Presidente da ANJL rebate críticas e defende setor de apostas online

Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, contesta a relação entre apostas online e a crise do varejo. Artigo destaca mudanças no comportamento do consumidor, crescimento dos marketplaces e o impacto do crédito no consumo brasileiro.

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Entidade aponta mudanças no consumo como principal desafio do varejoO debate sobre os impactos econômicos das apostas online voltou ao centro das discussões após representantes do varejo associarem o crescimento das plataformas de bets à redução das vendas no comércio tradicional. Para Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), essa interpretação ignora transformações estruturais que vêm alterando o comportamento do consumidor brasileiro há vários anos.

Segundo o dirigente, responsabilizar exclusivamente o setor de apostas pela desaceleração do varejo significa desconsiderar fatores como a expansão dos marketplaces, a digitalização das compras, a mudança nos hábitos de consumo e o aumento da dependência do crédito por parte das famílias brasileiras.

Na avaliação do presidente da ANJL, compreender essas mudanças é fundamental para que o comércio consiga enfrentar seus desafios de forma mais eficiente, sem atribuir ao mercado regulado de apostas problemas que possuem causas mais amplas.

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Estudo do varejo reacende discussão sobre bets

O posicionamento de Plínio Lemos Jorge foi motivado pela divulgação de um estudo elaborado pela Strategy& Brasil a pedido do Think Tank Retail. O levantamento estimou que as apostas online estariam retirando até R$ 50 bilhões por ano do setor varejista brasileiro.

A análise ganhou repercussão ao sugerir que parte relevante da redução do consumo em determinados segmentos estaria diretamente relacionada ao crescimento das plataformas de apostas esportivas e jogos online.

No entanto, para o presidente da ANJL, essa interpretação apresenta limitações metodológicas importantes e pode levar a conclusões equivocadas sobre o real impacto econômico da atividade.

Diferença entre movimentação financeira e receita das operadoras

Um dos principais argumentos apresentados por Plínio Lemos Jorge diz respeito à forma como os valores movimentados pelas plataformas de apostas são interpretados.

Segundo ele, parte das estimativas divulgadas utiliza o volume bruto de dinheiro que circula nas operações como se todo esse montante fosse retirado definitivamente da economia. Entretanto, essa lógica desconsidera que boa parte dos recursos retorna aos jogadores na forma de premiações.

Na prática, especialistas do setor ressaltam que existe uma diferença significativa entre o valor total movimentado nas apostas e a receita efetivamente obtida pelas operadoras, indicador normalmente utilizado para mensurar o desempenho financeiro desse mercado.

Essa distinção é considerada essencial para compreender o tamanho real da atividade econômica desenvolvida pelas empresas autorizadas a operar no país.

Levantamento da LCA apresenta outra perspectiva

Para reforçar esse entendimento, o presidente da ANJL cita um estudo desenvolvido pela LCA Consultoria com base em informações públicas do mercado brasileiro.

Segundo essa análise, o gasto líquido médio mensal dos apostadores seria de aproximadamente R$ 122 por pessoa. O indicador representa uma realidade bastante diferente das cifras bilionárias frequentemente atribuídas ao setor quando se utiliza apenas o volume bruto das transações.

Embora o estudo não elimine a necessidade de políticas voltadas ao jogo responsável e à proteção dos consumidores, seus resultados sugerem uma dimensão mais precisa sobre o impacto financeiro efetivo das apostas na renda das famílias.

Mais conteúdos relacionados ao setor estão disponíveis na categoria de Aposta Esportiva.

Mudança nos hábitos de consumo desafia o varejo

Na visão da ANJL, a principal transformação enfrentada pelo comércio brasileiro está relacionada à digitalização do consumo. Nos últimos anos, milhões de consumidores passaram a realizar compras diretamente em plataformas digitais, modificando profundamente a dinâmica do varejo nacional.

Esse movimento não está restrito a um único segmento. Diversas categorias de produtos passaram a registrar crescimento acelerado nas vendas online, impulsionadas pela facilidade de acesso aos aplicativos, pela comparação instantânea de preços e pela ampla oferta de produtos disponíveis nos marketplaces.

