Comunicações ao Coaf sobre bets disparam 2875 por cento

Relatórios de operações suspeitas ligados a apostas online cresceram 2.875% em 2025, segundo o Coaf. Especialistas apontam que novas regras da Portaria SPA/MF 1.143 podem ter incentivado notificações defensivas por parte dos operadores.

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Comunicações ao Coaf sobre bets disparam 2875 por cento

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras registrou forte crescimento nas comunicações de operações suspeitas envolvendo empresas de apostas e loterias em 2025. O aumento ocorre após a entrada em vigor da regulamentação do setor no Brasil.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou um crescimento expressivo no número de comunicações de operações suspeitas relacionadas a empresas de apostas online e loterias no Brasil.

Segundo dados divulgados pelo órgão, foram contabilizadas 27,6 mil notificações em 2025, número muito superior às 928 ocorrências registradas em 2024. O salto representa um aumento de aproximadamente 2.875% nas comunicações realizadas ao órgão de inteligência financeira.

O crescimento coincide com a entrada em vigor da regulamentação do setor de apostas no país, que passou a exigir que operadores comuniquem ao Coaf qualquer movimentação financeira considerada suspeita.

As novas regras começaram a valer em janeiro de 2025 e fazem parte do marco regulatório que estruturou o mercado de apostas esportivas e jogos online no Brasil.

Histórico das comunicações ao Coaf

Antes da regulamentação definitiva do setor, o volume de notificações relacionadas a apostas era significativamente menor.

Ano Comunicações registradas
2022 1.344
2023 1.157
2024 928
2025 27.600

A diferença expressiva entre 2025 e os anos anteriores está diretamente associada à obrigatoriedade de comunicação estabelecida pela regulamentação das apostas.

Mais informações sobre a estrutura regulatória do setor podem ser encontradas na página oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Apostas foram legalizadas em 2018

As apostas esportivas de quota fixa passaram a ser permitidas no Brasil em 2018, após a aprovação de legislação específica que abriu caminho para a regulamentação do mercado.

Apesar disso, a implementação das regras que organizariam o setor demorou vários anos. A regulamentação completa foi concluída apenas em 2025, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com o novo marco regulatório, empresas do setor passaram a ter obrigações mais rígidas em relação à prevenção de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas.

Instituições financeiras identificam operadores ilegais

Além das comunicações feitas diretamente por operadores de apostas, instituições financeiras também passaram a intensificar o monitoramento de movimentações suspeitas relacionadas ao setor.

Em 2025, um total de 54 instituições financeiras e empresas de pagamento enviaram 1.255 comunicações à Secretaria de Prêmios e Apostas com indícios de atuação de operadores ilegais.

A análise dessas notificações permitiu a identificação de 265 operadores irregulares.

Como consequência das investigações, cerca de 550 contas bancárias vinculadas a essas operações foram encerradas.

Mesmo com o avanço regulatório, estudos de mercado indicam que empresas de apostas ilegais ainda representam aproximadamente 40% do setor no país.

Combate à lavagem de dinheiro ainda é desafio

O combate à lavagem de dinheiro continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo mercado de apostas no Brasil.

De acordo com o Coaf, parte das movimentações financeiras associadas a plataformas ilegais ainda consegue escapar dos sistemas tradicionais de monitoramento das instituições financeiras.

Isso acontece porque algumas empresas utilizam estruturas corporativas que dificultam a identificação automática de sua atividade.

Em muitos casos, as plataformas operam utilizando CNPJs registrados em outras categorias empresariais, o que dificulta o rastreamento direto por bancos e fintechs.

Outro método comum envolve o uso de chamadas empresas de prateleira, organizações previamente registradas que podem ser utilizadas para diferentes atividades comerciais.

Essa prática torna mais difícil identificar rapidamente se uma determinada empresa está operando como casa de apostas.

Coaf reforça parceria com bancos

Diante desse cenário, o Coaf vem estruturando um trabalho preventivo em conjunto com instituições financeiras.

