A Polymarket lançou novas ferramentas de proteção aos usuários de sua plataforma de mercados de previsão, incluindo limites de depósitos, opções de autoexclusão e acesso a recursos de saúde mental. As medidas foram apresentadas em 1º de outubro de 2026, poucos dias depois de a empresa e o estado de Nova York entrarem em uma disputa judicial sobre a legalidade da operação.
Polymarket cria novos limites para usuários
As ferramentas permitem que os próprios usuários estabeleçam restrições sobre sua atividade na plataforma. A autoexclusão foi disponibilizada para períodos que começam em 30 dias e podem chegar ao encerramento permanente do acesso às operações.
Também foram introduzidos limites para depósitos em diferentes períodos. A proposta é oferecer mecanismos que permitam ao usuário controlar previamente quanto pretende adicionar à conta, em vez de depender apenas de decisões tomadas durante a utilização da plataforma.
Segundo a empresa, as medidas fazem parte de uma estrutura mais ampla de proteção e segurança. A página oficial de Trust & Safety da Polymarket também apresenta regras de conduta, mecanismos de monitoramento e recursos relacionados à integridade dos mercados.
Os novos mecanismos se aproximam de ferramentas tradicionalmente utilizadas por plataformas reguladas de apostas, embora a Polymarket defenda um enquadramento próprio para os mercados de previsão.
Centro de Trust & Safety reúne orientações
Além dos controles financeiros, a Polymarket lançou um novo centro dedicado a Trust & Safety. O espaço reúne informações educativas, regras de utilização e orientações sobre a forma como os mercados são monitorados.
A estrutura também inclui políticas de moderação e diretrizes para a comunidade. De acordo com a plataforma, as regras abrangem práticas como manipulação de mercado, negociações fictícias, uso indevido de informações e outras condutas consideradas proibidas.
A Polymarket afirma ainda que suas operações internacionais utilizam registros públicos em blockchain e mecanismos de monitoramento para identificar atividades que possam violar suas regras.
O conteúdo oficial da empresa diferencia os mercados de previsão das apostas tradicionais ao descrevê-los como negociações entre usuários. Ainda assim, a classificação jurídica desse modelo está no centro de disputas regulatórias nos Estados Unidos.
Parceria amplia acesso a recursos de saúde mental
Outra parte do lançamento envolve uma parceria com a Birches Health, empresa que oferece serviços relacionados à saúde mental e ao tratamento de comportamentos compulsivos.
A parceria disponibiliza aos usuários da Polymarket acesso a recursos de orientação e atendimento. A Birches Health informa que seus profissionais podem avaliar a situação de cada pessoa e desenvolver um plano de acompanhamento conforme as necessidades identificadas.
A iniciativa amplia a estrutura de proteção para além dos mecanismos de controle dentro da própria plataforma. Em vez de limitar a atuação a depósitos e autoexclusão, o modelo também oferece uma possibilidade de encaminhamento para atendimento especializado.
Malea Otranto lidera iniciativa de proteção
O trabalho foi liderado por Malea Otranto, que assumiu em agosto de 2026 o cargo de chefe global de Trust & Safety da Polymarket.
“As pessoas devem poder estabelecer seus próprios limites, afastar-se nos seus próprios termos e saber quais são as regras. É isso que foi lançado hoje, e este é o piso, não o teto. Estamos animados para continuar desenvolvendo a partir daqui”, afirmou Malea Otranto, em tradução livre.
Em publicação relacionada ao lançamento, Otranto afirmou que os mercados de previsão ainda representam uma indústria relativamente nova e que as ferramentas de proteção deverão evoluir junto com o setor.
A executiva também destacou a necessidade de construir mecanismos de confiança enquanto o modelo de mercados de previsão continua em desenvolvimento.
Polymarket enfrenta disputa judicial em Nova York
O lançamento das ferramentas ocorre poucos dias depois de a Polymarket entrar em uma disputa judicial com o estado de Nova York. Em 24 de setembro, a procuradora-geral Letitia James e a governadora Kathy Hochul anunciaram uma ação contra a empresa, acusando a operação de constituir uma atividade de apostas sem licença no estado.
Segundo a Procuradoria-Geral de Nova York, a investigação concluiu que os mercados oferecidos pela Polymarket se enquadrariam na definição estadual de jogo, uma vez que os usuários colocam dinheiro em resultados incertos. O estado também questionou o acesso de pessoas com idade entre 18 e 20 anos, enquanto a legislação de Nova York estabelece idade mínima de 21 anos para apostas esportivas móveis.
A ação busca impedir a operação da Polymarket como empresa de apostas sem licença e também pede penalidades, perda de ganhos considerados ilegais e restituição a usuários, segundo o governo estadual.
A empresa, por sua vez, contestou a iniciativa e entrou com uma ação contra Nova York. A Polymarket sustenta que os mercados de previsão estão sujeitos à jurisdição federal e que o estado estaria ultrapassando sua autoridade.
Disputa amplia debate sobre mercados de previsão
O conflito em Nova York faz parte de uma discussão mais ampla nos Estados Unidos sobre o enquadramento jurídico dos mercados de previsão. O debate envolve a divisão de competências entre autoridades federais e estaduais e a definição sobre quando contratos baseados em eventos devem ser tratados como produtos financeiros ou como jogos de azar.
A adoção de ferramentas de proteção ao usuário ocorre nesse contexto. Embora medidas como limites de depósito e autoexclusão sejam comuns em ambientes de apostas reguladas, a classificação jurídica da Polymarket continua sendo objeto de disputa.
No Brasil, o debate também merece acompanhamento, especialmente diante das mudanças recentes no mercado de apostas e das discussões sobre jogo responsável. As experiências internacionais podem contribuir para a análise de mecanismos de proteção, embora as regras aplicáveis dependam de cada jurisdição.
Proteção ao usuário ganha espaço no setor
A criação de limites financeiros, mecanismos de afastamento e acesso a atendimento especializado mostra uma ampliação das ferramentas voltadas ao controle da atividade dos usuários. No caso da Polymarket, as medidas foram lançadas enquanto a empresa enfrenta questionamentos sobre o enquadramento de seu modelo de negócio.
O desenvolvimento desses mecanismos também acompanha a expansão dos mercados de previsão e a crescente atenção de autoridades e legisladores sobre os riscos associados a produtos que permitem exposição financeira a resultados de eventos.
As mudanças regulatórias e judiciais envolvendo esse segmento podem definir quais regras serão aplicadas às plataformas de previsão nos Estados Unidos. Para acompanhar outros desdobramentos sobre o setor, o leitor pode consultar a cobertura de legislação e de iGaming do Conexão Bet.
Fonte: AffPapa | Autor: Alla Basentsyan

