O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, defendeu o fim das bets no Brasil durante uma sabatina promovida pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp). Na ocasião, ele classificou as apostas como um problema de saúde e afirmou que o país precisa enfrentar a dependência em jogos.
A declaração foi dada no evento “Diálogos da Saúde” e coloca novamente as apostas online no centro do debate político e de saúde pública durante o período eleitoral de 2026.
Tarcísio de Freitas relaciona bets à saúde pública
Durante a sabatina, Tarcísio afirmou que o Brasil deveria adotar uma postura mais rígida em relação às plataformas de apostas.
“Ou o Brasil acaba com a bet ou a bet acaba com o Brasil. A gente tem que entender que isso é um problema de saúde”.
O governador também comparou o enfrentamento da dependência em apostas à política de combate ao tabagismo. Segundo ele, o vício em jogos deveria ser tratado como uma doença, com oferta de atendimento especializado.
A declaração ocorre em um momento no qual as consequências sociais e econômicas das apostas vêm ganhando espaço no debate público. Dados divulgados recentemente pelo Ministério da Fazenda mostram a dimensão do mercado regulado: em 2025, os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões em casas de apostas autorizadas federalmente, segundo dados preliminares citados pela imprensa. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
Governador defende programa para dependência em jogos
Além de defender o fim das bets, Tarcísio propôs a criação de um programa nacional voltado ao tratamento da dependência em jogos. A ideia, conforme relatado durante a sabatina, seria oferecer atendimento de forma ampla e também por meios digitais.
O governador estabeleceu um paralelo entre os desafios atuais relacionados às apostas e o histórico de políticas públicas destinadas a reduzir o consumo de tabaco.
“Nós fomos efetivos para tirar as pessoas do tabaco. E aí a pergunta é: será que nós vamos conseguir ser efetivos para livrar as pessoas das bets? Os desafios são os mesmos agora. Talvez os desafios agora sejam maiores que eram os desafios do tabaco outrora”
Afirmação sobre renda comprometida exige comprovação
Durante sua argumentação, Tarcísio também relacionou o avanço das apostas ao endividamento dos brasileiros. Ele afirmou que “20% da renda dos brasileiros estaria comprometida com apostas”. O material original, porém, não apresenta a fonte desse percentual.
Por isso, o número não deve ser tratado como dado comprovado sem a identificação da pesquisa ou levantamento que sustente a afirmação.
Levantamento Datafolha citado pelo iGaming Business em julho apontou que 7% dos brasileiros adultos declaravam apostar em bets naquele momento, percentual que permanecia estável em relação a 2024. Entre os entrevistados que se consideravam endividados, 6% afirmavam realizar apostas. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Debate eleitoral coloca bets em evidência
A manifestação de Tarcísio insere as apostas em um debate que ultrapassa as questões econômicas e regulatórias. O tema também passou a ser discutido sob as perspectivas de saúde pública, proteção do consumidor e responsabilidade social.
Em reportagem sobre a sabatina, a imprensa também registrou que o governador, candidato à reeleição, abordou outros temas nacionais durante sua participação no evento. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
A discussão ocorre em um cenário no qual diferentes autoridades vêm adotando medidas para controlar o mercado ilegal e reforçar mecanismos de fiscalização. Em junho, por exemplo, o Conselho Monetário Nacional aprovou uma resolução que prevê o bloqueio de contas de operadores ilegais de apostas após notificação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Setor de apostas contesta generalizações
Entidades que representam empresas do setor têm defendido a diferenciação entre operadores autorizados e plataformas ilegais. A discussão ganhou força à medida que o mercado regulado passou a conviver com medidas de fiscalização e propostas de mudanças no ambiente regulatório.
Em manifestação publicada anteriormente pelo iGaming Business, Wesley Cardia, ex-presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), argumentou que o combate ao mercado ilegal deveria ser priorizado e que medidas contra operadores licenciados poderiam favorecer plataformas clandestinas. Trata-se, contudo, de uma posição apresentada pelo representante do setor e não de uma conclusão consensual. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Dados oficiais também mostram que as apostas passaram a representar uma fonte relevante de arrecadação. Segundo informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação e reportadas pelo iGaming Business, o governo federal arrecadou R$ 4,17 bilhões com jogos e apostas no primeiro trimestre de 2026, dos quais mais de R$ 1,15 bilhão vieram das apostas online de quota fixa. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
Regulação e jogo responsável seguem no centro da discussão
O debate sobre o futuro das bets no Brasil ocorre, portanto, entre diferentes objetivos: preservar mecanismos de proteção aos apostadores, combater operadores ilegais, fiscalizar o mercado regulado e definir o papel das apostas na economia.
Para além das propostas de proibição ou manutenção do mercado regulado, a discussão também envolve ferramentas de jogo responsável e medidas de prevenção a comportamentos de risco. O ambiente regulatório federal continua sendo conduzido pelo Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Com Tarcísio de Freitas defendendo publicamente o fim das bets, o tema ganha mais espaço no debate eleitoral de 2026. Eventuais mudanças no modelo atualmente vigente dependeriam, contudo, das medidas legislativas e regulatórias que venham a ser propostas e aprovadas pelas instâncias competentes.
O cenário reforça a importância de acompanhar a evolução da legislação das apostas, especialmente em temas relacionados à saúde, proteção do apostador, fiscalização e funcionamento do mercado regulado.
Fonte: iGaming Business | Autor: Gildo Mazza