A proposta é criar encontros regulares com bancos e empresas de pagamento para aprimorar a identificação de movimentações relacionadas a plataformas de apostas.

Esse tipo de cooperação já é adotado em outros setores emergentes da economia digital, como fintechs e operações com criptoativos.

No caso das moedas digitais, por exemplo, novas regras regulatórias passaram a valer em fevereiro de 2026.

Além disso, o órgão tem orientado instituições financeiras sobre padrões e tipologias de movimentação que podem indicar atividades suspeitas.

Essa espécie de “consultoria preventiva” busca fortalecer os mecanismos de controle e reduzir brechas exploradas por organizações criminosas.

Mais informações institucionais sobre a atuação do órgão estão disponíveis no portal oficial do Coaf.

Fintechs também passam por novas exigências

As fintechs representam outro ponto de atenção para as autoridades.

Durante vários anos, parte dessas empresas operou sem necessidade de autorização do Banco Central, o que também as dispensava de enviar informações ao Coaf.

Com o aumento de casos envolvendo crimes financeiros, o Banco Central endureceu as regras para esse tipo de instituição em 2025.

Agora, fintechs têm até maio de 2026 para solicitar autorização formal junto ao Banco Central.

Essa medida busca ampliar o fluxo de informações compartilhadas com o sistema de prevenção à lavagem de dinheiro.

Especialista aponta notificações defensivas

O crescimento expressivo das comunicações também pode estar relacionado ao comportamento dos próprios operadores do setor.

Segundo o diretor de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) da empresa Legitimuz, Fred Justo, parte desse aumento pode ser explicada por notificações feitas de forma preventiva pelas empresas.

De acordo com ele, operadores podem estar adotando uma postura mais conservadora para evitar penalidades previstas na regulamentação.

“Um dos motivos para o crescimento nas notificações obrigatórias pode ser interpretado como comunicações defensivas dos operadores com receio de sanções previstas no Artigo 25 da Portaria SPA/MF nº 1.143/2024”, explicou.

O especialista também destacou que, em alguns casos, pode haver dificuldade na identificação precisa do que realmente caracteriza uma suspeita de lavagem de dinheiro.

“Na dúvida, muitos acabam reportando tudo”, acrescentou.

Artigo 25 estabelece monitoramento rigoroso

O Artigo 25 da Portaria SPA/MF nº 1.143/2024 determina que operadores de apostas devem dedicar atenção especial a uma série de situações que possam indicar irregularidades financeiras.

Entre os casos previstos estão:

  • Movimentações incompatíveis com o perfil financeiro do apostador;
  • Utilização de informações falsas ou inconsistentes no cadastro;
  • Resistência em fornecer dados adicionais solicitados pela plataforma;
  • Depósitos e retiradas realizadas em curto intervalo de tempo;
  • Uso de contas por terceiros ou intermediários;
  • Possíveis indícios de manipulação de resultados esportivos;
  • Movimentações suspeitas envolvendo jurisdições de alto risco.

Essas diretrizes fazem parte da estratégia do governo para fortalecer os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro dentro do setor de apostas.

Adaptação do sistema ainda está em andamento

O Coaf também reconhece que o sistema de monitoramento ainda passa por um período de adaptação.

Com o aumento significativo no volume de dados enviados por empresas e instituições financeiras, o órgão vem realizando melhorias em seus sistemas de análise.

A expectativa é que, ao longo dos próximos anos, o fluxo de informações se torne mais consistente e permita análises cada vez mais precisas.

O Coaf atua como unidade de inteligência financeira vinculada ao governo federal e tem como principal objetivo prevenir e combater crimes de lavagem de dinheiro.

O órgão não realiza julgamento das operações reportadas. Sua função é identificar movimentações suspeitas e encaminhar relatórios para as autoridades competentes, conforme previsto na legislação brasileira.

Fonte: BNL Data
Autor: Magno José

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Afrânio Ítalo
Afrânio Ítalohttps://conexaobet.com/
Estudante no Instituto Federal e redator júnior nas horas vagas.

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