Entidades acompanham apuração sobre movimentação atípica em mercado de apostas
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou uma apuração para investigar movimentações consideradas incomuns no mercado de apostas relacionadas ao cartão amarelo recebido pelo meia Lucho Acosta, do Fluminense. O lance ocorreu durante a partida contra o Red Bull Bragantino, válida pelo Campeonato Brasileiro, disputada no Maracanã e encerrada com empate por 1 a 1.
A investigação foi motivada após um relatório elaborado pela Sportradar, empresa responsável pelo monitoramento de apostas esportivas em competições organizadas pela CBF e parceira da FIFA, identificar um volume acima do padrão em apostas envolvendo a advertência ao jogador argentino.
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CBF comunica autoridades competentes
Após receber o relatório da Sportradar, a CBF notificou oficialmente a Polícia Federal, o Ministério Público e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Fluminense também foi informado sobre a abertura da apuração.
Até o momento, o procedimento permanece em fase preliminar e ainda não existe processo disciplinar instaurado no STJD. A expectativa é que as autoridades avaliem os dados apresentados antes de decidir sobre a abertura de uma investigação formal.
Fluminense afirma que irá colaborar
Em comunicado oficial, o Fluminense informou que recebeu a notificação encaminhada pela CBF e colocou-se à disposição para colaborar integralmente com os órgãos responsáveis pela apuração.
O clube também informou que Lucho Acosta negou qualquer envolvimento em eventual irregularidade relacionada ao mercado de apostas.
Como a investigação começou
Segundo as informações divulgadas, o alerta inicial partiu da casa de apostas Stake, que identificou uma movimentação considerada atípica nas apostas relacionadas ao cartão amarelo do atleta durante a partida.
O caso foi comunicado à Sportradar, responsável pelo monitoramento de integridade das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Após analisar os dados, a empresa encaminhou o relatório à CBF, que acionou as autoridades competentes.
Esse procedimento segue o protocolo adotado em casos de possíveis irregularidades envolvendo mercados de apostas esportivas.
Apostas em criptomoedas dificultam rastreamento
De acordo com as informações divulgadas, parte das apostas suspeitas foi realizada utilizando criptomoedas.
Esse fator pode tornar mais complexa a identificação dos responsáveis pelas operações, exigindo análises adicionais por parte dos órgãos de investigação.
Mesmo diante dessa dificuldade, a CBF informou que acompanha o caso e aguarda o retorno das autoridades acionadas.
Entenda o lance analisado
O cartão amarelo aplicado a Lucho Acosta aconteceu aos 47 minutos do segundo tempo da partida contra o Red Bull Bragantino.
A advertência ocorreu após uma confusão envolvendo diversos jogadores das duas equipes. Durante o episódio, o meia do Fluminense empurrou o atacante Lucas Barbosa e, em seguida, também se envolveu em um contato com o zagueiro Gustavo Marques.
Após analisar a situação, o árbitro David Lacerda aplicou cartão amarelo ao jogador argentino. A partida foi encerrada poucos minutos depois, aos 54 minutos da etapa final.
Investigação ainda está em fase inicial
Para que o caso avance para uma investigação formal na esfera desportiva ou criminal, será necessário comprovar que houve intenção deliberada de provocar o cartão amarelo com o objetivo de beneficiar apostadores.
Sem a demonstração desse elemento, a simples existência de movimentação atípica no mercado de apostas não caracteriza, por si só, manipulação de resultado.
Casos anteriores seguiram procedimento semelhante
O modelo adotado pela CBF repete o protocolo utilizado em outras investigações envolvendo o mercado de apostas esportivas.
Os casos de Lucas Paquetá e Bruno Henrique também tiveram início após relatórios produzidos pela Sportradar apontarem movimentações consideradas incomuns.
No processo conduzido pelas autoridades inglesas envolvendo Lucas Paquetá, por exemplo, o atleta acabou sendo considerado inocente. Entre os fatores analisados esteve o entendimento de que um elevado volume de apostas pode decorrer de diferentes circunstâncias, como rumores ou informações compartilhadas entre apostadores, sem que necessariamente exista participação do jogador investigado.
Integridade esportiva continua como prioridade
O monitoramento permanente dos mercados de apostas tornou-se uma das principais ferramentas para preservar a integridade das competições esportivas. Empresas especializadas analisam milhões de transações diariamente em busca de padrões estatísticos incomuns que possam indicar possíveis irregularidades.
No caso envolvendo Lucho Acosta, as autoridades ainda estão reunindo informações para avaliar se existem elementos suficientes para aprofundar as investigações. Até que haja conclusão oficial, o atleta não responde a processo disciplinar nem possui qualquer condenação relacionada ao episódio.
Mais informações sobre os procedimentos da entidade podem ser consultadas no site oficial da CBF. Informações sobre monitoramento de integridade esportiva estão disponíveis no portal da Sportradar.
Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

