajamento
Dentro da estratégia publicitária, o executivo da Sportradar destaca que conteúdo e informação têm papel essencial para melhorar a performance das campanhas.
Dados da companhia apontam que ações publicitárias acompanhadas por conteúdo relevante geram resultados superiores em métricas importantes.
Segundo Cambiaghi, esse modelo aumenta em 19% o engajamento dos usuários, além de melhorar taxas de conversão e ampliar a lembrança de marca.
Essa abordagem reforça uma mudança importante na indústria de iGaming: o foco está cada vez menos em publicidade massiva e mais em comunicação segmentada, contextual e orientada por dados.
Esse avanço também fortalece o ecossistema de iGaming no Brasil.
Integridade esportiva segue como prioridade
Outro pilar importante no crescimento do mercado regulado é a integridade esportiva.
A Sportradar atua globalmente no monitoramento de padrões suspeitos em apostas, ajudando operadores, federações e autoridades a identificar possíveis casos de manipulação.
Rodrigo Cambiaghi explicou que qualquer movimentação atípica em volume ou valor gera alertas automáticos nos sistemas da empresa.
Quando uma irregularidade é identificada, a Sportradar conduz investigações detalhadas e elabora relatórios técnicos.
Esses materiais podem ser encaminhados ao Ministério Público e demais autoridades competentes para aprofundamento das apurações.
Esse monitoramento se tornou ainda mais relevante com o avanço da regulamentação das apostas no Brasil.
| Indicadores da Copa 2026 no mercado de bets | Estimativa |
|---|---|
| Participação do Brasil no volume global | 10% |
| Movimentação estimada no Brasil | US$ 5 bilhões |
| Jogo mais apostado até agora | Brasil x Marrocos |
| Impacto do conteúdo no engajamento | +19% |
Copa Feminina de 2027 anima o setor
O mercado de apostas também já começa a olhar para 2027, quando o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina.
Na avaliação de Cambiaghi, o torneio tem potencial para gerar impacto significativo no setor e repetir o forte engajamento observado em grandes competições masculinas.
O executivo acredita que o evento pode impulsionar ainda mais a maturidade do mercado brasileiro de apostas.
Além do impacto comercial, ele também destacou a importância do torneio para fortalecer a conexão entre esporte, entretenimento e audiência digital no país.
A expectativa é que a Copa Feminina amplie ainda mais o interesse do público e crie novas oportunidades para operadores, marcas e plataformas.
Com a regulamentação avançando e o mercado amadurecendo rapidamente, o Brasil segue se consolidando como uma das principais potências globais no setor de apostas esportivas.
Fonte: iGaming Brazil
Autor: Cristina Possamai