Segundo Plínio Lemos Jorge, essa mudança de comportamento ocorre há anos e representa um desafio muito maior para o comércio tradicional do que o crescimento das apostas online.

Marketplaces ganham espaço na preferência dos consumidores

O avanço das grandes plataformas de comércio eletrônico é apontado como um dos principais fatores responsáveis pela redistribuição das vendas no Brasil.

Enquanto o varejo físico enfrenta dificuldades para manter o ritmo de crescimento observado em anos anteriores, empresas especializadas em comércio digital continuam ampliando sua participação no mercado, acompanhando a evolução dos hábitos dos consumidores.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o comércio varejista apresentou crescimento inferior a 2% durante 2025.

No mesmo período, informações do setor de pagamentos apontaram expansão em ritmo muito superior nas vendas realizadas pela internet, especialmente em segmentos como vestuário e cosméticos, que registraram crescimento expressivo nas plataformas digitais.

Mercado Livre exemplifica nova dinâmica do comércio

Como exemplo da transformação digital do varejo, Plínio Lemos Jorge menciona os resultados alcançados pelo Mercado Livre. Segundo relatório divulgado pela empresa referente ao quarto trimestre de 2025, a plataforma registra aproximadamente 95 vendas por segundo em seus canais digitais.

Os números ilustram como o comportamento do consumidor mudou nos últimos anos, favorecendo modelos de negócios baseados em marketplaces e aplicativos de compra.

Ao mesmo tempo, estudos sobre consumo das famílias indicam que as apostas representam uma parcela relativamente pequena do orçamento total dos brasileiros quando comparadas a outras categorias de despesas.

Segundo o dirigente da ANJL, esse cenário reforça a necessidade de analisar a evolução do varejo considerando todas as mudanças estruturais que vêm ocorrendo na economia digital.

Estatísticas tradicionais nem sempre acompanham a economia digital

Outro ponto destacado por Plínio Lemos Jorge diz respeito à forma como parte das estatísticas oficiais acompanha o desempenho do comércio brasileiro. Na avaliação do presidente da ANJL, a rápida expansão das plataformas digitais criou um novo ambiente de consumo que ainda não é totalmente refletido por alguns indicadores tradicionais.

Segundo o dirigente, muitos marketplaces passaram a concentrar uma parcela significativa das vendas realizadas no país, alterando profundamente a dinâmica do varejo. No entanto, metodologias desenvolvidas para acompanhar predominantemente o comércio físico podem apresentar limitações ao mensurar esse novo cenário.

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é citada como exemplo desse desafio metodológico. O levantamento continua sendo uma das principais referências para avaliar a atividade varejista nacional, mas foi concebido em um contexto bastante diferente da atual realidade do comércio eletrônico.

Mais informações sobre os indicadores econômicos podem ser consultadas no portal oficial do IBGE.

Expansão do comércio eletrônico altera o comportamento do consumidor

O crescimento dos marketplaces transformou a experiência de compra dos brasileiros. A possibilidade de comparar preços rapidamente, encontrar uma ampla variedade de produtos e concluir compras diretamente pelo celular tornou o ambiente digital cada vez mais atrativo para consumidores de diferentes perfis.

Além disso, programas de fidelidade, frete competitivo, entregas rápidas e campanhas promocionais contribuíram para acelerar a migração de parte do consumo para plataformas online.

Esse processo, segundo Plínio Lemos Jorge, já vinha ocorrendo muito antes da regulamentação das apostas esportivas e dos jogos online, motivo pelo qual atribuir exclusivamente às bets a desaceleração do varejo não refletiria a complexidade das mudanças observadas no mercado brasileiro.

O próprio desempenho de grandes empresas do comércio eletrônico demonstra como os marketplaces passaram a ocupar uma posição central na rotina de consumo da população.

