Senado avança e CCT aprova projeto que proíbe publicidade de apostas

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou projeto que proíbe a publicidade de apostas esportivas e jogos online no Brasil. Texto segue para a CCJ.

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CCT do Senado aprova projeto que veta publicidade de apostas no Brasil

A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (4), um projeto de lei que proíbe a publicidade de apostas esportivas e jogos online em todo o território nacional. A medida representa um novo avanço nas discussões sobre o controle e a regulamentação do setor de apostas no Brasil e agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O texto aprovado altera a Lei das Apostas Esportivas e amplia as restrições ao mercado, incluindo a vedação expressa à promoção de apostas relacionadas a resultados de eleições. A proposta surge em um momento de intenso debate no Congresso Nacional sobre os impactos sociais, econômicos e psicológicos do crescimento acelerado das plataformas de apostas online no país.

Autoria e tramitação do projeto

O projeto aprovado na CCT é de autoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que apresentou um substitutivo ao Projeto de Lei nº 3.563/2024, originalmente proposto pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). A matéria tramita de forma conjunta com o PL nº 3.586/2024, de autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que também trata da proibição de apostas relacionadas ao processo eleitoral.

A unificação das propostas busca criar um marco mais rígido para a atuação das casas de apostas, especialmente no que diz respeito à comunicação comercial e à influência desse tipo de atividade em ambientes sensíveis, como o eleitoral e o esportivo.

Objetivos da proibição da publicidade

Em seu parecer apresentado à Comissão de Ciência e Tecnologia, a senadora Damares Alves destacou que o principal objetivo da proposta é estabelecer limites claros à atuação comercial das empresas de apostas esportivas e de jogos online. Segundo ela, a ausência de restrições mais severas à publicidade contribui para a banalização das apostas e para o aumento de casos de vício.

A parlamentar ressaltou ainda a relação direta entre o consumo excessivo de apostas e o agravamento de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e endividamento compulsivo. De acordo com Damares, a medida é uma resposta às preocupações levantadas em audiências públicas e nos trabalhos da CPI das Bets, que investigou os impactos do setor no Brasil.

Influência da CPI das Bets

A Comissão Parlamentar de Inquérito conhecida como CPI das Bets foi citada como uma das principais referências para a elaboração do substitutivo. O colegiado apontou falhas na fiscalização, excesso de exposição publicitária e práticas consideradas agressivas de marketing por parte de algumas operadoras de apostas.

Essas conclusões reforçaram a necessidade de medidas mais duras, especialmente no que diz respeito à publicidade direcionada a públicos vulneráveis, como jovens e pessoas com histórico de dependência.

Debate sobre impactos no esporte

Durante a reunião da CCT, o senador Efraim Filho (União-PB) levantou preocupações relacionadas aos possíveis impactos da proibição sobre clubes esportivos e entidades que mantêm contratos de patrocínio com empresas de apostas. Segundo ele, há receio de que a vedação total da publicidade comprometa receitas importantes, especialmente em modalidades olímpicas e esportes de menor visibilidade.

O parlamentar defendeu que o texto possa prever exceções ou regras específicas para patrocínios esportivos, de modo a preservar o financiamento de atividades esportivas que dependem desse tipo de apoio.

Possibilidade de ajustes na CCJ

Em resposta, Damares Alves afirmou que espera que a Comissão de Constituição e Justiça promova a unificação do projeto com outras propostas semelhantes em tramitação no Senado. Segundo a senadora, esse processo pode permitir ajustes no texto final, levando em consideração as demandas apresentadas por clubes esportivos e representantes do setor.

A expectativa é que a CCJ analise não apenas a constitucionalidade da matéria, mas também a viabilidade jurídica de eventuais exceções, sempre mantendo o foco na proteção do interesse público.

Publicidade de apostas e eleições

Um dos pontos centrais do projeto aprovado é a proibição explícita de apostas relacionadas a resultados eleitorais. A medida visa impedir a exploração comercial do processo democrático por plataformas de apostas, reduzindo riscos de manipulação, desinformação e perda de credibilidade das eleições.

De acordo com os defensores da proposta, permitir apostas eleitorais pode estimular comportamentos oportunistas e interferir negativamente na percepção da lisura do processo eleitoral brasileiro.

Repercussão no mercado de apostas

A aprovação do projeto na CCT gerou forte repercussão entre operadores, afiliados e demais agentes do mercado de aposta esportiva. Para parte do setor, a proibição total da publicidade representa um risco à sustentabilidade do mercado regulado, podendo favorecer operadores ilegais.

Por outro lado, defensores da medida argumentam que a restrição é necessária para conter abusos e garantir um ambiente mais equilibrado, especialmente em um mercado que ainda passa por ajustes regulatórios no Brasil.

Próximos passos no Senado

Com a aprovação na Comissão de Ciência e Tecnologia, o projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça, onde será avaliado sob a ótica da constitucionalidade e da técnica legislativa. Caso seja aprovado na CCJ, o texto poderá seguir para votação no plenário do Senado.

O debate promete ser intenso, uma vez que envolve interesses econômicos relevantes, questões de saúde pública e a definição dos limites da atuação do Estado sobre a comunicação comercial de um setor em expansão.

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Mais informações oficiais sobre o andamento do projeto podem ser consultadas diretamente no site do Senado Federal e nos canais institucionais do Governo Federal.

Fonte: Gaming365 e Autor: Rodrigo Elias

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Afrânio Ítalo
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Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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