Suspeitos de manipulação de jogos tinham grupo em aplicativo para combinar resultados

Entre os contatos em celular apreendido pela Polícia Civil de Goiás, está um grupo que seria usado em esquema.

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Uma imagem divulgada pela Polícia Civil revelou que os suspeitos de manipulação de jogos tinham grupo em aplicativo para combinar resultados de futebol. Os suspeitos são investigados na Operação Jogada Marcada e usavam os resultados para manipular apostas esportivas.

A operação ocorreu na manhã desta quarta-feira (9). Na imagem divulgada está um grupo com o nome “Arbitragem da propina”, que seria usado no esquema.
Segundo o delegado Eduardo Gomes, responsável pelo caso, há ainda um segundo grupo cujo nome não foi revelado pela Polícia Civil.

Investigação

De acordo com Eduardo, as investigações tiveram início em 2023, após o presidente do time Goianésia, na época, denunciar ter recebido uma proposta de um dos aliciadores do esquema. Na época, o time não disputava o campeonato pela Série D, mas o suspeito teria tentado convencer o ex-presidente a agir como uma espécie de intermediador com os times que disputavam a partida, contou o delegado.

“[Eles tinham] a intenção de fornecer valores para estas partes, oferecendo até R$ 1 milhão para o time que estivesse disposto a aceitar o acordo e oferecendo, pela intermediação para o presidente deste time, R$ 300 mil”, afirmou.

O aliciador, no entanto, não sabia que o ex-presidente do Goianésia, Marco Antônio, também é delegado da Polícia Civil e entrou em contato com ele após encontrar o número de Marco no site do time, segundo as investigações.

Em nota, o time afirmou que “não compactua com nenhuma prática que prejudique a integridade das competições e continuará colaborando com as investigações”.
Eduardo destacou que, até o momento, não foram identificadas partidas ou times goianos envolvidos no esquema.

Depois da denúncia, a polícia deu início às investigações para qualificar apenas o autor da proposta. No entanto, após descobrirem outros vínculos do investigado com o futebol, os policiais resolveram e aprofundar mais nas investigações, descobrindo outros envolvidos.
“Após iniciar as investigações, vimos que ele tinha diversos vínculos, inclusive com esta área do futebol.

Então, demos continuidade à investigação, imaginando que ele não se restringiria somente a esta tentativa de corrupção do presidente do time goiano, mas que poderia estar atuando em outras áreas de outros estados”, declarou Eduardo.
Ainda de acordo com Eduardo, a investigação foi dividida em três núcleos:

⇒ Financiadores (empresários e apostadores);
⇒ Aliciadores (buscavam por contatos e faziam propostas);
⇒ Executores (jogadores, técnicos e presidentes e outros).

A polícia também revelou que o grupo teria movimentado cerca de R$ 11 milhões com o esquema.

Prisões e mandados

Na manhã de quarta-feira (9), a Polícia Civil cumpriu 16 medidas judiciais contra o grupo, entre mandados de prisão e busca e apreensão. A operação resultou em seis prisões. Um ex-jogador envolvido é considerado foragido, segundo a corporação.

Entre os presos, a polícia revelou que está o ex-árbitro de futebol Dguerro Batista Xavier, preso em João Pessoa. Os outros presos são um ex-presidente de um clube que recebeu R$ 200 mil para participar do esquema, dois ex-jogadores e dois aliciadores.

Um empresário de Goiás também está entre os alvos, mas a polícia não forneceu mais detalhes sobre ele até a última atualização desta reportagem para não comprometer as investigações. A operação foi realizada em diferentes estados, como Espírito Santo, Paraná, Maranhão, Ceará e Pernambuco.

Essa ação da Polícia Civil de Goiás é conduzida pelo Grupo Antirroubo a Banco (GAB), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Suspeitos de manipulação de jogos tinham grupo em aplicativo para combinar resultados

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Afrânio Ítalo
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Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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