Crédito também influencia o orçamento das famílias

Outro aspecto abordado pelo presidente da ANJL envolve a expansão do crédito ao consumidor. Nos últimos anos, modalidades de parcelamento cada vez mais extensas passaram a fazer parte da estratégia comercial de diversos segmentos do varejo.

Embora essas condições ampliem o acesso a bens de consumo, elas também podem aumentar o comprometimento da renda familiar quando associadas ao uso frequente do crédito rotativo.

Na avaliação apresentada pelo dirigente, o endividamento das famílias está relacionado a um conjunto de fatores econômicos muito mais amplo do que apenas a presença das plataformas de apostas.

Por esse motivo, compreender a evolução do crédito e do comportamento de compra torna-se essencial para avaliar corretamente os desafios enfrentados pelo comércio brasileiro.

Debate sobre apostas deve considerar múltiplos fatores

Ao comentar o estudo que associa as apostas à redução das vendas no varejo, Plínio Lemos Jorge defende que qualquer análise sobre os impactos econômicos do setor seja construída com base em dados consistentes e metodologias transparentes.

Segundo ele, utilizar apenas o volume total de recursos movimentados pelas plataformas sem considerar os valores distribuídos em premiações ou o conceito de receita líquida pode gerar interpretações equivocadas sobre a dimensão econômica da atividade.

Da mesma forma, o dirigente argumenta que as transformações provocadas pela digitalização do consumo e pela expansão do comércio eletrônico precisam fazer parte desse debate para que o cenário seja compreendido de forma mais abrangente.

Mercado regulado também reforça ações de jogo responsável

Embora conteste a relação direta entre apostas e a crise do varejo, a ANJL destaca que o desenvolvimento sustentável do setor depende da adoção de políticas voltadas ao jogo responsável.

Nos últimos anos, especialmente após a regulamentação do mercado brasileiro, operadoras autorizadas passaram a implementar mecanismos destinados à proteção dos consumidores, incluindo ferramentas de autoexclusão, limites financeiros, monitoramento de comportamento e campanhas educativas.

Essas iniciativas buscam reduzir riscos associados ao jogo excessivo e fortalecer um ambiente regulado baseado em transparência, conformidade e proteção ao usuário.

Outras notícias sobre o mercado regulado podem ser acompanhadas na editoria de iGaming do ConexaoBet.

Transformações exigem adaptação do varejo

Na conclusão de sua análise, Plínio Lemos Jorge afirma que o comércio brasileiro enfrenta uma mudança estrutural impulsionada principalmente pela digitalização da economia e pela evolução do comportamento dos consumidores.

Segundo o presidente da ANJL, ignorar fatores como o crescimento dos marketplaces, a ampliação das compras por aplicativos e a forte presença do crédito no orçamento das famílias dificulta a identificação das verdadeiras causas que vêm alterando a dinâmica do varejo nacional.

Para o dirigente, empresas que desejam preservar sua competitividade precisam adaptar seus modelos de negócios às novas formas de consumo, investindo em inovação, canais digitais e estratégias voltadas ao ambiente online.

Nesse contexto, atribuir exclusivamente às apostas esportivas a responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas por parte do comércio não contempla toda a complexidade das transformações observadas na economia brasileira.

Discussão permanece em evidência

O crescimento do mercado regulado de apostas esportivas continuará sendo tema de debates entre representantes do setor, autoridades públicas e entidades ligadas ao comércio. Ao mesmo tempo, especialistas ressaltam que compreender os efeitos da digitalização, da expansão do crédito e das mudanças no comportamento dos consumidores será fundamental para avaliar o futuro do varejo nacional.

À medida que novos estudos forem divulgados, a tendência é que o debate seja enriquecido por diferentes perspectivas, permitindo análises mais aprofundadas sobre o papel desempenhado por cada segmento da economia na transformação dos hábitos de consumo dos brasileiros.

Informações adicionais sobre o comércio eletrônico podem ser consultadas na plataforma oficial do Mercado Livre, uma das maiores operações de marketplace da América Latina.

Fonte: iGB Brasil
Autor: Gildo Mazza

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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